Lima Barreto (1881-1922) e a reedição dos "salões literários"

Capa do livro
1
Ize · Rio de Janeiro, RJ
22/8/2007 · 207 · 43
 


Recebi dia desses um telefonema inusitado.
Era uma moça, simpática e bem falante, me convidando para discorrer sobre literatura para um grupo de senhoras interessadas na questão. Levei um certo susto e, também amavelmente, retruquei que não sabia falar sobre literatura. Que eu lia muito, que tinha uma relação legal com a literatura, mas que não sabia falar sobre ela. A moça insistiu, dizendo que meu nome tinha sido indicado por alguém que já tinha estado lá falando sobre Guimarães Rosa...E que a demanda das senhoras não era bem que eu falasse sobre a literatura de uma maneira geral, mas que eu focalizasse um autor, destrinchando sua vida e obra. Disse-me que estavam precisando muito saber sobre Machado de Assis, se eu não podia fazer esse favor. Perguntei pros meus botões porque seria que, ao invés de ouvirem falar dele, não se agarravam com ele, levando-o até pra cama.

Nem bem acabara meu pensamento, a voz agradável do outro lado me explicou que as senhoras em questão não tinham mais paciência para ficar atracadas em livros, mas que tinham todo interesse em conhecer os literatos brasileiros, e que esse era um pretexto nobre para elas se reunirem mensalmente e estreitarem os vínculos de amizade. Ah! e que eu estava convidada para participar, depois da palestra, da mesa com que se fartavam de comes e bebes (afinal, a gente não quer só diversão e arte).

O pretexto não me soou convidativo porque vivo fazendo regime, mas minha dificuldade de dizer não e a lenga-lenga da moça que não combinava com os ponteiros do relógio que me avisavam que já era tarde, muito tarde...amoleceram minha recusa inicial.

“Mas, sobre Machado de Assis é impossível”, disse eu esperando que ela desistisse de uma leitora tão fuleira. “Se interessar, posso dar uma palinha sobre Lima Barreto”.

“Sobre quem?”, perguntou ela entre curiosa e decepcionada. “Sobre Lima Barreto, um pré-modernista, que escreveu o clássico Triste Fim de Policarpo Quaresma”, disse eu, fazendo-me de importante, já tomada em brios pelo desconhecimento que ela manifestava do meu Lima.

“Pois vá lá, serve esse”, capitulou a moça que devia estar na mão aquele mês, sem ter quem chamar para alimentar de cultura as amigas.

(Continuação no download)

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informações

Autoria
IZE
Ficha técnica
Apresento aqui o relato de uma experiência que vivi e que me dá o pretexto de iniciar uma conversa sobre o que aprendi com Lima Barreto com sua concepção de literatura. A fotografia que ilustra o relato traz a capa do livro "O Rio de Janeiro de Lima Barreto", organizado por Affonso Carlos Marques dos Santos e editado pela RIOARTE em 1983.
A referência bibliográfica da única citação usada no relato é:
LIMA BARRETO, Afonso Henriques de. Marginália. São Paulo: Brasiliense, 1956.
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crispinga
 

Vou voltar , arquivar, votar e ler com muita calam essa bela história!
Agradecida, querida Mestra!
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 20/8/2007 21:08
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crispinga
 

Calma...rsrs

crispinga · Nova Friburgo, RJ 20/8/2007 21:09
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Cintia Thome
 

Ize
Ué????rs eu postei..deveria ser a "primeira" rs.tenho certeza...Foi perdido??? sei lá!
Achei o fim as mocinhas : "serve esse..."

Volto para votar...

