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LANÇAMENTO DO LIVRO ' ÉRAMOS FELIZES ESABÍAMOS'

geraldo mauricio( Nenzão)
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raphaelreys · Montes Claros, MG
15/8/2010 · 11 · 36
 

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LANÇAMENTO DO LIVRO “ ÉRAMOS FELIZES E SABIAMOS”

No próximo dia 21 de agosto, sábado, às 19:30 horas, no espaço de eventos do restaurante e bar Skema Kent, que fica localizado à rua Santa Maria, 296, no bairro Todos os Santos, fone (38) 3221-6009, em nossa cidade de Montes Claros (MG), será realizado o lançamento do livro “Éramos Felizes e Sabíamos”.
Aqui na terra de Figueira, este evento literário está sendo coordenado por Nilo Sérgio Pinto, Virgínia de Paula e Amália Drumond. Reúne crônicas de 17 sessentões nascidos no final dos anos 40 e início dos anos 50, contando uma história da infância ou adolescência ocorrida nesta nossa urbe campesina e não muito ordeira.
São crônicas de rapazes e moças montes-clarenses, filhos, descendentes, legítimos ou adotados do bandeirante Gonçalves Figueira. Causos acompanhados de cachaça Viriatinha, carne de sol dois pelos com pequi, farinha do Morro Alto, doce de buriti, muita fuleiragem tropical e a semântica libidinosa de menino e meninas da roça.
Participam da obra: Ademir Fialho, Augusto Vieira, Carlos Lindenberg, Eduardo Lima, Felipe Gabrich, Haroldo Tourinho, Luiz M. Veloso, Márcia Vieira, Nilo Pinto, Paulo Henrique Souto, Raphael Reys, Ruth Tupinambá, Tião Martins, Tininho Silva, Virgílio de Paula, Virgínia de Paula e Walmor de Paula.
A idéia da feitura deste livro se deu quando nos encontramos na cidade para as festividades comemorativas dos nossos 60 anos, em 15 de novembro de 2008. Publiquei uma crônica/relato sobre esta festa no site overmundo: http://www.overmundo.com.br/banco/a-festa-dos-sessentoes.
O primeiro lançamento do livro aconteceu em Brasília (DF), em 28 de maio do corrente ano, no restaurante Feitiço Mineiro, a cargo do sociólogo Geraldo Maurício, organizador da obra.
O segundo lançamento se deu em Belo Horizonte (MG), capital das Alterosas e de todos os mineiros, onde vive grande parte dos participantes, no dia 04 de junho de 2010, nos três ambientes do badalado Chop Vienna Beer, na avenida do Contorno, cercado de vários almoços, encontros e muitas saudades.
O quarto lançamento ocorrerá em data a ser marcada no Rio de Janeiro, onde também residem alguns dos participantes, notadamente os que se dedicaram ao cinema. Dentre eles, lá estarão os premiados Alberto Graça, Bety Formagini e Paulo Henrique Souto, capitaneados pelo ilustre Carlos Alberto Prates Correia, que formam o nosso quarteto da sétima arte.
Neste evento, proximamente, aqui na nossa Montes Claros, capital do Pequistão, contamos com a presença de componentes da Academia Feminina de Letras, Academia de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico, todos da nossa cidade.
A imprensa local está nos dando uma cobertura de primeira. A badalada revista Liberdade de Minas, do jornalista Noriel Cohen, na sua edição de agosto nos dedica três páginas a cores.
Nessa oportunidade, você ainda participará das folclóricas Festas de Agosto, que se iniciaram no dia 18 e encerrarão no dia 22. Caboclinhos, catopés, marujadas, lundus, orquestras de viola caipira, comida mineira, regional e muitas outras “acontecenças” típicas ocorrerão. Tudo isso sob o comando do nosso eficiente Secretário de Cultura e com o apoio da atual administração municipal.
As conhecidas e apreciadas comemorações têm como palco as ruas centrais de Montes Claros, culminando, à noite, na Avenida Coronel Prates, centro nervoso da cidade.
Todos os organizadores e participantes da vida cultural urbana estarão presentes e nós contamos com você, para nos prestigiar e se encantar. Portanto, não falte!

Vai aí o meu e-mail para contato: raphaelreysmoc@yahoo.com.br

Sobre a obra

Estamos lhe convidando para o lançamento do livro de crônicas d a nossa infância e adolescência! Dia 21/agosto/2010, 20 h no Restaurante Skema Kent, aqui em Montes Claros (MG). Capital da República do Pequistão.

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Autoria
RAPHAELREYS LIVROLANÇAMENTO
Ficha técnica
Venha comer arroz com pequi!
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marilia carboni
 

Desejo muuuuuuuuito sucesso!!! Bjs!!!

marilia carboni · Londrina, PR 15/8/2010 17:32
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victorvapf
 

Rapha, parabéns pelo lançamento e também desejo muito sucesso a todo pessoal bom de Montes Claros...
(Ainda vai de trem até aí?)

Abracos

victorvapf · Belo Horizonte, MG 15/8/2010 19:25
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kfarias
 

Muita Luz a todos de Montes Claros e felicidades a todos os participantes do livro.
Lamentavelmente torná-se impossivel minha presença material mas, espiritualmente estarei com voces.
abraços.

kfarias · Águas de Lindóia, SP 15/8/2010 21:43
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mochiaro
 

Prezado raphelreys
Parabenizo por esse lançamento num bairro TODOS OS SANTOS, de mesmo nome do bairro onde moro aqui no Rio de Janeiro.
Que Todos os Santos estejam presentes nesse lançamento e vou aguardar a chegada desse lançamento aqui no Rio de Janeiro, onde comparecerei.
Meu email é mochiaro1@hotmail.com e aguardo sua resposta confirmando a data pra o Rio de Janeiro.
Gosto muito de crônicas
Obrigado por esse aviso
Um abraço

mochiaro · Rio de Janeiro, RJ 16/8/2010 01:22
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raphaelreys
 

ATENÇÃO GALERA!!! A hora correta do evento é 19:30hs. Cometi uma distração e constei no texto 10;30h. Grato a todos!

raphaelreys · Montes Claros, MG 16/8/2010 07:33
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raphaelreys
 

Marid Carboni! Um grande beijo! Se puder venha comer pequi e beber uma cachaça Viriatinha conosco!

Victor! O trem demora mas é romantico. Ocorrem romances ligeiros de amor no percurso!

Mochiaro! Comunicarei a data no Rio de Janeiro e cotaremos com a sua presença! Um forte abraço!!

raphaelreys · Montes Claros, MG 16/8/2010 07:36
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Doroni Hilgenberg
 

Raphael,
Infelizmente não poderei comparecer neste delicioso evento.
Mas parabenizo todos os autores ( que são de pesos) incluindo você que por certo deu um toque especial na obra.
bjs e sucesso no lançamento.

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 16/8/2010 17:06
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ayruman
 

Raphael. Desejo a todos meus conterrâneos das Gerais, momentos de plenas alegrias e realizações neste nobre evento.
Luz e Paz. jbconrado

ayruman · Cuiabá, MT 17/8/2010 11:20
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raphaelreys
 

Doroni! Um beijo pela sua energia!

Ayruman! Obrigado pela pasagem no postado!

raphaelreys · Montes Claros, MG 17/8/2010 15:16
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raphaelreys
 

Caros Overmanos! Vejam a crônica de pur poesi do nosso escritpor Mario Ribeiro( Hucho). Notável componente da nossa geração, sobre a nossa festa amanhã! Vou colar o postado com a sua autorização!

