Limites e Fronteiras
Aqui coloco os meus limites, me imponho pelo que não sei.
A minha fronteira vai além da ignorância e aquém do meu saber.
O meu espaço é etéreo, o meu muro uma ilusão.
Jogo fora diariamente pilhas e mais pilhas de bulas me dizendo o tempo certo do fazer.
Jogo fora bulas e mais bulas me apontando a direção do sol.
Aqui dentro o meu centro.
Semente de coentro que como junto com os baianos e com os indianos perdidos pelo mundo.
Aqui fora o meu pensamento.
Semente jogada ao vento.
Às vezes estou no dentro sonhando com o fora.
Tem dias que estou fora sonhando com o dentro.
Sou periferia de mim mesmo e centro do universo.
Meu registro de nascimento é periferia ou centro?
O meu diploma, o meu paladar, os meus amigos, a minha poesia, o meu erro de cálculo, o meu cálculo renal, minhas intempéries, minhas noites de amor, o meu mau humor, eu bêbado gritando pra lua, o meu discurso incerto, o meu, o meu, o meu...
Está no centro ou na periferia?
Proponho-lhes um jogo...
O olhar para aquilo que se pode ouvir. O ouvir para aquilo que se pode sentir. O tato para aquilo que se pode comer. Comer aquilo que se pode olhar.
Um Arnaldo me disse:
O seu olhar
Melhora o meu
Uma Lucia sussurrou-me por entre a fresta:
Devorei-te somente no tempo
Para não devorar-te no espaço
Saio em desalinho pelos caminhos mais incertos
Sigo em direção oeste e sei que vou bater no mar
Vou para o leste e sei que vou bater no mar
Quem disse que estamos no Sul?
Quem disse que somos ocidente?
Quem convencionou o nascimento dos pássaros
Quem ovacionou aquilo que veio de dentro da floresta?
Caro Gobira
Eu teria umas duas sugestões de edição, coisa pequena, que não altera a qualidade do poema.
Mas agora já passou a oportunidade.
Gostei muito!!!!! Aliás, eu sempre gostei, não é?
Abraços
Obrigado Cintia. Desculpe-me por não avisá-la com antecedência. beijos
gobira,
Eu gostei do teu poema!
Marluce
Eu gostei muito mesmo.
É um poema que começa meio leve, meio tímidos, como se preparasse o tempo para se instalar e ficar mexendo na cabeça da gente.
É um poema de reler muito e, depois disso, incorporar essas perguntas, praticar a proposta, delirar.
É imenso!
beijos
Obrigado pelas suas palavras Saramar e por doar parte do seu tempo para ler o texto. beijos
gobira^ · Belo Horizonte, MG 17/5/2007 22:46
Sensasional o teu trabalho, Gobira. Meus sinceros aplausos.
Carlos Magno.
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