LIQUIDIFICADORES AVALANCHE - CAPÍTULO 22

1
Marcelo Bretton · Espanha , WW
21/9/2016 · 0 · 0
 

— Uma vez, o Marechal Richelieu disse, que esse vinho era tão delicioso quanto a ambrósia dos Deuses do Olimpo – Afirmou Julian, enquanto aspirava com cacoete de profissional, o aroma da bebida refinada.

— Percebo notas de cacau – Retrucou Dalmo, demonstrando conhecimento do assunto.

— E torrefação.

— Frutas vermelhas.

— Néctar reservado para grandes encontros – Emendou o milionário, aproximando-se dos lábios trêmulos do homem, por quem nutria os mais nobres sentimentos.

— Não sei se devemos – Tentou evitar o inevitável, com a voz embargada pela proximidade das bocas, correspondendo a osculação.

Engalfinharam-se na cama, após sorver a última gota do Bordeaux raro, enquanto o celular de Julian, conectado a um par de caixas portáteis Bang & Olufsen, tocava Tides of the Moon do Mercury Rev, banda que ouviam juntos quando namoravam as escondidas. Uma espécie de trilha sonora do seu amor proibido.



Quando estavam nus, prontos para se sentirem mutuamente, a vividez da imagem some, esfarelando-se em pequenos cristais, que se estatelavam no solo como granizo. O corpo de Dalmo dentro de um pijama, suava em profusão. Levou um minuto inteiro para controlar a respiração, e se dar conta de que despertara de um sonho do qual não queria sair.

— Maldição! – Praguejou, tentando recobrar os sentidos, e levantar da cama para um dia de trabalho com o chefe. Pôs os pés descalços no chão frio, e se encaminhou para o banheiro.



Enquanto escovava os dentes, ele lembrava da pequena câmara de tortura que fora estar entre quatro paredes a sós com Julian na noite anterior. Enquanto ele discorria sobre a campanha nacional que lançaria, O DIA DE USAR O SEU AVALANCHE, uma maneira de trazer os aparelhos dos altares das casas para as cozinhas, na forma de uma campanha nacional a ser lançada assim que Sarita voltasse do seu périplo profissional, ele observava cada movimentado labial do seu ex-amante. Era como se conhecesse o repertório de caras e bocas, meneios, e gestual. Até antecipava, quando Julian estava arrematando o assunto, em meio a uma respiração profunda, levantava as sobrancelhas, erguia as duas mãos com a palma virada para cima, e dizia qualquer coisa como...- Findadas as ponderações, e esgotado o debate, minha opinião a respeito é que... – E dava por encerrado aquele quesito, partindo para outro em seguida.



Admirava o homem cordato, fiel aos seus princípios, mas que também sofria as agruras de não poder ser quem ele queria ser de fato. Era refém da posição importante que ocupava no mundo empresarial, e sendo assim, era dissecado com lupa por aqueles que acompanhavam seus passos, suas decisões.



Jantaram uma pizza, e tomaram uma garrafa de Chateaux Lafite, que ele trouxera na bagagem, no intuito de brindarem as boas notícias da empresa, mas no íntimo, Dalmo acreditava que estavam felicitando o sentimento mútuo que os esmagava, ao mesmo tempo que lhes enchia de uma alegria fátua, que logo se esvaia junto com o efeito do álcool. Era como se um encanto se quebrasse. Se tivesse certeza que umas taças de Bordeaux lhe trouxesse de volta, nem que fosse por uns minutos aquele estado de inebriação, ele viajaria a França para comprar um estoque daquela poção mágica.



Não tivera chance alguma de falar sobre sua relação com Sarita. Achava que era melhor assim, desde quando não queria magoá-lo. Tampouco ele fez qualquer menção a sua jovem esposa, ou a sua vida de casado. Era tácito que aquele tipo de confidência se tornara um tabu entre eles. Quando saiu da suíte, sentiu que Julian acompanhava os seus passos com os olhos, até dobrar o corredor em direção ao seu quarto, quando ouviu por fim o bater da porta. O que ele faria em seguida? Dalmo não saberia nunca, mas ele sentiu vontade de chorar debaixo do chuveiro. E foi o que fez. Ele não poderia sair do modo HÉTERO, agora que estava se dando bem com Sarita, mas também tinha que ter uma conversa séria com ela a respeito das suas preferências, e sobre algumas coisas do seu passado, incluindo-se aí, o seu caso com o chefe. A partir dessa premissa, deixaria ela processar as informações, e esperar pela sua reação. Tinha que ser honesto com ela e consigo mesmo para seguir vivendo sua ladainha pessoal.



Colocou os esboços da reforma da fábrica na sua pasta de executivo, borrifou um pouco de Azzaro nos pulsos, pegou a chave do carro alugado, e foi tomar café com Julian, antes de saírem para visitar a planta fabril que a Avalanche possuía na cidade, ainda sem saber se a encolhia ou a esticava. Mas, pelas manchetes de jornais, rádios e televisão, a empresa reduziria o índice de desemprego da região a uma taxa próximo a zero, tal a demanda surreal pelo produto defeituoso.



...