Meninos e meninas,

Agosto me traz a lembrança redemoinhos empoeirados, que bailavam pela cidade. Densas cirandas de ventos que eu pulava dentro, de um pé só, ressabiado, a procura do Saci Pererê e de suas estripulias. Era o mês dos ventos soprantes de araras, papagaios e pipas. Alísios que alçavam minha sureca (arara sem rabiola), vermelhamarela, losangular, saliente e atrevida. Raia que coroava o azul morno dos céus. Os ventos chegavam sorrateiros, sem avisar, soprando devagarzinho, brisazinhas. Com o decorrer dos dias, iam engrossando, tomando corpo, e brotavam os redemoinhos. A meninada não tinha consciência cronológica dos ritos da natureza, agia instintivamente. Ventou, então estava na hora de soltar pipa. Assim, a primeira semana de agosto era gasta no gosto de manufaturar araras e manivelas, de providenciar, no escondido, o pó de vidro e a cola de madeira para o cerol. De arranjar as taliscas de bambu no Pequi de Joani e descolar uns trocados para comprar os papéis de seda coloridos e os carretéis de linha 40 na lojinha do Seu Tamiro, na Travessa Cônego Marcos.A chegada dos ventos levava a criançada para os finais das ruas, para os mangueiros, onde não havia postes de luz, nem os inimigos fios, ladrões dos artefatos de alegria. Ventanias que embicavam pelas ruas soprando catopés e embaralhando suas fitas de cores vivas. Poeira e brancura. Puras. Nós, meninos, só queríamos olhar para os céus e ver nossas araras nas maiores alturas, sublimes, como um gavião reinante à caça de uma presa. Ficávamos de butuca a procura de outra pipa, içada por meninos de outros bairros. Os territórios e domínios da garotada eram demarcados pelos limites das ruas, mas o céu não era de ninguém. Lá em cima, no campo de batalha, valia tudo. Então, se víssemos uma arara empinada o desafio era certo e a conquista era resgatá-la com classe. A manha era dar fortes toques na linha, fazendo a pipa mergulhar lateralmente, em velocidade, até alcançar e laçar em 360º a outra linha descuidada. Fisgada, enlaçada, com ligeireza recolhíamos a presa na manivela e ficávamos no aguardo do envergonhado dono a procura da sua arara derrotada. O orgulho espirrava de satisfação. Aqui pra nós, pretéritos tantos anos, confesso: perdi a maioria das batalhas. Eu gostava mesmo era de “Cabaspará’, que meus primos de Belo Horizonte chamavam de ”Pentes Altas.”Passados os ventos de agosto, a poeira, os catopês, os amarelos e roxos dos ipês, setembro surgia mais quente e trazia chuvas esporádicas. O pó sumia, a terra dura amolecia, os riscos das fincas e as bilóias apareciam. A meninada descalça, sem nem bem saber, esquecia as pipas, e furava o chão macio com o dedão. Estava na hora de desentocar as bolinhas de gude. Dum dia para outro, não havia uma esquina que não tinha um bolo de meninos no “Gute please, todos”. Era assim mesmo, com essa mistura de inglês e português, que iniciava a partida de bolinha. Daí, um o garoto dizia: “bololô na minha, não dou nada e quero tudo”. Nada mais ditatorial. Quem gritasse primeiro esta frase, além de não poder ser alvejado, mesmo “estando no jeito”, tinha direito a todas regalias, mandingas e favorecimentos, tais como: mão quieta, mãos nos peitos, rondas... Cada um tinha sua bolinha sorteira (da sorte), o bolofofo (bolinha grande da cor de café com leite), a esfera minúscula e as “olho de gato” de matar de inveja.E quem não brincou de “Guerau”, que traduzido ao Far West de outrora queria dizer “Get yours hands up”.Bem, meninos e meninas de antigamente, deu saudade, né? Então, mate-a!Neste sábado, dia 21/08, às 20 horas, no Skema Kent, estaremos reunidos para relembrar a nossa infância, quando “Éramos Felizes e Sabíamos”.Apareça lá, e vamos reviver nossa Montes Claros Criança!
Mario Ribeiro Filho( Hucho)


raphaelreys · Montes Claros, MG 20/8/2010 17:26
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raphaelreys
 

Caríssimos! Clo aqui o comentário recebido por e-mail de Juventino Silva, o coronel Tiniho para os íntimos. Não pode comparecer dado a gripe:

Crianças,
PARABÉNS, de toda parte, de toda gente, recebi notícias do evento aí em MOC City e todos foram unânimes: o lançamento foi um SUCESSO TOTAL!!!
Pena que uma forte gripe impediu-me de compartilhar este momento maravilhoso com vocês...mas, daqui, torci para que tudo fosse como de fato foi: "UMA INCELENTE MARAVILHA!!!"
PARABÉNS!!!
Grande abraço.
--
Juventino "Tininho" Silva

raphaelreys · Montes Claros, MG 23/8/2010 07:35
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raphaelreys
 

Caríssimos! O comentário do organizador da fsta, o sociólogo Geraldo Maurício, o notável instrumentista conhecido por Nenzão. Nosso hirofante da bossa nova: Recebi também por e-mail:

Virginia meu amor,

Não se preocupe com as pequenas coisas que não deram certo no evento que vocês programaram e foram muito poucas coisas que não foram fantásticas e perfeitas.
Fiquei impressionadíssimo como vcs conseguiram modificar a desorganização natural de Montes Claros e fazer uma outra festa em continuidade á primeira.
Festão, musica da melhor qualidade, Viva Juninho e os meninos do choro, as meninas da voz, Tiupas e Cabaré, Carne Preta , os meninos do som local e o velho Yuri Popoff. Me emocionei às lagrimas com suas palavras e seu som.
Maravilha os convites formulados por vcs às pessoas que compareceram. Adorei ver dona Ivone, Dona Fernanda, Meus irmão, sobrinhos cunhados e varias outras pessoas que não via à 30m anos, acomodadas nas pequenas mesas de um bar, ambiente desconhecido e até hostil à muitas delas.
. E a Milene, provavelmente a primeira vez em que entrou em um boteco em sua vida. Fiquei vaidoso de vê-la e todas as outras minhas primas e tias abraçando todo mundo.
Virginia, Amalia, Rafa e Nilo, realmente obrigado. Não sei como agradece-los. Participei de todos os lançamentos e em Brasília foi fantástico e inesperado, em Belo Horizonte foi grandioso mas Montes Claros foi emoção e surpresa.
Me preveniram que não ia funcionar pois na própria terra santos não fazem milagre. Faz sim. Vendemos 63 livros quando a expectativa era de no máximo 15. Distribui ainda mais 16 livros à pessoas que realmente deveriam ser homenageadas com nossas histórias , isto por minha conta e custo, ou seja, foram adquiridos 79 livros aos fantásticos 30 reais no lançamento de livro mais concorrido do Norte de Minas. Isto prova que uma boa história e uma boa causa remove montanhas e até os Montes Claros
Bombou também em MOC. O empenho desta ´maravilhosa turma dos 60, gente que gosta de se unir e que sabem ser felizes.
OBRIGADO A TODOS. Não se esqueçam de agradecer a todo o pessoal da midia que compareceu e prestigiou integralmente o evento.


Brasília DF, 22 de agosto de 2010


Nenzão

raphaelreys · Montes Claros, MG 23/8/2010 07:37
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raphaelreys
 

Esse é o lnk das fotos do encontro. Extaridos do GMAU de Gerald Maurício

http://picasaweb.google.com.br/lh/sredir?uname=amigosdoguigui&target=ALBUM&id=5508386318405838593&authkey=Gv1sRgCKr9_7zBveGPxAE&invite=CKvY5tAK&feat=email

raphaelreys · Montes Claros, MG 23/8/2010 07:41
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raphaelreys
 

Comentários de Virginia de Paula sobre a festa do lançamento do nosso livro, enviado por e-mail a todos os participantes

:
Para Tininho e todos nós

Tininho, a tal da gripe nos derruba mesmo. Então, compreendi porque você não veio. Mas, pelo menos você participou dos outros lançamentos e ainda tem o do Rio. Só perdeu esse daqui. De fato, foi mais do que excelente. Foi...inesquecível. Com aquele clima raro, que só nossa turma consegue. Digo isso de boca cheia porque sei que estou falando a verdade. Da geração mais velha, sei de meu pai, que tinha o dom de fazer festas homéricas. Mas, de um modo geral, ninguém sabe. Falta o "clima". Falta a descontração, a alegria. Nossa festa em 2008 teve esse clima de celebração. E, no sabado, ele foi repetido. Eu tenho certeza que o mesmo aconteceu em Brasília e em Belo Horizonte. Esse algo invisível mas palpável, é que tornou o lançamento de sábado algo histórico. Eu não deixo por menos: foi histórico. E cheio de estrelas:

Antonieta Silvério, Yuri Popoff, o conjunto de chorinho e bossa Nova. E nós, uai. Pois é, Tininho...Teve Bossa Nova! A nossa cara. E teve catopês, cachaça de brinde, bolinhas de gude e bolas de meia. O que estava no convite foi verdadeiro. Revivemos um tempo de bolas de gude e histórias de Fiqueiras. Tinha uma luz que vinha de todos os olhares brilhantes da maioria presente. Sim, eu vi alguns meio perdidos, isolados em suas mesas. Mas é que não compartilham a essencia da coisa toda. Eu sei que gostaram também. Apenas, não é a deles. Naquele sábado, estavamos felizes e sabíamos. Não apenas por estar lançando o livro. Mas, por estarmos novamente juntos. Somos uma tribo, Tininho. E uma tribo sofisticada e espiritual ao mesmo tempo. Daí os milagres nos nossos encontros. Rafael entende bem dessas coisas. Eu só posso concordar.

