Em linhas tortas, assim despertou o Nazismo. A idéia de nacionalidade alemã é levada adiante à flor da pele por esta pioneira do cinema alemão que inspirou outros diretores devido às suas inovações estéticas.
A diretora retrata na pelÃcula, a união de forças civis e militares do povo alemão, numa esplêndida visão de progresso. Desta forma, destaca Adolf Hitler como lÃder absoluto, tendo uma figura de comandante todo poderoso e carismático, capaz de reavivar a economia alemã, afetada pela derrota na Primeira Grande Guerra e pela crise de 1929, bem como acender uma chama de patriotismo no coração da população.
Lenà cria desta forma, uma grande fonte de inspiração para o orgulho nacional, através de seus discursos e de seus oficiais do Exército. O filme transmite a impressão de supremacia, invencibilidade do Exército, instituição capaz de levá-los à Glória, transformando a Alemanha em uma grande nação.
Lenà Riefenstahl mostra sequências de discursos de personalidades do Exécito alemão que proferem palavras instigantes para incentivar o povo a se engajar na luta por uma nação melhor e para que juntos, transformassem a Alemanha no melhor paÃs do mundo. Em forma de estÃmulos, aparecem dizeres com o objetivo de aumentar o moral do paÃs, ou seja, a auto estima de seu povo, lembrando a todos que possuÃam o sangue puro e forte.
Um dos momentos mais intensos do filme se dá quando Hitler afirma aos jovens: "vocês são sangue de meu sangue" apregoando que juntos formavam uma só vontade.
Isto certamente inseriu estÃmulos nos ouvintes, pois Hitler era muito admirado por eles. Adolf mais do que um lÃder dos homens, transforma-se em mais um deles, numa sinergia absurdamente bem construÃda pelas lentes da cineasta.
Em falas que promoviam o orgulho de soldados, apesar de vários discursos imperativos, soavam também em forma de apelo, como por exemplo, em mensagens encaminhadas à imprensa alemã e do mundo para que falassem sempre bem a cerca do paÃs e para que continuamente fossem destacados em forma de notÃcia.
A famosa frase: "Uma imagem vale mais do que mil palavras" foi dita pelo Goebbels, Ministro da Propaganda Nazista, que idealizou e batalhou por este projeto fÃlmico.
"O Triunfo da Vontade" demonstra o ápice de poder a ser alcançado pelo homem, a concretização de um sonho e o poder da criação.
O Triunfo da Vontade é um aterrorizante registro histórico, maravilhosamente bem produzido, se avaliarmos o aparato técnico da década de trinta. Algumas imagens aéreas foram realizadas de forma muito estável mostrando a chegada de Hitler ao local dos discursos como se fosse um Deus.
Este filme pode ser batante útil para repensarmos as sociedades e para refletirmos sobre os horrores da humanidade.
Não podemos fechar os olhos para o que é feio e assustador, mas sim deitarmos um olhar crÃtico e a partir disto, atuarmos livremente para que cenas assim, tão surreais aos olhares de um jovem da atualidade não mais se repitam. Assitindo ao Triunfo da Vontade, certas cenas grotescas de nosso cotidiano tornam-se mais perceptÃveis e portanto, menos banais.
Decidi escrever este artigo para tratar de um filme pouco conhecido integralmente. Muito se vê em trechos editados algumas imagens fantásticas da organização nazista, mas muitas pessoas jovens não conhecem o panorama histórico e tomam aquelas imagens fantasmagóricas como sendo uma espécie de pseudo-ficção.
Outro fato interessante é o de ter sido uma mulher quem dirigiu o filme que deu força aos ideais de Hitler.
Breve biografia de Leni Riefenstahl:
Berta Helene Amalie "Leni" Riefenstahl (22 de agosto de 1902 - 8 de setembro de 2003) foi uma cineasta alemã da era nazista, renomada por sua estética. Suas obras mais famosas são os filmes de propaganda que ela realizou para o Partido Nazista alemão. Submetida ao ostracismo na indústria cinematográfia após a guerra, ela se tornou uma fotógrafa e mergulhadora. - Fonte: Wikipedia.
Caramaba!!! impressionante essa imagem!
Belo trabalho!
meus votos e meu carinho!
Drigo, concordo com seu texto, porém cabe lembrar que Leni Riefenstahl, além de produtora era uma cineasta e fotógrafa genial, não só para sua época (1934), ainda hoje seus planos seqüência são soberbos.
Parabéns!
gostei muito.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 17/7/2008 22:22
Rodrigo, muito interessante essa sua ótica de observação.
Vou pesquisar a respeito.
Abs
beto
Soberbo.
Afoice
Digo, onde conseguiu o filme? Estou à procura dele. Fiz um trabalho sobre um texto de Benjamin em que ele fala da estetização da polÃtica como caracterÃstica do fascismo (leu o texto "a obra de arte na era da reprodutibilidade técnica"?). Esse filme é lindo e, por meio dele, a gente até pode perceber -embora seja difÃcil entender - como o povo alemão entrou nessa do nazismo.
abraços
O grotesco de nosso cotidiano...
Precisamos falar mais sobre isso.
Somos todos cegos e ridÃculos!
E quem fala disso é mal visto...
Grande trabalho, drigo! Até!
Grande abraço e parabéns pela matéria, de fato não podemos nos esquivar dos perÃodos negros da História, outrossim, olharmos de frente o caminhar de nossa humanidade.
Marcos Paulo Carlito · , MS 18/7/2008 13:11Deitarmos um olhar crÃtico à la Karl Popper. Muito bom.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 18/7/2008 15:19
Caro Igor. Estou contigo. Uma das formas odiosas da demagogia é apontar Hitler como "o" Mal Absoluto. Depois dele só mesmo o Dilúvio. Despejar bombas incendiárias sobre populações civis, algo proibido por tratados internacionais, como feito no Vietnã e no LÃbano, é tão "holocausto" (isto é, "queima total") como o que os nazistas fizeram com negros, ciganos, aleijados, homossexuais e judeus. Quem esquece fatos históricos corre o risco de repeti-los.
Circus do Suannes · São Paulo, SP 18/7/2008 17:51Drigo, existem elementos da história que nos é impossÃvel apagar...
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 19/7/2008 11:54
Belo trabalho Rodrigo
Consciente e critico.
Parabéns!
Igor, realmente quem fala disto é mal visto. Não tive receio, falei o que achei que poderia falar, sem ofender a ninguém. Bea, realmente ela era uma boa fotógrafa e até mergulhadora. Será que realizou alguma fotografia submarina? Suannes, valeu por comentar dos acontecimentos no Vietnã e no LÃbano. Valiosa comparação! Obrigado por terem lido e por terem voltado para votar. Beijos e abraços!
drigo · Belo Horizonte, MG 22/9/2008 04:36Ah! Ilha: a estetização da polÃtica como caracterÃstica do fascismo realmente foi uma estratégia abordada, como se vê. Um lance polêmico é justamente este, até que ponto isto foi feito de forma consciente ou não pela Cineasta. A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica é fantástico, esclarecedor e ainda muito atual. O filme pode ser achado em lojas online, não é tão difÃcil quanto parece. Beijos!
drigo · Belo Horizonte, MG 22/9/2008 04:41Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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