Cintia Thome · São Paulo, SP 20/8/2007 21:17
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Adroaldo Bauer
 

Ize, Ize, Ize,
O que fizestes, se não foi verídico é uma fantástica criação e louvo não só a narativa entusiasmada que põe Lima, teu Lima, nosso Lima Barreto em um lugar que é dele.
O de escritor para quem a Literatura tinha esse elezinho aí maiúsculo.
Que pensaria Lima Barreto de lá ter sido levado?
Bem, as pessoas que lêem fazem o que devem com seus preferidos.
Não estará ele contrariado, de modo algum, penso, posto que lá se o reconhceu enquanto escritor como foi, sem panegírico algum além de uma boa verve de narradora e um, digamos assim, "pretinho básico", como convém aos que apresentarão outrem, como manda o protocolo e o cerimonial.
Lá o que era? Era casa de gente?
Aí o recurso tem de ser mais firme: em O que fazer? Lênin responde a jovens que indagam a quem levar a mensagem do Partido que essa deve chegar a todos os salões, que a boa nova da revolução, para merecer esse nome, não deve ficar restrita aos salões operários, que da vida operária os proletários sabem tudo quase decorado. Inclusive aos salões da nobreza, insistia Vladimir.
Do teu escrito.
Quando escrevi três vezes teu nome aí em cima, quis dizer belo. belo, belo ou, bravo, bravo, bravo.
Mas nada disso importa, porque todas as pessoas aqui sabem que sou teu fã de carteirinha número 1.
E ai que venhas dizer-me que há outros de mesmo número, no máximo outras.
E também cito aqui algo que considero pertinente, que Walt Whitman escreveu para ti, especialmente por essa circunstância que vivestes ou criastes, que será ao fim e ao cabo a mesma coisa, dado que vida é:
Lições mais duras
Só aprenderam lições daqueles
que admiravam vocês
e eram ternos com vocês
e que se punham de lado
para dar vez a vocês?
Não aprenderam as grandes lições
daqueles que não aceitam vocês
e dão-se os braços contra vocês
e que tratam vocês com pouco-caso
ou que disputam a vez com vocês?


Também tive uma conversa recentíssima com um círculo de senhoras, com chá e bolinhos, sendo a diferença do teu encontro que se deu com pessoas que também escrevem, além de que lêem, e não tinha champã, o que foi uma lástima para mim, porque fazia um frio de renguear cusco. Postei uma pequena nota sobre o episódio nesse linque aqui.
Terno abraço, amiga.
Renovo os parabéns e continuo aplaudindo.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 20/8/2007 21:32
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Ize
 

Doce e linda Cris, vc é que é mestra na arte de seduzir seus leitores com sacis e gatas.
Um dia ainda aprendo com vc a botar criancice na minha escrita.
Beeeeijo
Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 20/8/2007 21:42
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Ize
 

Cintia, que põe fogo ni mim, como diz a Juli, ser a segunda não é tão ruim assim rsrsrsrsr Depois lê esse comentário aí embaixo do Adro e vê pq eu não fiquei com raiva das "mocinhas".
Ao fim e ao cabo, a coisa serviu pro que eu queria.
Beiiiiiijos
da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 20/8/2007 21:45
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Spírito Santo
 

Ize,

Pouco a dizer depois do que disse o Adroaldo (que rápido e serelepe, quer me furtar a minha carteirinha número 1 - Avisa pra ele, de quem é a glória da número 1, avisa!)
Belo texto. bela reflexão e, que finura de gente que você é, aturando as madames (Bovaryanas, ou mesmo doidivanas, diria o Lima). Eu, incauto que sou, iria, mas, logo, explodiria de sarcasmos engulidos, não, não iria, se fosse, estragaria o sarau das moças.
O que não fazemos por amor às letras vivas.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 20/8/2007 21:55
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Juliaura
 

Um Lima
Dois Machados, um de Assis outro Dionélio
Um Cruz e Souza
Misturando bem com um João Antônio
Pega um Rosa,
Hummmmmmm.
gostosíssimo.
Faltou Bilac?
Bem, serve com conhaque.
Inda põe ums loiras pro Paulinho da viola e o Tom Zé, o mané!, sem esquecer Bezerra e Gil.
Ize, e nem inventastes essa história mesmo.
Enfrentastes na cara e coragem?
Eita mulherão, sô!
Beijin di fanzin

Juliaura · Porto Alegre, RS 20/8/2007 21:58
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Ize
 