Nenzão disso algo tão verdadeiro sobre a turma e que não sei repetir. Disse no microfone. Será que alguém gravou? Alguém se lembrou de gravar? Bem que falamos sobre isso nas reuniões. Seria preciso um fotógrafo oficial do evento. Falamos, concordamos que sim, e depois teve aquele lance do convite dizendo que dia 21 era sexta feira ( rs rs rs ) que atrapalhou um pouco minhas idéias. Sou daquele tipo que só pode fazer uma coisa de cada vez. Agora vejo essa pequena falta: não tivemos um fotógrafo nosso. Sim, todos estavam batendo fotos. E até o canal 20 estava presente. Mas, um camera nosso ficaria por conta de registrar também o lançamento, a fala de Dona Yvone, a de Amália, a leitura de Ucho e a fala de Nem. Não sei se isso foi feito. Era importante, concorda? Enfim, Nenzão falou na turma sempre em contato...e olhe que não é uma turma fácil. Nunca foi. Todos muito cientes de seus direitos, todos contestadores e convictos de suas idéias. Apesar disso, estavam sempre juntos.Ainda estão. Eu acredito que é exatamente por isso. Esse é o nosso ponto comum principal. Não somos de nos submeter a seu ninguém muito menos a nós mesmos. Nós falamos e falamos alto. Nem sempre a mesma coisa. Mas, que outro grupo tem essa liberdade de falar alto o que pensa diferente? E chegar a um acordo sem brigar? Só nós mesmo. Acredito que exista outro, em outras cidades e países, nossos irmãos de almas. Mas, aqui de Moc, só nós. Eu não gostaria que nenhum de nós passasse, de repente, a dizer amém a tudo que um disse não sei onde. Não gostaria que todos concordassem com absolutamente tudo o que digo. Como eu iria aprender? O importante é que todos ouvem. E que beleza saber que posso dizer o que sinto. Tininho, isso é um problema sério para mim em outros grupos que frequento. As pessoas ficam com raiva, fazem bico e ficam de mal. rs rs rs. Nós nos abraçamos, como desfecho. Viva nós.

Virgínia



--
Juventino "Tininho" Silva

raphaelreys · Montes Claros, MG 24/8/2010 07:26
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raphaelreys
 

Caros leitores!
Esse texto é do jornalista premiado Alberto Sena Batista, sobre a nossa festa do lançamento:


Eles eram felizes e sabiam

Alberto Sena Batista


Iniciativa boa essa de Geraldo Maurício – Nenzão – ao organizar o livro ‘Éramos felizes e sabíamos’, no qual ele reuniu 18 autores, 19, com ele próprio, a fim de registrar para sempre uma época, sem saudosismos, quando o viver em Montes Claros era menos perigoso do que nos dias atuais.
Meses antes do lançamento, em Brasília-DF e Belo Horizonte, soube do livro em fase de edição, por intermédio de Murilo Antunes, depois da publicação do texto ‘Era feliz e sabia’ no montesclaros.com. Ao lê-lo, Murilo enviou uma mensagem me informando da iniciativa de Nenzão.
A coincidência, e isto o amigo, poeta e letrista de belas músicas, destacou: era o título do texto. O meu, publicado no dia quatro de março deste ano de 2010, estava no singular e o do livro no plural. Título que ele próprio dera. Mas, como dizia, a iniciativa foi das melhores, até mesmo pelo fato de ser uma publicação com características próprias, diferente das coletâneas de textos publicadas aqui e alhures.
Sei que foi uma tarefa hercúlea por vários motivos, e o principal deles é a dificuldade para publicar alguma coisa neste País, a começar pelos custos de edição e sem falar da preguiça mental que assola principalmente os mais jovens nos dias atuais quando a internet avança sobre potenciais leitores que preferem os joguinhos, os ‘orkuts’ e os ‘msns’ da vida a ler livros.
O livro chama a atenção pela diversidade de textos. No mínimo é uma provocação para cada um dos autores a continuarem escrevendo e estimulados pelo gosto de publicar alguma coisa, quem sabe, possam desovar um livro de contos ou um romance que porventura esteja engavetado por puro rigor de autocrítica. Outra coisa é o fato de a publicação ratificar aquilo que Minas, o Brasil e o mundo inteiros sabem: Montes Claros é terra de cultura literária forte como forte é o pequi. Tem sabor, cheiro e embala o espírito de quem confortavelmente senta numa poltrona para viajar ao passado, mesmo sabendo que o passado nem o futuro existem. Real mesmo é o aqui e agora.
Montes Claros que gerou um Cyro dos Anjos, um Darcy Ribeiro e outros nomes importantes das artes de modo geral, não podia deixar de produzir novos valores, sempre, porque a roda da vida não para.
Ademais, é importante para as atuais gerações terem uma referência do que foi a Montes Claros dos anos 60/70 a fim de que possam construir uma cidade mais interessante ainda, para elas próprias e as gerações vindouras. Digo isto porque observo aqui da janela o quanto um acontecimento atropela o outro no dia-a-dia e a velocidade do tempo, apesar da sua relatividade, aumentou a partir dos avanços tecnológicos. E no mesmo diapasão, a memória volátil das pessoas parece não assimilar os fatos com o mesmo cuidado das mentes mais antigas.
Senão, vejamos: quando a vida transcorria pachorrenta, não se tinha notícias de problemas de saúde como o Mal de Alzheimer, que, como rato roendo queijo, compromete a memória das pessoas nos nossos dias. ‘Éramos felizes e sabíamos’ é pura memória. Memória de Ademir Fialho, Augusto Vieira, Carlos Lindenberg, Eduardo Lima, Felipe Gabrich, Haroldo Tourinho, Luiz Milton Velloso, Márcia Vieira, Murilo Antunes, Nilo Pinto, Paulo Henrique Souto, Raphael Reys, Ruth Tupinambá, Tião Martins, Juventino (Tininho) Silva, Virgílio de Paula, Walmor de Paula. E, claro, memória de Nenzão.
E por falar em Nenzão, ele ainda conserva, segundo disse-me ao telefone, a fazenda Pequi, do saudoso pai, onde se pode consumir na bica do alambique, uma cachaça que já embriagou toda a turma acima relacionada, o que o público leitor poderá comprovar, por exemplo, no texto divertido de Luiz Milton.
Fui duas vezes à fazenda, a uns quatro quilômetros de Montes Claros, mas sem a companhia de nenhum deles. Numa das vezes, fui com o técnico Bonga, do juvenil do Casimiro de Abreu, no lombo de um cavalo em pelo. Bonga na frente, conduzindo o animal. Não é preciso dizer que cheguei lá com a parte de dentro das pernas escalavradas. Pior foi na volta, pois além das feridas nas pernas, estávamos tontos, menos o cavalo. Não tenho notícia se o livro foi lançado em Montes Claros. Se ainda não foi, podem esperar, o será. Sinto que os participantes, depois desta provocação, qual músico ao experimentar ‘carreira solo’, cada um deve escrever o seu romance. Espero, portanto, em breve, ter a alegria de ler outros 19 livros.

raphaelreys · Montes Claros, MG 25/8/2010 07:57
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raphaelreys
 

Caros leitores!
Essa é a crônica que fiz sobre a festa de lançamento em Belo Horizonte:

LANÇAMENTO DO LIVRO “ÉRAMOS FELIZES”, EM BELÔ
Raphael Reys
Sexta-feira última, 04/06, montesclarenses e convidados lotaram as 150 mesas do restaurante, o espaço do bar, a sacada e as mesas do passeio do Viena Beer em Belô. Willy Chlad, aos 80 anos (lúcido e vigoroso), sua filha Yngrid e esposo, Wellerson, nos recepcionaram.
Presentes, entre os convidados, muitos músicos e jornalistas da capital. Eduardo Lima comandou as mesas do passeio, Augustão Bala Doce, a sacada, Genival Tourinho (foi aplaudido quando adentrou ao salão), com sua filha Paula, a mesa central, Tininho, a mesa de autógrafos. A família Silva lotou uma parte e os Trindade a outra. Pessoal dos Biondi, Maurício etc.
A sacada virou palco com performances de Ademir Fialho, Joel Cachorro Doido, Murilo Antunes e Augusto Vieira Neto. Rolaram muitos segredos de alcovas montesclarenses, piadas cabeludas e causos de Padre Dudu, que, incomodado em seu cantinho junto ao Senhor, se tornou o personagem central da doideira tupiniquim.
O “scotch” rolou solto e as línguas também se soltaram.
Falamos dos Cadernos Indiscretos de Pedro Cocó, as farras homéricas e a fartura de Tião do Banco (a família estava presente). O maior segredo revelado foi o do “Motel do Vagão da Central”, nos anos 60.
O barulho foi tanto que a porta de acesso ao restaurante teve que ser fechada, evitando que “não iniciados” tivessem conhecimento das mazelas tupiniquins.
Muitos ausentes telefonaram se desculpando. Felippe Prates, ausente, justificou, pois estava ensaiando a peça “King Lear”, de Skakespeare, no Rio de Janeiro. Muitas celebridades estiveram marcando presença de maneira breve. Foram apenas cumprimentar os autores e demais pessoas presentes, não permanecendo no ambiente.
Foi uma noite de reencontros, abraços, beijos e lágrimas de felicidade. Muitos dos que lá estavam não se viam há décadas.
À meia noite as luzes se apagaram e cortamos o bolo de aniversário dos 50 anos de dona Célia, esposa do Augustão, que foi ovacionada por todos. Fiz a apresentação da Revista Liberdade, do jornalista Noriel Cohen, e do último livro de Amelina Chaves.
Um frio de rachar o cano, uma chuvinha fina e a bruxa estava solta, o gole correu até às três da matina. O calor da comemoração foi tanto que a galera tirou os agasalhos de frio e a maioria ficou em mangas de camisa.
Tininho e família convidaram a todos para no sábado comermos um churrasco no capricho e uma carne de porco com molho agridoce, no prédio onde moram, no Baixo Santo Antônio.
Xandão, irmão do Bala Doce, apareceu, e muitos presentes prometeram estar em Moc City em agosto, festa dos catopês e o lançamento do nosso livro na terra de Figueira. Piculino convidou para um almoço arroz com pequi e Murilo Antunes para uma feijoada no domingo.
Fui ao evento como um dos autores da obra e também representando o jornalista Américo Martins Filho, impossibilitado de estar presente.
No dia seguinte, fomos à Igreja do Carmo, coberta por uma suave chuvinha, para assistirmos à missa de sétimo dia do nosso músico e amigo José Eymard e darmos o abraço de conforto à Danuza e família.

raphaelreys · Montes Claros, MG 25/8/2010 08:02
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raphaelreys
 

O escritor AUGUSTO VIEIRA NETO, catrumano que participou do nosso livro, descreve as nossas festa de agosto. Veio para o lançamento:

De: Augusto Vieira Data: 24/8/2010 12:01:00
Cidade: Belo Horizonte
BALA CATOPÊ

Saí de Belô, de carro, às sete horas da manhã, da sexta-feira, 20 de agosto. Dia lindo, céu azul, poucas nuvens, sol maneiro, temperatura amena. Bom pra “estradar”. Passaria por Bocaiúva ou, fugindo das paradas decorrentes das obras da BR, por Pirapora, para chegar a Montes Claros? Resolvi encarar o caminho normal porque “caminho é por onde se passa”. Sempre gostei de apreciar obras públicas. Sinto-me mais cidadão quando as vejo em execução. Fiz a viagem em seis horas com somente três breves paradas, próximas a pontes que estão sendo ampliadas. Quando terminarem os serviços essa viagem poderá ser feita tranquilamente em apenas cinco horas, a uma média de 100 quilômetros por hora, com uma demorada parada para um bom descanso. Meu ponto predileto é um restaurante próximo a Augusto Lima. Cheguei, guardei a bagagem em meu apartamento, e saí para visitar minha mãe. Passei a tarde com ela. Tomamos nosso sagrado uisquinho. Lá chegou meu primo João Renato, leitor de bons livros e jornalista. Falei, por telefone, com meu querido D. Geraldo, à procura de Patrus, que havia acabado de deixar sua casa, com destino à sua Bocaiúva. Depois fui ao Café Galo, onde encontrei com minha querida amiga e prima, pelo coração, Márcia “Yellow” Vieira e com o professor, poeta e escritor José Luiz Rodrigues, filho de meu saudoso amigo Geraldo de Yayá. Anoiteceu e dirigimo-nos à sede dos Catopês, lá perto dos Morrinhos. Toquei tamborim e cantei com eles durante o breve ensaio de aquecimento. Mestre Zanza me viu e chamou-me de Getúlio. Respondi que Getúlio era meu tio e meu pai era Nonô, seu irmão. Revelou-me que meu pai fora um de seus grandes amigos e contou-me várias histórias que viveram. Levei o mestre, de carro, até perto do local onde seria hasteada a bandeira do Divino e retornei ao bairro para acompanhar o desfile. Márcia fotografando sem parar. De volta ao antigo Largo da Igrejinha do Rosário, assisti à cerimônia. Vários blocos de catopês, marujos e caboclinhos se apresentaram, com lindas músicas e danças típicas. Tive o prazer de ver Paulinho Narciso, seu filho de mesmo nome e meu primo Brant, integrando um dos mais belos daquela noitada santa. Raquel ao lado, vibrando com a festa que acostumara a curtir desde menina. Em seguida visitei Saulo Laranjeira, que daria um show logo depois, em seu camarim. Saulo interpreta o personagem Augustão, em minha homenagem, no filme “Minas Texas”, de Carlos Alberto Prates Correia. Daí nossa grande amizade. Ele surpreendeu a Eduardo Lima e a mim, integrantes do grande público, homenageando-nos do palco, o que muito nos emocionou. Quase meia-noite, morrendo de fome, fui ao Skema, com Márcia e Eduardo, para a primeira refeição do dia. Retornei ao apartamento e apaguei. Dormi profundamente naquele lugar tranquilo, ao lado do Parque Guimarães Rosa. O canto de um bem-te-vi me acordou, por volta das dez horas da manhã do sábado. Já havia começado, ao lado, a festa de aniversário de José Marçal Landim, o “Massarico” (o pessoal fala que esse apelido se grafa com dois esses, por se tratar de um pássaro regional, mas tanto o nome do pássaro, quanto os dos objetos a que a palavra se refere, são grafados com cê cedilhado, não sendo encontrada a grafia “massarico”, só existente em nosso lexicogênico dicionário catrumano). Festão. Muita gente boa. Nosso prefeito e esposa presentes. Presente o deputado Humberto Souto. Presente Theodomiro Paulino. Cantei “Eu sei que vou te amar” para o aniversariante, depois da excelente performance de nosso querido Artur Leite, em outra linda canção. De lá retornei ao Skema para o lançamento do livro “Éramos Felizes e Sabíamos”. Outro festão. Muita fala bonita, músicas da melhor qualidade e só gente bacana. Que prazer abraçar meu editor, o grande Luis Novaes! Que prazer rever Yvonne, Milene e Petrônio, ícones de nossa literatura. Que bom ficar na mesma mesa em que se encontrava Raphael! Que bom rever Virgínia! Muito bom ver o colunista João Jorge e apresentá-lo a Nenzão, que comandou tudo com maestria. Dei mais de cinquenta autógrafos. Creio que os demais autores presentes também fizeram o mesmo. O único senão da viagem foi que programaram um show de Tino Gomes bem no horário do lançamento do livro. Desta vez não pude ver o show do “Premier” da República do Pequistão. Acordei no domingo, por volta das nove horas. Quando saía do pátio do prédio, encontrei meus compadres Haroldinho e Ângela. Eles iam molhar as plantas do apartamento de Vanessa e Rodrigo, meus vizinhos, que estavam viajando de férias. Disse-lhes que se já agiam assim com as plantas, eu estava a imaginar o que fariam quando chegassem os netos. Que alegria poder despedir-me deles! Passei, em seguida, num posto de gasolina, na Av. Sanitária, para abastecer. Imaginem quem estava lá, tomando sua

raphaelreys · Montes Claros, MG 25/8/2010 08:22
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Caríssimos!
Veja essa crônica do jornalista Haroldo Cabaret, nosso contemporâneo, sobre as nossas serenatas nos anos 60:




Durante uns bons anos, 3,4,5?, a turma andou a cometer serenatas. Algumas, ótimas, inesquecíveis; outras, poucas, nem tanto. Mas valeram, para todos que delas participaram. Quase sempre em julho. No verão, raríssimas, o pessoal se dispersava mundo afora.

A coisa acontecia uma, duas vezes por semana. Isso, porque as demais noites eram vividas nas horas-dançantes em casas das garotas, festas particulares ou naquelas promovidas pelo Automóvel Clube, Max-Min, Pentáurea, Lagoa da Barra e no querido e vetusto Clube Montes Claros (onde fica hoje o Conservatório da dr. Veloso), que o cronista social Theodomiro Paulino revitalizava com o seu concorrido Encontro de Jovens, aos sábados, abrindo espaço para as mais de 30 bandas de rock da cidade.

