LAVOURAS DE TRAVESSIA

 DOU: Portraits by Oleg Duryagin
1
Benny Franklin · Belém, PA
7/4/2009 · 125 · 12
 

Amostra do texto

“Eu não tenho nada para oferecer a ninguém, exceto minha própria confusão.”
Jack Kerouac

1.
Manobro o sangue
que carrega a noite menstruada
com a chegada do poema.
Fico atado às lavouras de travessia
e desenho o vômito que copula em cartase.
O meu tempo impele a náusea
a ajoelhar-se no escarro,
a ludibriar a renúncia do nódulo
e a falar a língua dos mortos.

2.
Se não perceberem
que este poeta vaga na metáfora dos ventos
e se não perceberem que o ventre que o apóia
torce a multifaçatez da lavra:
Alguém tem de caber em flancos natimortos.
Alguém tem de fugir e galar
que nem transversal gozo da boca.
Alguém tem de manipular olhares
e lambefixar solteiras palavras
mediunicamente perpetradas
por lacres-olhos ejaculados.

3.
Eu a poetar
pondero que o fascínio mais poético é aquele
de temperar a complexidade que é: enjaular
a eloqüência das folhas da primavera.
Já não trituro os ossos das fomes abastecidas,
mas vivo como à uma cólera
que mói as câimbras contínuas.
Ai!... Sobram-me as criaturas noturnas...
Elas me entregam vilmente ás palavras,
pois há muito tempo
não as bulo como bulo
as nadegas concisas da poesia.
Compreendam-me!
Eu não curto a paixão decerto compassiva
que acolhe a mordaça
e não ouve a encosta gemer
que nem traição!

4.
Agora sem retropasso,
imagino que sobre a passeio público
deitará uma súplica marginal
para admirar as lágrimas que caem
e estancar os sonhos e as valas urbanas
das quais aspirei os urros proscritos da vida
- onde masturbei como á uma flâmula
do juízo de nós.

5.
De prima,
uma tesa réstia de cru rabisca seivas
e um sândalo percebe a intenção da lâmina...
Laços pendulares
esbofeteaiam a pureza do machado
e as palavras esvaiem-se-me rápidas
como sangue punido
que enforca a coleira do sexo
para que não seja afligida a origem do orgasmo.
Enciumado, o galho
desnuda as pétalas sexuais do poema
e em oposição à mortificação do adeus,
esparge um bálsamo inodoro;
sopra uma lôbrega ilusão.

© Benny Franklin

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informações

Autoria
Benny Franklin
Ficha técnica
Poesia Bennyana

Fotografia: "Oleg Duryagin", astro russo da fotografia mundial que gentilmente autorizou-me a usar as suas instigantes fotografias nas postagens dos meus poemas.
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+ comentar
Doroni Hilgenberg
 

Beny,
forte, seu poema nos remete a um caos onde mazelas
sobrevivem a custa de ilusões passageiras e de poemas
que transcendem o sentido das palavras.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 4/4/2009 14:22
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Rangel Castilho
 

Salve, Benny!

Alguém tem que andar esses ritos da palavra.
O saber o gosto do avesso do ponto final.

Abraço Pantaneiro.



Rangel Castilho · Anastácio, MS 5/4/2009 19:54
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Ivan Cezar
 

" Alguém tem de caber em flancos natimortos."
- Perfeito poeta Benny !
Mais um trabalho diferenciado
Poesia seleta para público seleto.
Parabéns !

Ivan Cezar · São Sepé, RS 5/4/2009 23:23
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Cintia Thome
 

Uma rota 66
E vivas a Você!

OS HF

Cintia Thome · São Paulo, SP 6/4/2009 11:18
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Doroni Hilgenberg
 

Voltando
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 6/4/2009 19:47
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graça grauna
 

Continue a nos oferecer sua poesia. Parabens, bjos e votos.

graça grauna · Recife, PE 6/4/2009 19:48
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Cláudia Campello
 

Nossa......isso é sentir toda a magia
que envolve a arte de amar... ovulando-se de poesia.
ahhhhhh poeta, continue desnudando o saber
as sensações que ela........só ela...bendita poesia nos da.
... nádegas......colo.....boca..........sangue... vida... morte......cura......ilusão......tudo tudo tudo.

adorei demaissssssssss

bjsssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 7/4/2009 06:31
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Juliaura
 

o meio-fio da calçada alcança
já o fio da navalha encarnada

Juliaura · Porto Alegre, RS 9/4/2009 10:30
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Falcão S.R
 

Benny,

Um mergulho profundo nas mazelas da vida.

Abraços

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 9/4/2009 15:08
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Pedro Monteiro
 

Benny.
É a fámina dos versos cortantes, agindo como uma verdadeira facãozada.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 10/4/2009 20:53
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menina_flor
 

Olá Benny,
Que prazer em conhecer o seu trabalho.
Belo texto em toda a sua intensidade.
Gostei!
Parabéns!
Sucesso!
Com carinho,
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 17/4/2009 16:40
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Lili_Beth*
 

Olá Benny!

Vagando na metáfora dos ventos
despe qualquer paramento
e escarra o veneno que corrói
...
Bravos!
Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 21/4/2009 01:16
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