Adro, Adro, Adro,
o que eu poderia querer mais, do que escrever para ser assim comentada. Lembra daquela nossa conversa sobre Sherazade?
Sobre o relato, ele é verídico MESMO!!! Aconteceu, e eu não contei da missa a metade. E foi em casa de gente sim, e, no final, deu tudo certo, como previa Lênin (cujo recado adorei) e como tão bem mostra Whitman (nossa, vc pega pesado, hein gaucho!!!).
Mas olha que vc, com esse seu comentário, faz de mim pecadora contumaz (estou me sentindo!!! Sou puro orgulho).
E vc acha que já não li sua conversa com o círculo de senhoras? Pois foi ela que me inspirou a escrever a experiência com as minhas senhoras. A inspiração veio tão brusca que não tive nem tempo de deixar lá um recado. Vou voltar lá.
Por fim, sobre vc ser meu fã de carteirinha nº 1 rsrsrsrsrsrs, estamos combinados, eu digo amém a isso, desde que eu tb possa merecer o título de sua fã de carteirinha nº 1.
Beijo da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 20/8/2007 22:04
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Ize
 

rsrsrsrsrsrrsr Ai como a gente se diverte aqui!!! Spirito, tá vendo no que que dá chegar atrasado? E agora? Já disse amém pro Adroaldo, se desdigo, vou pro inferno. Vc quer me ver lá?
Sabe o que me salva nessas horas? É o humor que me invade, que toma conta de mim e me faz ser a mais irreverente das criaturas (essa parte eu não contei). É que sendo anti-oficial, o riso pode tudo (como o choro tb, que eu tb lanço mão dele qdo é preciso). Já imaginou se eu tivesse botado cara de maus bofes? As senhorinhas teriam odiado Lima Barreto e eu me odiaria por isso.
Bj pra vc nº 2 rsrsrsrsrsrrs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 20/8/2007 22:22
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Ize
 

Juli amada, essa sua mistura é de botar água na boca. Queria colocar todos no liquidificador, bater com vodka e beber devagarinho, só sentindo o gostinho. Até Bilac entraria. Lima Barreto não gostava muito dele não, mas lá no fundinho, quem sabe se alguma coisa escapava...Como esse "Beijo Eterno"

"Foste o beijo melhor da minha vida
Ou talvez o pior...Glória e tormento,
Contigo à luz subi do firmamento,
Contigo fui pela infernal descida!"

Mario de Andrade que, obviamente, achava que Bilac poderia ter "clangorado" menos em sesu versos, dizia que a sensualidade de Bilac chegava a ser cinematográfica.
"Como sentirão certas meninas [que sabem de cor todas as poesias de Olavo Bilac] Beijo Eterno? Ora! Naturalmente como assistem a certas fitas. O dia seguinte é domingo...Vai-se à missa, de livro em punho; talvez mesmo o terço de prata...Mas os olhos quebrados, os membros derreados..."

Por isso, Lima desculparia a mim que tb fico derreada com Beijo Eterno e a vc que botou Bilac nessa caipivodka
Beijo eterno pra vc

Ize · Rio de Janeiro, RJ 20/8/2007 22:44
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Benny Franklin
 

Ize, querida,
É por isso que cada escritor daqui do Over têm o seu real valor. Depoimentos como o seu - além de engrandecer a cultura brasileira - põe em evidencia fatos que em geral são restritos às pessoas que conviveram o evento. Você está de parabéns, Mestra!
Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 20/8/2007 22:54
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Frazao my brother
 

Ize,
A sua bela crônica dispensa comentários! Não apenas pelo conteúdo descrito em memória do co-irmão de Machado, o grande nacionalista mulato Lima Barreto; mas, sobretudo, pela forma agradável da narrativa, que você tece romanceando com maestria na sua maravilhosa viagem à Belle Époque carioca.
Nem me dei conta dos dengos das madames nefelibatas (de hoje ou de outrora) a quem você revela as virtudes socialistas, patrióticas e literárias do nosso satírico e gigante escritor, porque o Pão de Açúcar em que você se agarra pela janela foi no que, também, me agarrei.
Nessa hora, vi o próprio Lima incorporar em você, com o mesmo estilo, dizendo: a cidade mora em mim e eu nela, exaltando a pátria e a ética, cuspindo do bar a burra elite burguesa, como faz no país fantasioso de Os bruzundangas.
Eu nunca me acostumei com a idéia de que a literatura deve priorizar a arte pela arte; ela precisa ter uma função social agregada. Porque também sonho, como você e o Lima, com um Brasil justo, solidário, igual para todos, com respeito aos homens às culturas, pois o próprio LB pregava: A literatura tem a função da solidariedade que é de unir os homens.
Como disse, professora, não carece comentar mais. A sua lição está clara e deliciosa, muito mais que os comes e bebes da conferência do seu inusitado salão literário.
Parabéns.