Agenda cheia, como se vê. E como se não bastasse, tinha eu o compromisso com minha banda, Brucutus (Ricardo Milo, Patão e Lelas, este substituído alguns meses depois por Beto Guedes), de nos apresentarmos às quartas e domingos no Juventude em Brasa do AC, evento por nós criado que lotava as dependências do clube. Parecia um réveillon. Tocávamos e cantávamos e a plateia se esbaldava das 21 às 02h da manhã. Nos dois intervalos de meia hora, sempre prolongados pelos goles, ou Paulinho Rodrigues entrava em cena com suas impagáveis caracterizações de Jerry Lewis, ou um dos nossos DJs encarregava-se de manter a alta temperatura da pista de dança. Ao chiar da assistência, exigindo o retorno da banda, reaparecíamos no palco. Éramos cumpridores de horário, por incrível que pareça, caso raro no meio musical daquele tempo.

O clube nos pagava muitíssimo bem por aquelas performances. No entanto, metade da grana ou mais ficava no bar-restaurante, pois, aos amigos mais chegados, a boca-livre era total onde quer que apresentássemos. Certa feita, num Adeus às Férias, oferecemos um jantar para mais de cinquenta pessoas que só acabou com o sol já alto. Três bandas haviam levado a festa: Brucutus, Eremitas (Grego, Reinaldim, Herbert Caldeira e Lulu Guedes) e The Flintstones (Abílio e Sinclair Morais, Ronildo Almeida e Titão), especializados em Rolling Stones. No salão do AC, três palcos foram montados para essa grand finale.

Mas falávamos de serenatas... Aconteciam por acaso, decididas ali, na hora, no banco da praça dr. João Alves - nosso QG, sem data marcada, porém, ensaiadíssimas, profissionais. Nada de improvisos. Pra começar, desafinados eram proibidos de cantar. Nesse quesito, Ricardo Milo cumpria admiravelmente o papel de ditador-regente. Acompanhavam o canto dois violões, às vezes bandolim e violas, flauta, gaita de boca, bongô e pandeiro sem couro, este último somente para marcar o rítmo de algumas canções - pandeiro desse tipo é um desastre na madrugada, soa longe. E incomoda os sensíveis ouvidos das gatas. Para despertá-las, abríamos a cantoria com Help (Beatles). A seguir, canções românticas, como não podia deixar de ser. Repertório escolhido a dedo: Yesterday, The long and widing road, This boy (com suas três vozes, lindas), And I love her, Do you want to know a secret, The fool on the hill, Blackbird, A day in the life, Lucy in sky with diamonds, All you need is love, Till there was you... Todas dos Beatles. E mais: Lady Jane, Ruby tuesday (Stones), Listen people (Herman's Hermits), The house of the rising sun (The Animals), A white shade of pale (Procol Harum), We'll meet again, Mr. tambourine man, The bells of Rhymney (The Byrds), World of love (Peter and Gordon), Moon river, Georgia on my mind e outras canções que me escapam no momento. E ainda: I started the joke (Bee Gees), se estivesse presente Ricardo Mesquita (Jim Bordel) para interpretá-la. Apreciávamos bastante Tristesse (Chopin), mas nem sempre Beto se dispunha a dedilhá-la ao violão. Encerrávamos as serenatas com Hey Jude (Beatles), devido o prolongado coro final, da-da-da... dadadada..., que nos permitia sair de fininho das casas...

Entre efetivos e eventuais membros, a turma contava com cerca de quarenta garotos. Computadas as garotas, o número subia a cem. Minha casa se assemelhava a um clube, ou melhor, hotel, onde não poucos entravam e saíam, almoçavam, jantavam, dormiam e se hospedavam, caso de Patão, que lá ficou seis meses, com direito à mesada. Os Guedes haviam se mudado para BH e necessitávamos do Pato aqui. Beto ficava com os Mesquita (Lúcia e Ney). Adorava o piano da casa, sempre afinado, pois dona Lúcia pertencia aos quadros do Conservatório Lorenzo Fernandez. Luiz Guedes, dos Eremitas, acolhiam-no Alice e Mozart Caldeira, pais de Herbert, componente da mesma banda.

Lá em casa só não havia bebida. Também, pudera! Mamãe brincava, dizendo que passaria a exigir carteirinha para a entrada dos sócios... Papai, nem aí, chegava da Santa Casa pelas madrugadas e se metia no pôquer ou sete-e-meio dos meninos. No pôquer, blefava como ninguém, arrebatava todas as

raphaelreys · Montes Claros, MG 26/8/2010 07:50
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complemento da crônica de HAROLDO CABARET;

em casa só não havia bebida. Também, pudera! Mamãe brincava, dizendo que passaria a exigir carteirinha para a entrada dos sócios... Papai, nem aí, chegava da Santa Casa pelas madrugadas e se metia no pôquer ou sete-e-meio dos meninos. No pôquer, blefava como ninguém, arrebatava todas as fichas disponíveis - nos quebrava, por assim dizer -, depois esparramava as fichas no pano verde, dizendo, às gargalhadas: "Vamos, patos, agarrem as que puderem!" Os anos eram dourados, sim.

Na minha quase longa vida, só anos depois vi outra casa assim, a de Antonieta (Tutu) e João Batista Silvério. Inexistentes na minha (imprevidência de dona Lourdes), ali vigiam algumas normas afixadas nas paredes - Artigo 1º: Sujou, lavou! 2º: Dê descarga! 3º: Não entre molhado na casa! - e advertências na porta da geladeira: "A torta é para a sobremesa de amanhã!" No mais, a galerinha transitava à vontade, nadava, batia bola, e até mesmo assistia ao futebol, pela TV, deitada na camona do casal...

Noutro tempo, que não o meu, a Vargem Grande, sítio-residência do casal Elisa-Joaquim Costa, era um verdadeiro cassino (roleta, mesas de pôquer, bacarat), com o velho líquido rolando solto, almoço para cem pessoas aos domingos, piscinadas... Reduto de casais da alta, bancadíssimos, aos garotos sobravam as raspas do tacho. Mas sabiam aproveitá-las, e como! O lindo, querido e saudoso casal mantinha uma charmosa casa de dois andares, mobiliada, no centro da cidade. Ali seus rapazes, Cacá, Mário Bode e Ernesto (Van), depois Luiz Milton e Roberto Luiz (Bob), faziam de tudo, os leitores podem imaginar. E exagerar. Na intimidade, referia-se a essa casa como Maison d'Oiseaux (Casa dos Pássaros): lá, eles, os rapazes, pousavam... e à Vargem Grande retornavam...

Tão logo definido o repertório da serenata, partíamos para o ensaio no mirante dos Morrinhos ou no trevo do aeroporto. Entrementes, uma equipe especial, eficientíssima, comandada por Zé Geraldo Antunes (Jacaré da Serra), saía na sua vemaguete (perua DKW) para afanar côcos e galinhas. Havia um restaurante nas proximidades do bar do Toco, Vila Ipê, cuja proprietária-receptadora trocava duas galinhas vivas por uma assada... Bom negócio para ambas as partes. Quando acontecia de a equipe galinácea voltar de mãos vazias, surrupiávamos as penosas de nossas próprias casas. Algumas vezes surgia do nada um uísque, do bom, escocês, furtado dos pais. Nisso era mestre o Paulinho, Bolinha, filho dos maravilhosos Tião e Tininha. Tião, gerente de banco, ganhava caixas e mais caixas de presente. E nós, ali, de olho gordo na sua adega... Certa vez, Bolinha apareceu na praça sobraçando um garrafão de Cavalo Branco, cinco litros!, que foi guardado para uma futura oportunidade. De consciência pesada, nada cobramos de Tião para animar os 15 anos de Ângela, uma de suas filhas.

Armada a seresta, vinha o roteiro a cumprir. Atendíamos também aos suplicantes, ajudando-lhes nas conquistas amorosas, cantando ali e acolá. Começando pela rua Bocaiuva, Clarete e Martinha Gomes. Na dr. Santos, as Maurício (Mânia, Nair e Vitória). Mais abaixo, cantar para as Zumba (Rita, Eliana e Janice) era complicado: moravam em apartamento de terceiro andar e, da rua, a música não lhes chegava aos quartos, nos fundos. Solução: saltar o muro da casa vizinha, na rua paralela, Camilo Prates, pertencente a Zezé e João Carlos Moreira; atravessar o térreo da casa (felizmente sem cachorro); subir ao telhado de um barracão nos fundos, sempre partindo telhas... De lá, daquele telhado, despertávamos as três princesas, que, pela beleza, mereciam esforço muito maior. Zezé e João Carlos nunca reclamaram de nada - ali também morava a boa música do Banzé.

