insuficiente brisa leve bate em
sufocados bilhetes de despedida
promiscuamente alcandorados entre
vãos de blocos obscenos na parede
reticentes, autofagidos,
contaminados de si mesmos,
imanifestosamente prolixos
ruidosamente calados
indiferentes ao horizonte imenso
o sentido em suspenso de um
cosmo apequenado, decadente
- lembranças tormentosas noite adentro
como nada a partilhar houvessem
impelidos sufragar assentidas conversas,
misteriosas impressões de um mundo ausente
debeladas pelo amor
faltou em seus iguais
em um sonho estranho sentia meu corpo pendurado na corda - sem sentir dores fÃsicas, como se pressupõe aos mortos -, percebi vários estranhos bilhetes pendurados em meu corpo e alguns outros à distância dele, outros pendurados pela parede.
em minha rápida avaliação percebi cada um era destinado a uma pessoa com um recado especÃfico e, os pendurados em meu corpo destinados à s pessoa mais queridas.
para aumentar o teor da confusão também compredi havia um x vermelho em minha testa.
toda esta sensação, o sonho, aconteceu logo após receber a notÃcia de sucÃdio de uma pessoa que nem pessoalmente conhecia.
acordei com alguns trechos escritos na cabeça, tomei nota e demorei um caminhão pra resolver este poema; gosto das coisas mais espontâneas, porém era algo a ser feito, terminado.
desculpem se alguns se impressionaram, mas precisava desabafar com alguém. Houver um médico entre nós que fique à vontade para avaliar-me.
abç a todos,
camacho
Você é um canalha!
E eu aqui me achando o único abarroucado do recinto.
"imanifestosamente prolixos". Tai uma definição que eu estava precisando para me referir a uma garota com quem tenho trocado e-mails (peço perdão por tirar o verso totalmente de contexto, mas ele é um achado).
Eu quase não gosto de nenhuma poeta (sei que vou ser criticado até a morte por conta disso pelas femistas de plantão que adoram ver tendências de machismo radical até no modo como um sujeito escova os dentes, mesmo que a escova de dentes seja cor de rosa) mas encontrei uma, polonesa, ganhadora do Nobel de 93 aliás, que se chama Wislawa Szymborska e que escreveu um poema de nome "Quarto do suicÃda".
Bixo, você tem que ler (como diriam os teus amigos, fontes não fiáveis de referências literárias).
Este teu texto me causou uma sensação parecida com a que senti quando li o poema de Wislawa: desconforto misturado com enfastio.
Isso é uma coisa rara. A maior parte dos que se aventuram neste tema sempre são monótonos e sem brilho. Parece apenas que estão cumprindo uma obrigação caseira. Embora você diga preferir as explosões espontâneas, este não ficou com cara de receita de bolo.
Isso sem falar que é difÃcil pra cacete alcançar este tipo de efeito usando tantos advérbios próximos de adjetivos como você fez. Acho que foi isso que me causou esse mal-estar estranho, que foi amplificado pelos efeitos da ressaca.
Em resumo: o teu texto me deixou pior do que eu já estava. Não pela intensidade dele, mas justamente pelo contrário. Porque ele é leve que machuca mais.
Obrigado por isso.
porra Sujeito, vou falar o que depois de tudo isso?! obrigado pelos elogiosos ...
gostei do poema da polonesa - trás o desconforto que espero do mundo encantado dos poetas.
esse negóço de poesia só tratar de beleza ou de amorezinhos incipientes é no mÃnimo falta de respeito com a história da literatura. os árabes de antes do século XI qe nos digam.
respeito com um universo interior rico e personalÃssimo, cheio de coisas a buscar e descobrir. É o que aproxima a poesia das grandes avaliações filosóficas. Acho que é isso.
"Leve que machuca mais" é otimo; o cacete usado com a elegânça dele esperada.
Obrigado pela visita e referência da polonesa suicida.
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