Frazao my brother · Anastácio, MS 21/8/2007 00:00
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Ize
 

Benny, é verdade o que vc diz. Todos aqui têm tanto mérito que é por isso que a escrita anda pra valer. Ler vc e todos os outros e outras que leio avidamente têm botado minha escrita pra requebrar.
Estou amando!!!
Mto obrigada por me inspirar...Só queria aprender a escrever versos...
Beijos da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 21/8/2007 00:46
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Ize
 

Frazão querido, a coisa tá esquentando. Estou com ciúmes... Vc conhece Lima Barreto tanto quanto eu rsrsrsrsrsrsr Podia ficar aqui horas conversando, mas como já está tarde (ontem peguei de enfiada esse relato até às quatro da manhã) deixamos a conversa pra depois. Mas deixo aqui pra vc, que considera que arte precisa ter uma função social agregada, um presente tirado de Clara dos Anjos, aqui bem ao alcance da minhas mãos:
" [...] Fui poeta, só poeta! Por isso nada tenho e nada me deram. Se tivesse feito alambicados jeitosos, colchas de retalhos de sedas da China ou da Japão, talvez fosse embaixador ou ministro; mas fiz o que a dor me imaginou e a mágoa me ditou. A saudade escreveu e eu translado, disse Camões; e eu transladei, nos meus versos, a dor, a mágoa, o sonho que as muitas gerações que resumo escreveram com sangue e lágrimas, no sangue que me corre nas veias. Quem sente isso, pode vender versos? "
Não é lindo?
Muito obrigada pelo significativo comentário
Um beijo
PS Essa questão da arte pela arte eu gostaria muito de continuar discutindo. Às vezes penso como vc, tendendo a achar que arte precisa sempre ser engajada polticamente. Mas às vezes tendo a achar ou a sentir que, mesmo não engajada, a arte tem a incrível propriedade de produzir estesia que mexe e remexe com a gente.
Vc não acha que entre a estetização e a estética tem uma grande distãncia?
Nossa! estou eu aqui filosofando a essa hora da manhã.
Vc já deve estar dormindo, mas de qualquer maneira, Boa noite.

Ize · Rio de Janeiro, RJ 21/8/2007 01:36
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Humberto Firmo
 

Agora, aqui estou enrolado pra falar, não do Lima, mas, de você:
Minha Rubem Braga de saias.

Ainda bem que você optou pelo Lima. Machado é complicado:
Geralmente as pessoas sabem alguma coisa da obra ou sobre ele; e,
ficar exposto a uma pergunta capciosa ou paradoxal é sinônimo
de algum deslize ou perna bamba.

Tua narrativa é deliciosa, comparei você ao Rubem justamente por essa coisa da leitura solta, descontraída e muito bem escrita.

Imaginei-me descendo do táxi contigo, encarando o “Lord” e sorrindo por dentro.
A espera na portaria... o ”Miss Lexotan” seis miligramas, a vela acesa.
Tudo perfeito para uma dose de uísque antes, na próxima, leva aquela garrafinha de metal executiva.

O Raul tem uma letra que diz assim:
“A arapuca está armada E não adianta de fora protestar. Quando se quer entrar Num buraco de rato De rato você tem que transar ...”
Caiu como uma luva, né?

Você segurando a foto até o fim é a imagem que me marcou.
Ainda vejo você ali, segurando a foto, como se fosse um santinho abençoado, um patuá consagrado, um amuleto contra mal olhado. Sustentando a atmosfera do lugar.

Bem, no mesmo embalo, agora é voltar ao salão e falar do João do Rio pras mocinhas.

