Sua língua provoca a minha.
Mistura-se em meus escondidos mundos,
imiscui-se e se larga. Depois,
o largo dos horizontes o chama.
De sua língua, a cantiga de amor
amarrotada sob a cama.
Apesar das pedras e sacos de areia,
sua língua me invade,
rascunha, rabisca, rasga
e, por fim, delimita meus contornos, seu território
e canta seu canto de conquistador, cordel da vitória.
Sua língua ecoa a minha
e juntas dançam nos verbos, em versos.
e se perdem em conjecturas, sem ligação.
Sua língua-limão, em gotas, em ponta, magoa,
desfaz as metáforas que inventei, suaves.
Nada quer saber de meias palavras
e, violenta, me invade.
Sua língua ressoa na minha,
em minha cantiga de amigo
com ofertas, alimentos,
com flores, com doçuras
e me calo.
Talvez ouça e cantemos juntos
e nem eu saiba onde minha língua
e nem você encontre mais a sua.
Que beleza, Saramar! Sensualidade, força e erotismo na ponta da língua. Belo poema. Bjs
Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 19/3/2007 14:57
Obrigada, Poeta.
Um exagero mais que valioso, vindo de quem veio.
beijos
Mais que belo... BELO, BELO! Arrebatador.
Cida Almeida · Goiânia, GO 21/3/2007 10:02
Cida, minha querida conterrânea, muito obrigada por essas palavras tão exageradas (adorei!).
beijos
Vc sabe o quanto gosto de poesia, né? Ficou lindo!!!!
Beijo.
É um verdadeiro show de poesia esta tua lingua coliorindo as telas das nossas emoçóes. Parabéns Saramar.
Carlos Magno.
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