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Lamúria

Osvaldo Barreto
1
Osvaldo · Olinda, PE
14/12/2008 · 88 · 5
 

Acordei meio esquecida. Não sabia o que devia fazer e nem por que fazer. Sentei na cama, pois não tinha força para me erguer. Ainda sentada, coloquei a cabeça encostada na parede e fiquei assim por um bom tempo. Pode parecer patético, teatral, mas é incrível como o ser humano perde suas forças em determinadas situações. Eu nem pensava nisso...

Depois me lembrei da minha infância. Era outro sintoma dessa angústia; Lembrar de todos os passos que dei. E lembrei quando era uma menina e como o mundo era simples, tudo muito simples, ...simples... Parei de recordar quando a caneca de porcelana queimou a minha mão. “Quem a colocou aqui? Quem colocou essa maldita entre meus dedos?” Provavelmente ninguém. Estava sozinha em minha casa. Não poderia ser ninguém.

Sentei na varanda e comecei a buscar as razões. “Quem foi o culpado?” “Por que sou assim?” As respostas brotavam despóticas comprimindo meu peito. Uma saraivada de certezas borbulhava no meu cérebro a me castigar. Coloquei a cabeça entre as mãos e espremi com força. Ato inútil. A angustia estava bem colada no céu do meu sentir.

Não percebi que meus olhos estavam inchados e a minha aparência era de monstro. Até me surpreender com imagem contorcida no reflexo da garrafa de café. O meu rosto tomava formas muito mais ovais e meus olhos rubros de dor davam um toque demoníaco ao meu retrato. Verdadeiro espetáculo do horror, do bizarro.

Sempre pensei que nesses momentos poderia fugir e me esconder na praia até passar a tempestade, porém não é prudente fazer isso. Alguém poderia pensar que eu seria capaz de alguma loucura e isso me deixaria mais furiosa e irracional. Mas nesses casos as pessoas estão liberadas para serem irracionais.

“Tudo certo! Tudo bem!” Quantas vezes eu disse isso hoje e direi por muito tempo até todos esquecerem. Até voltar ao normal. Mas será que vou querer ser normal? ... Não sei! A normalidade agora será um luxo fútil. Algo supérfluo nesse mar de canivetes.

Tenho uma ferida imensa que nenhum grito foi capaz de arrancar. Nenhum mar será capaz de sufocar. Nenhum amor será capaz de substituir. A minha vida passou entre meus dedos e não tive como segurá-la. Meu sorriso secou, meus olhos cegaram, minha boca silenciou.

...meu filho, por que tu morreste...?

Oterrab Filo

Sobre a obra

Acordei meio esquecida. Não sabia o que devia fazer e nem por que fazer. Sentei na cama, pois não tinha força para me erguer. Ainda sentada coloquei a cabeça encostada na parede e fiquei assim por um bom tempo.
(Texto feito para imagem.)

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Oterrab Filo (Texto)
Osvaldo (Imagem)
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nina araújo
 

Muito bonito o casamento deste texto tão bem construído no âmago da dor com a foto absolutamente real emoldurando cada palavra!
Parabéns aos dois, uma grande satisfação de ler e ver!
Abraços poéticos,

nina araújo · Rio de Janeiro, RJ 11/12/2008 09:46
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Doroni Hilgenberg
 

Osvaldo,
quantos se sentem assim, depois de uma dolorosa perda.
mas a vida continua e ela é preciosa.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 13/12/2008 13:50
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Noelio Mello
 

Noelio Mello · Belém, PA 13/12/2008 14:26
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Osvaldo
 

Nina e Doroni, obrigado pela visita e os comentários. Enriqueceram muito essa página. Abraços!!!

Noelio, tenho visto esse tipo de comentário e ainda não sei se é um acidente ou é uma "gíria" nova. (estou quase um ano afastado).
Porém gostei de te ver aqui. É algo positivo até no silêncio.
Abraços!!!

Osvaldo · Olinda, PE 13/12/2008 18:57
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

publicado mais um lindo trabalho.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 14/12/2008 13:22
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