Beijos!!!

ps.:
“Pois vá lá, serve esse” Isso foi hilário. Adorei.
Em “serve esse” cabe todo mundo, sem distinção de raça, região, credo.
Bem democrático, apesar de carregar um que de preconceito.

Humberto Firmo · Brasília, DF 21/8/2007 08:29
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Nivaldo Lemos
 

Ize,

conhecendo-a de pouco e de alguns textos maravilhosos, posso jurar que seu convite foi pra me matar de inveja, de uma linda e deliciosa inveja. Sua crônica tem a elegância, o bom humor, a honestidade e a delicadeza dos artífices da escrita, o que só os mestres logram conquistar – e o que há muito persigo em vão. Seu panegírico me comoveu em especial pelo tema – fui criado à vista da mesma coleção de Lima Barreto, que meu pai amava, mas do qual (sei lá por quê) li apenas Clara dos Anjos e Os Bruzundangas. E reencontrando-o agora me arrependo e me penitencio.

Seu texto primoroso levou-me literalmente às lágrimas, pela beleza (que a mim sempre emociona), lavando-me a alma e evocando-me um sorriso de prazer incontido que, em parte, purga um pouco a culpa por não ter sido na juventude mais atenciosos com o autor.

Pelo que senti ao lê-la, compreendo a reação das velhinhas e com elas compartilho as palmas e – se possível fosse – o faria também com a alegria de reencontrar em sua crônica a alma do velho Lima, ainda fervorosa e indignada. Um primor de texto, para o qual não arrisco adjetivos por insuficientes que seriam. E apenas me extasio, como discípulo humilde que almeja um dia a perfeição da mestra. Obrigado por escrever, Ize.

Um abraço.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 21/8/2007 11:28
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Frazao my brother
 

Ize, obrigado pela oferenda providencial de Leonardo, em Clara dos Anjos, e também pela sua resposta sensata ao meu comentário. Você escreve tão bem quanto filosofa. Certamente, pela sua grande reputação beletrista que nos inebria de prazer, deve ter livros publicados; se não os tiver, é porque algo de errado se passa no mundo editorial carioca.
Mas reitero, à guisa de esclarecimento, que quando defendo o papel social da arte, faço-o com o devido zelo e não digo que ela deva SEMPRE ter esse papel; penso que ela PODE exercer tal função (assim como LB usa a literatura para alfinetar as mazelas da sociedade da época, a despeito do seu próprio vício).
Literatura de verdade é a arte traduzida em palavras. E com tamanha responsabilidade e representatividade ela nunca deve tornar-se serviçal, mas às vezes um elemento importante capaz de influenciar e transformar o indivíduo, grupos ou a sociedade, de maneira despreocupada ou intencionalmente, nem tanto omissa.
Como se sabe, a obra de arte é autônoma e serve mais ao espírito da estética (enquanto ciência do sensível) do que à estetização da realidade, mas o “intocável” irreal artístico sempre soa para nós como proposta de uma nova e boa realidade.
Na arte popular vejo, por exemplo, a essência política do rap atuando como crítica social, assim como vejo a estetização da violência como produto cobiçado da indústria midiática e cinematográfica no submundo da comunicação capitalista.
...E nós, aqui, professora, tirando tempo não se sabe de onde, para construir uma comunicação diferente, com essa plêiade de escritores, poetas e sonhadores do overmundo em busca de um mundo “over” através da arte.
Um abraço, Ize, e que o nosso sonho se realize.

Frazao my brother · Anastácio, MS 21/8/2007 12:18
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Maria G
 

Ize, adorei o texto, aliás como sempre. Passo os olhos acima e vejo que os companheiros tb adoraram. Espero entrar na fila de votação para humildemente dar o meu voto.
Beijos carinhosos

Maria G · Brasília, DF 21/8/2007 13:38
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Lígia Saavedra
 

Ize, querida.
O que mais dizer-te depois de todos esses elogiosos comentários técnicos e carinhosos?
Que amei o texto e que agora entendo mais de Lima Barreto que antes. Ah! e também de Ize.
Bjs

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 21/8/2007 18:38
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Ize
 