Outro roteiro começava pela Coração de Jesus (Marilene e Marinilza Mourão) e seguia pela avenida Cel. Prates. Ali, sim, o bicho pegava! As meninas de dona Fernanda Ramos, lindas, sequer piscavam as luzes dos quartos, a mãe não deixava... Mas ficavam acordadas, tudo ouviam e comentavam no dia seguinte no recreio do Colégio Imaculada. Fátima Pinto, quantas serenatas? Mabel Morais, quantas outras? Virgínia de Paula, outra complicação: a casa era-é por demais recuada. Solução: combinar de antemão com a homenageada para deixar o portão aberto. Fazer serenata ali era bom demais. Sentávamos em confortáveis poltronas na varanda, Virgínia às vezes nos acompanhava e cantava para ela mesma... E a boa pinga sempre nos era servida. Curioso é que o dr. Hermes, seresteiro-mor, nunca aparecia. Certamente a sua praia era outra, modinhas...

Jacy e Marão Ribeiro mantinham os portões sempre abertos, eternamente. Pat e Mônica ouviram célebres serestas. Marão surgia, muitas vezes de cueca samba-canção (ali só havia homens), abria a porta de vidro, depositava duas garrafas do lado de fora, falava: "Ei, meninos!", fechava a porta e voltava, cambaleando de sono, casa adentro. E as meninas da Carlos Pereira e Pires e Albuquerque? Vera Medeiros, Túlia Drumo

raphaelreys · Montes Claros, MG 26/8/2010 07:56
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veja essa outra crônica de haroldo cabaret sobre a visista de Roberto Carlos a nossa cidade no início de carreira:


 

EU, PATÃO E O REI...
Haroldo Costa Tourinho Filho
E-mail: ha-tour@hotmail.com

Não sei quantas vezes o Rei apresentou-se em Montes Claros. Assisti a dois de seus shows. Em julho de 1963, mero plebeu, hospedou-se no Hotel São José. Ele e o violão. Talvez nem mesmo empresário tivesse. Também não sei se com ele aconteceu o que ocorrera uns dois anos antes a Cauby Peixoto, que teve as vestes estraçalhadas pelo histérico público feminino. Já li, ou ouvi, que as costuras das calças e paletós dos ídolos de então eram simplesmente alinhavadas. Assim, bastava um puxão para o rei ou príncipe ficar nu ou em cuecas samba-canção. Roberto, que nem príncipe era, talvez tenha escapado da multidão.
   Contam que, ao descobrir a amada Moc, cantou-a primeiro no campo do Ateneu, o que não posso testemunhar. Eu o vi, em carne e osso, no Clube Montes Claros. Ele e o violão. Sequer um simples pandeiro acompanhava o moço... Não foi mole entrar no clube. Seu Oswaldo Landim, comissário de menores, pai de Nivaldo e Maçarico, me perseguia. Tinha eu quase 13 anos e ele já me havia barrado em Juventude Transviada (proibido para menores de 14), no Coronel Ribeiro. Logo eu, fã de James Dean! O danado sabia a idade de todos os meninos e meninas da cidade. Salvou-me a Providência divina, na pessoa de Barreto, Antônio, diretor do clube, que me fez entrar pela porta que dava acesso às salas de jogo. Subi as escadas em dois tempos e me vi de repente no salão de baile, onde fui acolhido em mesa ocupada por amigos do meu irmão mais velho, Raymundo. Servi-me de um hi-fi (vodka com crush) para me mostrar como gente grande e desse não passei, pois logo estava meio tonto, como se anestesiado. Mas me fez bem. Vi tudo com outros olhos, as lâmpadas brilhavam mais intensamente, a fumaça dos cigarros tudo envolvia, enfim, ali estava eu. Anunciaram o cantor do momento, que deixou a mesa de uma turma de rapazes e subiu ao palco. Ele e o violão. Cantou Calhambeque, Rosa-Rosinha e outras canções que não me lembro mais. Findo o show, eu não tinha mais nada a fazer ali. Deixei o clube pela porta da frente, causando estupor em Seu Oswaldo. "Como ele entrou?" escutei-o perguntar a Zé Idálio, outro comissário de menores que depois virou detetive.
   Veio o ano de 1964 e lá fui eu para a terceira série ginasial. Colégio São José, educação marista. Esse educandário foi construído através de doações em dinheiro da burguesia local com o intuito de melhor ensinar e domesticar seus rebentos. Falavam que o ensino ali era "apertado", ou seja, não dava moleza ao alunado. Havia lá certos castigos, tais como ficar de pé diante de uma parede durante algum tempo ou copiar uma mesma frase centenas de vezes. Duas burrices. A primeira, porque os que pegavam parede eram sempre os mesmos, reincidentes em algum tipo de falta - talvez uma outra medida educativa surtisse melhor efeito; a segunda, porque as chamadas linhas de nada adiantavam - melhor seria a obrigação de copiar textos... A planta do São José veio da França, sede da congregação marista, fundada pelo padre, hoje beato, Marcelino Champagnat. Junho, 06, data de seu aniversário, era feriado escolar. Delícia! Excelente colégio! Lá chegávamos com uma boa base, como se dizia, proporcionada por ótimos grupos escolares, notadamente o Francisco Sá, o Dom João Pimenta e o Gonçalves Chaves, onde estudei. Corpo docente formado por professoras dedicadíssimas e preparadas.
   Na terceira série do marista, além das matérias tradicionais tínhamos, uma vez por semana, aulas de desenho, música e caligrafia, esta última com todo o material necessário: caderno especial, tinteiro e caneta de madeira com pena. Causavam aflição e gastura garatujar com aquelas penas... Foi numa dessas aulas de música que me aproximei de Ricardo Milo. O querido irmão Wagner, que também lecionava história, nos quinze minutos finais permitia aos alunos colocar músicas de sua preferência na radiola portátil que disponibilizava para tal. Lá foi o Milo e, para surpresa minha, botou Beatles pra rodar. Era um compacto simples com duas canções, uma de cada lado: She loves you e I want to hold your hand. "Uai, ele gosta de Beatles!" Num colégio se fazem amizades e até hoje andamos juntos.
   Na minha casa, papai não tinha tempo pra música. Quando as ouvia - raramente - gostava de óperas. Aída (Verdi) era a sua predileta. Mamãe gostava de tudo, talvez um pouco mais de fados e Bach. Sabia também todas as letras e melodias das marchinhas de carnaval. Boa baiana. Raymundo e Layce, irmãos bem mais velhos, estudavam em BH e, quando aqui, em férias, promoviam suas laranjas-amigas, como então eram chamadas as horas-dançantes. Foi aí que conheci seus amigos e amigas (dessas, Bisa Costa, filha de Elisa e Joaquim, era a mais bonita, alías a mais linda moça já surgida em Moc, juntamente com Luizinha Barbosa, que não me lembro se participava daqu

raphaelreys · Montes Claros, MG 26/8/2010 07:58
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COMPLEMENTO DA CRÔNICA DE HAROLDO CABARET.

