LÍNGUA DE TODAS AS LÍNGUAS
Língua
Línguas das línguas
As que se desentendem
Serpenteiam ferinas
Língua que me xinga
Áspera exaspera
Queima
Arde desejo
Cospe
Língua mãe
Sem filhos
Erros errantes
Metáforas de nada
Engolem-se
Língua que passa em meus lábios
Não me beija
Cala-me
Faca corta
Muda
Diante do querer
Que outra língua me fale
De Amor
Saliva doce
Mordo a língua
Soluço
Espero
Ouvir grunhidos
Teu grito
Tua língua
Estranha
Estrangeira
Em mim
Cíntia Thomé
Passando para a leitura.
Um bom fim de semana.
Cíntia querida, belo poema! O mais interessante é que vc. conseguiu sair do clichê de 'outras' línguas. Até porque, tema recorrente entre poetas,a língua vez por outra é cantada no conhecido déjà vus.Parabéns! Vá me ler também.
ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 2/5/2008 12:11
Cíntia,
Perfeito versar, de forma ampla e simples flui essa bela construção poética! Gostei abraços
Cíntia, sempre nos brindando com gratas surpresas, oriundas desse talento extraordinário. Beijos
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 3/5/2008 15:43
Oi Cintia,
Mais uma vez uma grande satisfação ler-te e votar.
Beijos.
Cíntia,
fez da língua versos desejosos, fortes demais! Uma beleza em letras, perfeita poesia!
Beijos
Parabéns Cíntia, um texto sem excessos bem ao meu estilo, mas já vi que você se supera quando resolve rebuscar também. Transita muitíssimo bem pelos dois universos...
Beijos
Cíntia, relendo deixo meu voto abcs
Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 4/5/2008 02:31
Como comentar um trabalho tão perfeito?
Adoro tudo o que escreve.
Como diz a palavra,a língua tb serve para a nossa condenação.
Sou sua fã amiga.vc é uma pessoa sábia e generosa(qualidades que torna especial o ser humano)
Concordo com todos acima, parabéns, votadíssimo.
Cristiano Melo · Brasília, DF 4/5/2008 17:09
Como disse Caetano: O que quer e o que pode esta língua?
Belo poema, Cintia!
bjs.
A sensibilidade da língua em sintonia com a inteligência e cultura trazem o conteúdo que se faz notável.
Letras, palavras, frases, versos e livros.
Tudo escrito, tudo registrado.
Tudo dito, tudo falado.
Tudo lido, discutido.
Tudo saído de uma mulher!
Tudo criado por Cíntia Tomé!
Beijos para você!
Cintia,
Poema traduz momentos que serpenteiam.
Dilacera, ama e abate.
Beijos e votos,
Regina
Volto, para reler com a calma que os bons poemas merecem. Me senti na torre de Babel ou num pentecostes fescenino, com o clima dionisíaco, bebendo dos melhores vinhos. Evoé, Baco! Vc. foi capaz de transitar entre o profano e o religioso nesse verdadeiro hino bacante.
A propósito de língua, veja este abaixo no mesmo clima.
BACANTE
Anibal Beça
O mar lava a concha cava
e cava concha lava o mar
como a língua limpa lava
tua concha antes de amar.
Delírio da Estrela D'Alva
mistério da preamar
vinda e volta abrindo a aldrava
da concha do paladar.
Ah minhas parcas de mel!
eu me afogo em mar de vinho
à espera de algum batel.
Sou cantador de cordel
estórias sabor marinho
bacantes da moscatel.
Perdido entre afazeres demorei a chegar, mas cheguei.
Como sempre, flor, seu canto é de prima e perfeito!
Bjs.
Oi, querida.
Seus versos exclamam verdades em todas as línguas.
Um beijo.
Cinthia...sensualidade latente e explícita numa Babel de carne e êxtase...Se a língua suasse, expiraria o aroma das flores do sexo, e o desejo as respiraria profundamente, agregando às narinas o pólem da Criação...
Um beijo,
Mau
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