Humberto adoro seus comentários sagazes, cheios de humor.
Vc acompanhou direitinho as contradições dessa experiência que vivi e a resumiu muito adequadamente quando virou do avesso aquele "serve esse", subvertendo seu sentido.
São essas brechas das palavras que nos permitem entrar no universo do outro e deixar que o universo do outro penetre em nós. Essa pra mim é a possibilidade que temos de, em semeando a palavra, construir sonhos coletivos. Como dizia nosso Raul: "Sonho que se sonha só é só um sonho, sonho que sonha junto é realidade"
Não sou viciada em Lexotan, mas que lanço mão de um quarto de comprimido de 3 mg , isso é verdade. Eles já estão todos partidinhos dentro de uma caixinha que fica dentro da bolsa: acho que o efeito é mais psicológico, mas sempre dá certo rsrsrsrs. É raro que eu tenha acessos de fúria (que às vezes até ocorrem) pq minha máxima é que pra ganhar um interlocutor a ternura, a sedução e o humor (sempre ele) são sempre os melhores ingredientes.

Bjs pra vc

Ize · Rio de Janeiro, RJ 21/8/2007 22:47
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Ize
 

Nivaldo, Nivaldo, juro que minha intenção não foi a de causar inveja em vc. Mas se foi pra instigar vc a retomar os livros de Lima que ficavam na estante de seu pai, valeu tudo. Quem sabe vc não encontra neles anotações às margens das páginas (Marginália de Lima tinha esse sentido) feitas por seu pai. À propósito, existe algo melhor do que pegar um livro anotado? Tive essa experiência com Baú de Ossos, de Pedro Nava, que eu mesma dei de presente a meu pai, e que voltou pra mim depois que ele morreu.
Vindos de quem vêm, seus elogios me envaidecem (e me dá até uma moleza gostosa quando vc se diz meu "discípulo humilde"). Como "não sou virtuosa" rsrsrsrs aceito-os de bom grado pq faz bem para o ego.
Mas vamos fazer um pacto? De sermos mestres um do outro. Assim, realimentamos nossas leituras e escritas e selamos nossa amizade.
Um grande abraço da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 21/8/2007 23:24
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Ize
 

Frazão, fui lá no seu perfil buscar a origem de tanta sabedoria. Nossa, como é possível, em tão poucas palavras, dizer coisas tão pertinentes sobre a arte? Quando vi lá que vc é autor de romances ficou tudo explicado. Eu, justamente, preciso da arte pq não escrevo romances; minhas publicações são de outra ordem, muito menos nobres. Fecho com tudo o que vc disse. Sobre a não servilidade da arte, lembro-me de um texto maravilhoso de Mario Pedrosa em que ele diz que enxergava na "gratuidade" da arte a possibilidade dela se constituir como resistência à barbárie, comparando o artista ao bicho-da-seda que secreta a própria substância independentemente de seu valor de mercadoria, tão só pelo prazer de doar-se. Lindo, não é?
E já estou eu aqui entrando pela madrugada: infelizmente é dela que vem o tempo que tiro pra conversar sobre o que gosto com vcs, de quem eu gosto muito.
Grande abraço pra vc

Ize · Rio de Janeiro, RJ 22/8/2007 00:08
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Ize
 

Maria, seu comentário tem pra mim o cheiro, o gosto, a cor, o som e a textura do amor que tem a duração do infinito. Quando vc demora, fico inquieta: "Papai cadê Maria, Maria foi passear, os passeios de Maria faz papai, mamãe chorar".
Bjo grande, cheio de saudade

Ize · Rio de Janeiro, RJ 22/8/2007 00:19
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Ize
 

Querida, eu também cada vez conheço mais de Ligia. Hoje, eu quase chorei, depois cheguei aqui e encontrei sua convocação para que eu sorrisse e seguisse. É assim vc - inspiração para que caminhemos.
Bj

Ize · Rio de Janeiro, RJ 22/8/2007 00:30
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Maria G
 