Na minha casa, papai não tinha tempo pra música. Quando as ouvia - raramente - gostava de óperas. Aída (Verdi) era a sua predileta. Mamãe gostava de tudo, talvez um pouco mais de fados e Bach. Sabia também todas as letras e melodias das marchinhas de carnaval. Boa baiana. Raymundo e Layce, irmãos bem mais velhos, estudavam em BH e, quando aqui, em férias, promoviam suas laranjas-amigas, como então eram chamadas as horas-dançantes. Foi aí que conheci seus amigos e amigas (dessas, Bisa Costa, filha de Elisa e Joaquim, era a mais bonita, alías a mais linda moça já surgida em Moc, juntamente com Luizinha Barbosa, que não me lembro se participava daquelas laranjas-amigas), que levavam discos e mais discos para embalar as noitadas. Dançavam rock and roll, cheek-to-cheek, boleros (Perfídia, El reloj, La barca...). Na nossa big  radiola estéreo, potentíssima para a época, rolava de tudo nessas ocasiões: Sinatra (lembro-me da capa de A swing affair, que trazia Night and day e outra canção - a segunda do lado B - que adoro e ainda canto ao chuveiro: The lonesome road), Ray Charles, Ella Fitzgerald, The Platters, Charles Aznavour, Maurice Chevalier, Edith Piaf, Elvis, Paul Anka, Neil Sedaka, Bill Halley e todos aqueles do rock. Benny Goodman e sua clarineta, Glenn Miller, Duke Ellington, Louis Armstrong, Count Basie, Waldir Calmon e Sua Orquestra (Uma noite no Arpège...), Tommy Dorsey e todas aquelas big bands.
   Naquele ano de 1964, fevereiro, ouvi The Beatles pela primeira vez. Aconteceu numa loja de discos em BH. Ia passando e a coisa me pegou. Foi um choque, uma paulada, um terremoto mundial! Eram em tudo diferentes de todos, a começar pelos trajes e cabelos. Cantavam, tocavam e compunham! Nada mais seria como antes. Bandas de rock se multiplicaram mundo afora, todos os garotos queriam ter a sua e aqui em Moc chegamos a 36. O resto veio dali: sexo livre, pílula anticoncepcional, minisaia, Tropicália, Woodstock e outros festivais e o fim da guerra do Vietnan, após um movimento nunca, jamais visto pela paz, que teve em Lennon uma das principais cabeças. Ponto negativo, as drogas, com excessão da maconha, que também é remédio.
   Já conhecia The Beatles através de jornais e revistas. Brian Epstein, certamente o maior e mais inventivo empresário do show business, trabalhara muitíssimo bem a imagem do quarteto. Assim, quando - espantado - os ouvi naquela loja sem saber quem tocava aquilo, ao ver a capa do compacto simples disse comigo: "São eles!"  Era o mesmo compacto que Ricardo Milo apresentaria à turma do São José algum tempo depois. O dele era promocional, da loja de eletrodomésticos de seus irmãos, Radioluz, ali na praça Dr. Carlos. Começava com uma propaganda do creme dental Kolynos (outro muito consumido era o Philips, meu preferido, que desapareceu do mercado). Saímos daquela aula de música já amigos, pensando em montar um conjunto como aquele, o que viria dar nos Brucutus. Mas antes de mais nada era preciso aprender a tocar.
   Roberto Carlos retornou a Moc em 1966, por ocasião da Exposição Agropecuária, férias de julho. Chegou na posição de príncipe, exigindo casa de campo ou uma outra na cidade, desde que recuada, e que tivesse piscina... Veio em avião fretado com todo o conjunto, o RC-7. Ficou na cidade, em casa recuada, com piscina, onde não caiu, a residência do casal Josephina e Hermes de Paula, querido e saudoso médico, historiador, folclorista e seresteiro-mor. Os Brucutus ainda não possuíam aparelhagem própria. Tocávamos nos instrumentos do Les Chèris, conjunto do Automóvel Clube que tocava outras músicas, caretas... Nossos agradecimentos a Vicente Alves, Zé Toco, Toni, Cassaçá, Eronildes e Lúcio, pelo muito que nos ensinaram e corrigiram. Embora tardio, fica aqui o registro.
    Creio que Roberto apresentou-se no campo do Cassimiro antes do show no AC. Assisti ao último, um negócio! Seu conjunto era excelente, alguns dos melhores músicos do país estavam ali. Quando o príncipe levou Quero que vá tudo pro inferno! o salão explodiu, literalmente. Essa canção foi o seu passaporte para a Majestade. Antes do fim do ano foi consagrado Rei. E até hoje mantém a coroa. 
   Foi de Patão a ideia de o visitarmos. O objetivo da entrevista, nada louvável, seria solicitar ao Rei uma doação para a compra de instrumentos. Relutei, porém, pelo sim, pelo não, acabei indo. Combinamos com nossa amiga Virgínia de Paula, em cuja casa Sua Alteza se hospedava, e no dia seguinte lá chegamos para o café da manhã. Surge o Rei. Miudim... Simpático. Botinas pretas (ele não usa nem toca em nada que seja marrom, não passa debaixo de escada, só sai pela porta por onde entrou e por aí vai...), calça Wrangler e blusa banlon verde de manga comprida. Deu bom dia a todos, sentou-se, sentamo-nos, ele passou os olhos pela farta mesa e perguntou com aquela voz fanhosa: "Tem claybom?" Tinha. Desde então Sua Alteza se cuidava... Comeu uma fatia de mamão, tomou uma taça de suco de laranja, c

raphaelreys · Montes Claros, MG 26/8/2010 08:00
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Na minha casa, papai não tinha tempo pra música. Quando as ouvia - raramente - gostava de óperas. Aída (Verdi) era a sua predileta. Mamãe gostava de tudo, talvez um pouco mais de fados e Bach. Sabia também todas as letras e melodias das marchinhas de carnaval. Boa baiana. Raymundo e Layce, irmãos bem mais velhos, estudavam em BH e, quando aqui, em férias, promoviam suas laranjas-amigas, como então eram chamadas as horas-dançantes. Foi aí que conheci seus amigos e amigas (dessas, Bisa Costa, filha de Elisa e Joaquim, era a mais bonita, alías a mais linda moça já surgida em Moc, juntamente com Luizinha Barbosa, que não me lembro se participava daquelas laranjas-amigas), que levavam discos e mais discos para embalar as noitadas. Dançavam rock and roll, cheek-to-cheek, boleros (Perfídia, El reloj, La barca...). Na nossa big  radiola estéreo, potentíssima para a época, rolava de tudo nessas ocasiões: Sinatra (lembro-me da capa de A swing affair, que trazia Night and day e outra canção - a segunda do lado B - que adoro e ainda canto ao chuveiro: The lonesome road), Ray Charles, Ella Fitzgerald, The Platters, Charles Aznavour, Maurice Chevalier, Edith Piaf, Elvis, Paul Anka, Neil Sedaka, Bill Halley e todos aqueles do rock. Benny Goodman e sua clarineta, Glenn Miller, Duke Ellington, Louis Armstrong, Count Basie, Waldir Calmon e Sua Orquestra (Uma noite no Arpège...), Tommy Dorsey e todas aquelas big bands.
   Naquele ano de 1964, fevereiro, ouvi The Beatles pela primeira vez. Aconteceu numa loja de discos em BH. Ia passando e a coisa me pegou. Foi um choque, uma paulada, um terremoto mundial! Eram em tudo diferentes de todos, a começar pelos trajes e cabelos. Cantavam, tocavam e compunham! Nada mais seria como antes. Bandas de rock se multiplicaram mundo afora, todos os garotos queriam ter a sua e aqui em Moc chegamos a 36. O resto veio dali: sexo livre, pílula anticoncepcional, minisaia, Tropicália, Woodstock e outros festivais e o fim da guerra do Vietnan, após um movimento nunca, jamais visto pela paz, que teve em Lennon uma das principais cabeças. Ponto negativo, as drogas, com excessão da maconha, que também é remédio.
   Já conhecia The Beatles através de jornais e revistas. Brian Epstein, certamente o maior e mais inventivo empresário do show business, trabalhara muitíssimo bem a imagem do quarteto. Assim, quando - espantado - os ouvi naquela loja sem saber quem tocava aquilo, ao ver a capa do compacto simples disse comigo: "São eles!"  Era o mesmo compacto que Ricardo Milo apresentaria à turma do São José algum tempo depois. O dele era promocional, da loja de eletrodomésticos de seus irmãos, Radioluz, ali na praça Dr. Carlos. Começava com uma propaganda do creme dental Kolynos (outro muito consumido era o Philips, meu preferido, que desapareceu do mercado). Saímos daquela aula de música já amigos, pensando em montar um conjunto como aquele, o que viria dar nos Brucutus. Mas antes de mais nada era preciso aprender a tocar.
   Roberto Carlos retornou a Moc em 1966, por ocasião da Exposição Agropecuária, férias de julho. Chegou na posição de príncipe, exigindo casa de campo ou uma outra na cidade, desde que recuada, e que tivesse piscina... Veio em avião fretado com todo o conjunto, o RC-7. Ficou na cidade, em casa recuada, com piscina, onde não caiu, a residência do casal Josephina e Hermes de Paula, querido e saudoso médico, historiador, folclorista e seresteiro-mor. Os Brucutus ainda não possuíam aparelhagem própria. Tocávamos nos instrumentos do Les Chèris, conjunto do Automóvel Clube que tocava outras músicas, caretas... Nossos agradecimentos a Vicente Alves, Zé Toco, Toni, Cassaçá, Eronildes e Lúcio, pelo muito que nos ensinaram e corrigiram. Embora tardio, fica aqui o registro.
    Creio que Roberto apresentou-se no campo do Cassimiro antes do show no AC. Assisti ao último, um negócio! Seu conjunto era excelente, alguns dos melhores músicos do país estavam ali. Quando o príncipe levou Quero que vá tudo pro inferno! o salão explodiu, literalmente. Essa canção foi o seu passaporte para a Majestade. Antes do fim do ano foi consagrado Rei. E até hoje mantém a coroa. 
   Foi de Patão a ideia de o visitarmos. O objetivo da entrevista, nada louvável, seria solicitar ao Rei uma doação para a compra de instrumentos. Relutei, porém, pelo sim, pelo não, acabei indo. Combinamos com nossa amiga Virgínia de Paula, em cuja casa Sua Alteza se hospedava, e no dia seguinte lá chegamos para o café da manhã. Surge o Rei. Miudim... Simpático. Botinas pretas (ele não usa nem toca em nada que seja marrom, não passa debaixo de escada, só sai pela porta por onde entrou e por aí vai...), calça Wrangler e blusa banlon verde de manga comprida. Deu bom dia a todos, sentou-se, sentamo-nos, ele passou os olhos pela farta mesa e perguntou com aquela voz fanhosa: "Tem claybom?" Tinha. Desde então Sua Alteza se cuidava... Comeu uma fatia de mamão, tomou uma taça de suco de laranja, café com leite, passou claybom em uma bolacha d

raphaelreys · Montes Claros, MG 26/8/2010 08:01
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MINHA CRÔNICA SOBRE O LANÇAMENTO EM MONTES CLAROS 21/08/2010:

NOITE QUENTE NO SKEMA KENTE

Sábado 21 últimos, área reservada do Restaurante Kentura Kente, point da noite e oráculo dos tomadores de loura gelada. Chego às 19: hs e encontro, já instalado no átrio o jornalista Paulo Narciso, paramentado de discípulo do mestre Zanza e acompanhado de sua alma gêmea, a escritora Raquel Souto.
Logo, Nenzão Maurício adentrou a nave de Baco com sua alegre Patrícia. Trazia armas e bagagens e os exemplares do nosso livro “Éramos Felizes e Sabíamos”. Joselito, o secretário executivo de Virgínia de Paula comandou a venda.
Um a um foram chegando os componentes da galera de escritores tupiniquins, filhos diretos ou adotados de Figueira, com seus familiares e convidados. Nilo Pinto e Amália Drumond felizes com a organização nos trinques.
Virgínia de Paula com um penteado chique arrasou com seu charme, vestida de preto para matar. Segundo o cabeceira tupiniquim Eduardo Lima, ela parecia uma debutante.
A noite era de acadêmicos, jornalistas, músicos, escritores, convidados.
Yvonne Silveira, a presidenta da Academia Montesclarense de Letras foi ovacionado ao chegar. Presentes os escritores Petrônio Braz, presidente da Aclesia (Academia de Ciência e Artes do São Francisco) e Dário Cotrin, presidente do IHGMC (Instituo Histórico e Geográfico de Montes Claros).
A imprensa marcou comparecimento em massa, atendendo ao nosso apelo e engrandecendo o evento. Luiz Carlos Novaes, editor do Jornal de Notícias e sua esposa, Hermano Konstantino, editor do Gazeta do Norte de Minas, Paulo Narciso e Raquel, da rádios 98 AM e FM e do site www.montesclaros.com, Angelina Antunes, editora do Caderno Mulher, do Jornal de Notícias, Márcia Yellow fazendo a cobertura fotográfica para o seu Dzai, Felicidade Tupinambá, coordenando a equipe da TV Canal 20 e muitos outros que logo se misturaram a alegria da festa.
Ambiente naturalmente descontraído de almas afins.
Amália Drumond abriu a solenidade e foi seguido pelo sociólogo e líder da trupe, Geraldo Maurício que discursou sobre a obra e saudou a todos. A acadêmica Yvonne Silveira falou de improviso e como sempre abrilhantou o evento. Efusivamente aplaudida.
Velhos amigos, velhos amores, conhecidos que se reencontraram entre muitas lágrimas, amplexos e ósculos.
Ucho Ribeiro, o pai da idéia literária, leu uma recente crônica publicada com a alma cheia de contentamento. Seu irmão Fred e familiares eram só alegria e animação. Presença maciça das famílias: Deusdará, Narciso, a acadêmica Milene Coutinho, capitaneando os Maurício.
Juquita Queiroz e seu Grupo de Chorinho Geraldo Paulista (Tião, Wanderdayk, Raphael, Jonathan e Kollek) com um repertório de bossa nova e balanço violaram nossos corações com recordações do puro som do Beco das Garrafadas. Instrumentistas, cantores, performances se sucederam, solo, dupla e trio. Pura magia curraleira!
Haroldo Cabaret com Tiupas, lembrando Os Brucutus, Nenzão, Geraldo Carne Preta, um show popular e luxuriento mostrou panca de artista. Cantaram bossa nova, Valéria Mascarenhas e Juliana Peres. O músico Yuri Popoff fechou a noite com chave de ouro.
A animação tomou conta dos corações e Antonieta Fernandes que alem de cantar em dupla com Nenzão Maurício, dançou um pá de deux tropical com Ademir Fialho (sempre de fogo e penducando o equilíbrio). Outros casais animaram a pista.
Numa mesa só de capa de revista, o reflexo da luz dos spots nos cabelos louros de quatro beldades de fechar quarteirão. A charmosa jornalista Angelina Antunes, a beleza grega da artista plástica Conceição Melo, o charme quase fatal de Márcia Yellow e a graça da socialite Mirian.
Em virtude das festas de agosto e com a cidade cheia de turistas, visitas e parentes vindos de fora, muitos telefonaram e passaram e-mail comunicando a impossibilidade de estarem presentes fisicamente.
Aviso aos navegantes. O livro será lançado brevemente no Rio de Janeiro, sob a coordenação do cineasta Paulo Henrique Souto. Logo estaremos editando o segundo livro da turma. Vem coisa por aí!

raphaelreys · Montes Claros, MG 27/8/2010 07:43
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raphaelreys
 

VEJAM AS FOTOS DO EVENTO DO DIA 21 AGOSTO, LANÇAMENTO DO NOSSO LIVRO NO RESTAURANTE SKEMA KENT, NO LINK DO DZAI DE MARCIAVIEIRAIELLOW;

http://www.dzai.com.br/marciavieirayellow3/foto/galeria?fot_id=96819

raphaelreys · Montes Claros, MG 27/8/2010 17:15
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raphaelreys
 

Veja as fotos no GAMAU do Geraldo Maurício:

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Lançamento livro em MOC
21/08/2010
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raphaelreys · Montes Claros, MG 27/8/2010 17:23
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camuccelli
 

Eu fui....só agora sei que fui.

camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 3/9/2010 16:36
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raphaelreys
 

Camuccelli! Beleza a sua ida em espírito meu caro!

raphaelreys · Montes Claros, MG 8/9/2010 16:08
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Orisvaldo Tanniy
 

Raphael, um pouco tarde mas desejo a você e a todos os mineiros
muita paz, luz e felicidades e, que esse belo "Livro" bombe muito.
Abração a você e todos os mineiros.

Orisvaldo Tanniy · Teresina, PI 9/9/2010 10:13
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raphaelreys
 

Orisvaldo Tanniy!Obrigado pela presença e mande por mim, um abraço a turma do Bar do Osmundo, no Cajueiro. Outro abraço ao Dr. Pedroca Konstantino, velho companheiro de copo e de cruz.

raphaelreys · Montes Claros, MG 9/9/2010 15:35
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Sempre só...
 

Parabéns e sucesso para você...

Beijos

Luciana Bonilha

Sempre só... · Cuiabá, MT 20/10/2010 12:35
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Cláudia Campello
 

A GENTE SE ENCONTRA NUM DESSES EVENTOS DA VIDA MEU REY.S

BJSSSSSSSS

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 28/10/2010 10:23
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raphaelreys
 

Claro minha doce pisciana! Será um encontro de muitas emoções! Te beijo!

raphaelreys · Montes Claros, MG 28/10/2010 17:27
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Lu Perboyre Bonilha
 

Sucesso...éramos felizes e não sabíamos...
Beijos

Lu Perboyre Bonilha · Cuiabá, MT 2/12/2010 11:13
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raphaelreys
 

Cara Lu Perboyre! Beleza de nome o seu!Ogrigado pelo sorriso! Agora sou feliz!

raphaelreys · Montes Claros, MG 2/12/2010 13:41
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Mirtes Carvalho
 

Querido e adorável amigo e escritor.
Adoro seus contos, suas histórias...
Não será possível ir mas a expectativa de um sucesso cada vez maior é o que tenho certeza.
Depois vou pedir um livro via correio ou quando lançares aqui no Rio irei correndo abraçá´lo.
Beijinhos e sucesso. Mirtes Carvalho

Mirtes Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 8/12/2010 15:42
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raphaelreys
 

Cara Mirtes! Ibrigado pela energia! Lançaremos aí no RIO agora em Janeiro. Te mandarei a mensagem! Um abtaço!

raphaelreys · Montes Claros, MG 9/12/2010 03:17
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