Ize querida,
Não fique inquieta!!!!
Eu me lembro que quando ouvia essa canção da Maria que fazia papai e mamãe chorar eu imaginava sempre que Maria ia ido fazer coisas deliciosas. Naquele tempo era muito pequena e não sabia que coisas eram estas, mas tinha certeza que deviam ser proibidas e portanto saborosas.
Beijinhos

Maria G · Brasília, DF 22/8/2007 08:56
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Maria G
 

Esqueci de comentar, daqui a 7 horas Lima entra em votação. Prometo que... Maria não vai passear..........
Mais beijinhos

Maria G · Brasília, DF 22/8/2007 08:58
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Ize
 

Queridas e queridos leitores, aproveito esse recado aí da Maria, que prometeu que não vai passear qdo o Lima entrar em votação, pra avisar a vcs que estou indo, daqui a pouquinho, viajar por cinco diazinhos. Conto com vcs para virem aqui votar e peço desculpas aos que vierem se, porventura, não conseguir trazer de pronto meu agradecimento. Já estou tão acostumada a ficar viajando por aqui, em companhia de gente tão interessante como vcs , que já chego a ter saudades das nossas conversas. Vou tentar acessar o overmundo lá de fora, mas não sei se o tempo que disporei será coerente com esse mundão de leituras.
Tchau pra vcs, amigas e amigos, e até terça-feira. Na volta conto o que fui fazer.
Bjs cheios de saudades antecipadas da
Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 22/8/2007 12:13
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Maria G
 

Boa Viagem e DIVIRTA-SE
bjs

Maria G · Brasília, DF 22/8/2007 14:09
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Ilhandarilha
 

Vc foi passear e nem vai ver que fui a primeirona a votar aqui!
Como te falei, entre um texto e outro da bibliografia da minha prova, irremediávelmente inóspita, na minha cabeceira está o Lima. Policarpo, para ser mais exata.
Agora com seu texto é que me dei conta de que tem sempre um Lima na minha cabeceira quando tenho que me enfronhar pelo texto acadêmico, meu purgatório. Na última monografia estava lendo O Homem que sabia Javanês e outros contos. Coloco o Lima ali do lado da cama como um lenitivo paras as durezas do caminho que é um texto acadêmicista demais.
E só agora que estou lendo sobre o conceito de exotopia em Bakhtin é que entendo isso: Lima cria a partir de uma situação singular, um personagem singular, um sentido universal, como, aliás, sabem fazer tão bem os grandes escritores.
Policarpo Quaresma não é assim, retato cuspido e escarrado do Brasil e, ao mesmo tempo, do homem universal, que tenta ser íntegro e coerente com suas idéias, chegando à ingenuidade?
Legal também vc contar essa experiência do sarau das senhoras. Hilárias essas velhinhas em busca da sensibilidade perdida!

Ilhandarilha · Vitória, ES 22/8/2007 17:08
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Ilhandarilha
 

h, e quando voltar, dá uma olhada lá na minha cantoria, no guia.
Abraços!

Ilhandarilha · Vitória, ES 22/8/2007 17:14
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Nivaldo Lemos
 

Segundão!

Bjs

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 22/8/2007 17:17
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Cintia Thome
 

Sou a Terceira...07 pontinhos.

Cintia Thome · São Paulo, SP 22/8/2007 17:23
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Humberto Firmo
 

Boa viagem! volta logo, ja estou com saudades!
Nãao esqueça de levar a necessaire: kit dor de cabeça, kit beleza,
kit me segura que eu vou dar um troço!.
beijos, até daqui a 5 dias.

Humberto Firmo · Brasília, DF 22/8/2007 18:32
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Maria G
 

Ize querida,
Lima acaba de entrar na fila de votação e já está com 47votos.
Viva Lima! Viva Ize!
(Viva eu!, Viva tu!, Viva o rabo do tatu!)
Beijinhos, beijinhos

Maria G · Brasília, DF 22/8/2007 19:48
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Ize
 

UAU!!!Acabo de ver que vcs nao esqueceram de mim. Brigadíssima!!!
Pela primeirona, pelo segundao, pela terceira e por todos os outros!!! Humberto tb jà estou com saudades. E náo esqueci nada: os kits estao todos aqui...Tude beijos!!!
Beeeeeijos

Ize · Rio de Janeiro, RJ 23/8/2007 11:14
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Helena Aragão
 

Ize, que beleza de crônica. Li com a expectativa de que as senhoras iriam se redimir (mas não vou falar o que aconteceu pq seria o mesmo que contar o fim de um filme... que façam o download para entender). Homenagem ao Lima não só por ele ser o personagem central, mas também pelo jeito que escreves. Pelo visto você fez um bem danado a essas senhoras - e, se há luz no fim do túnel, "pollyannamente" falando, que bom saber que de alguma forma, ainda que estranha, elas estão interessadas em saber de literatura... Pelo que você conta, consigo imaginar que tenha rolado uma vontade de se atracar aos livros e uma baixa no estoque de obras do Lima na livraria do bairro... Abraço

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 23/8/2007 15:32
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Ize
 

Oi Helena, que bom que vc gostou. Vc viu que no final deu tudo certo, né...Não posso me estender na resposta pq não sei lidar mto bem com esse computador aqui. Estou eecrevendo de Buenos Aires. Vim dar uma descansadinha e, como já previa, não consigo mais viver sem o overmundo.
Bjs e mto obrigada

Ize · Rio de Janeiro, RJ 23/8/2007 19:11
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Tetê Oliveira
 

Ize, assim como Maria, Tetê não foi passear... :-)
Li seu texto ainda na edição e o achei delicioso. Mas me abstive de comentá-lo de pronto (só voltei pra comentar e votar agora quando ele já tá bombando na home!).
Confesso que me senti muito "ignorante" (no sentido de não ter conhecimento) pra entrar na discussão antes e preferi ser uma aluna atenta de todos vcs, sem interromper essa verdadeira aula-seminário, com palavras que não lhe acrescentariam nada. Aprendo muito aqui no Overmundo e adoro isso. E, como boa aluna, peço uma sugestão de iniciante nas artes de Lima: que livro dele devo ler nesse primeiro contato? :-)
Beijos e parabéns a todos vcs. Muito obrigada mesmo.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 23/8/2007 20:58
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Ize
 

Tete querida, nao repare este escrito sem acentos e com erros de digitacao: estou viajando e o computador aqui tem a configuracao diferente da nossa. Muito obrigada por vc ter lido essa espécie de cronica que escrevi ...Deus me livre de vc se sentir "ignorante" pq nao leu Lima Barreto. Depois com calma conto pra vc em que circunstâncias e porque li os dezessete volumes da obra de Lima.
Se vc quiser começar com Triste Fim de Policarpo Quaresma acho uma boa. Mas isso se quiser e tiver com tempo: Nao vá ler nada por "obrigaçao" que aì vc corre o risco de odiar o autor (como aconteceu comigo quando estava no colegio.
Um beijo pra vc e desculpe a demora em responder

Ize · Rio de Janeiro, RJ 25/8/2007 18:53
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Sandra Chaves
 

Adoro Lima Barreto. O mulato cuja história de vida começa bem e termina mal, mas que escreveu como ninguém sobre as mazelas do mundo e sobre preconceito. Como jornalista acho uma obra prima Recordações de Isaías Caminha. Recomendo, entusiasticamente os contos e também as pequenas crônicas que ele publicava em jornal sobre assuntos da cidade. Outro livro que merece destaque é Triste fim de Policarpo Quaresma, uma obra simplesmente incrível!
Espero que se dê o devido valor a esse autor carioca e brasileiro que não é incensado com deveria.

Sandra Chaves · Rio de Janeiro, RJ 24/1/2008 14:19
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Ize
 

Oi Sandra, então compartilhamos dessa admiração, não é? Mas infelizmente acho que nunca a vida deu uma chancezinha a Lima Barreto que, depois da morte da mãe que ele adorava aos seis/sete anos, comeu o pão que o diabo amassou.
Muito obrigada por ter passado por aqui.
Abraço

Ize · Rio de Janeiro, RJ 24/1/2008 15:54
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clara arruda
 

Olá minha querida,dei meu voto.
Comentar?
Quem sou eu para me atrever a macular lindos comentários.
Conte sempre cmigo.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 14/3/2008 16:50
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