Pelo comprimento e altura do muro na frente da casa, o homem tinha posses. Pelo coral de pássaros que a campainha fez soar ao seu toque, o homem tinha classe. Pela farda da governanta que veio lhe atender à porta, com uma espécie de brasão de família bordado como um escudo no seu vestido sisudo, Sarita teve certeza que estava lidando com uma criatura que se preocupava com os detalhes, e que tinha muito dinheiro para torná-los realidade. Foi escoltada por uma senhora de meia idade, de cara fechada e pouco amigável, que talvez a tomasse como mais uma das conquistas do seu patrão, e acomodada numa sala portentosa, com colunas gregas, pé direito alto, uma pequena cascata a ornar a parte baixa da escada, enquanto o chão de mármore era coberto por tapetes persas de desenhos intrincados. Com a mulher apontando para que tirasse os sapatos, ela teve certeza do alto valor daquela tapeçaria. Um lustre de cristais Swarovski pendia do teto como uma nave espacial pedindo autorização para aterrissar, e logo chegou uma bandeja com chás, sucos e petit fours com geleias e chocolate. O Avalanche não fazia distinção de classes ao operar milagres.



Ela sorriu ao ver o homem pequeno e em trajes informais entrar no ambiente cinematográfico. Era quase um contra regra num filme, em que o roteiro dizia que o astro seria alguém com charme suficiente para fazer o seu dublê se suicidar. Não era o caso. Júlio Bracci, era uma decepção em contraste com tudo o que vinha dele. Mais parecia um subalterno de si mesmo, dado a simplicidade do seu andar, a descontração do seu sorriso, e a aparência um tanto desleixada. Estava com barba por fazer, e mancava um pouco, como se tivesse dado uma topada, ou coisa assim. Sarita diria que aquele era o limpador de piscina, o seu personal traficante, o meio irmão que se aboletara por ali, ou ainda o técnico que dava manutenção nos liquidificadores endeusados pelo patrão, tratado como um pediatra cuidando dos seus filhos. Ela levantou-se com toda pompa, estampando o seu melhor sorriso na cara, apenas para descobrir que seu sexto sentido estava indo em outra direção.



— Doutor Júlio já atenderá a senhorita – Avisou, o ser do sexo masculino, que mais parecia um Van Damme que encolhera num filme de comédia, sem se dar conta.

— Obrigado por avisar – Respondeu, se recompondo, achando que não dera a atender que aquele não era o homem que viera encontrar.

— Meu nome é Giba, sou assessor do Doutor Júlio e seu segurança pessoal.

Ela sentiu que o homem frisou a palavra segurança pessoal, com ênfase excessiva, como uma forma de dirimir qualquer dúvida que a sua baixa estatura pudesse causar ao interlocutor. E que ao invés de vontade de pegá-lo no colo, causasse medo, muito medo.



Para espanto de Sarita, ao invés de fazer alguma demonstração das suas técnicas de combate, ele serviu-lhe uma xícara de chá com uma delicadeza digna de uma cocotte na corte de Luís XIV.

— Madame – Disse, pousando a xícara de porcelana no aparador, enquanto servia a si mesmo.

— Obrigado Giba. Como essa casa é grande! – Afirmou, tentando desviar o assunto que pairava entre eles.

— Dez mil metros quadrados de terreno, e dois mil e quinhentos de área construída. Um verdadeiro bunker a altura do doutor. Ele conseguiu tudo isso as custas de muito trabalho. Dedicação essa que lhe fez ganhar coisas, e perder outras.

— Você parece saber muito sobre ele.

— Somos muito próximos, e por isso trocamos confidências.

— Ok.

— Você não têm interesse em saber coisas a respeito dele?

— Prefiro saber diretamente da boca do próprio.

— Claro. Fui apenas educado, já que tenho liberdade para ser a sua voz.

— Eu entendo, mas na condição de entrevistadora, sempre prefiro a fonte direta. Não sou dada a levar em conta nada que me dizem, sem que os meus ouvidos e olhos escutem e vejam por si. Não sou repórter. Quis dizer, uma má repórter.

— Louvável da sua parte. Homens como eu precisam de algumas precauções antes de se apresentar. Prazer Dona Sarita, Júlio Bracci – Disse o homem mal ajambrado, esticando a palma da mão para alcançar o braço da moça, que levou um segundo a mais para entender o que se passava.

— Peço desculpas pelo teatro, mas tenho recebido ameaças diárias, e qualquer cuidado nunca é demais.

— Sinto muito por isso. Agora já não vale mais dizer que eu já desconfiava estar falando com você mesmo – Retrucou ela, abrindo um sorriso.

Júlio também sorriu, acreditando na mulher de beleza ímpar que estava na sua presença. De acordo com as suas investigações, era peça chave na Avalanche, de uma argúcia impressionante e currículo impecável. Alguém que poderia contratar tranquilamente para tocar seus negócios enquanto cuidava da sua erotomania. E do seu harém particular. Alguns criavam cães, gatos, pássaros. Ele preferia criar moçoilas.

— Se o senhor me permitisse....

— Senhor não. Você. Por favor.

— Ok. Se você me permitisse, gostaria de entender a sua relação com o nosso produto. Os detalhes da história.

— Posso ilustrá-la, seria mais didático. Talvez um pouco chocante para você, mas gosto sempre de esmiuçar os meus feitos. Como uma reunião de negócios para dummies. Não se ofenda. Creio que não vá se opor. Já tenho a explicação ensaiada com as pessoas que fizeram parte da minha experiência.

— Se você insiste, por mim tudo bem. Se uma entrevista não é suficiente, então sigamos para algo maior!

— Exatamente isso. Algo maior. É o mínimo que posso fazer pelo milagre que o aparelho me concedeu. Não poderia ficar aqui a me esticar em delongas, apesar de acreditar no poder da sua imaginação. Mas na vida, sempre ouvi dizer que o que os olhos veem é indiscutível, a não ser que você seja louca e esteja tendo uma alucinação.

— Eu sou sã suficiente para lhe compreender. Vamos a paráfrase visual, então.



Sarita pousou a xícara de chá pela metade, já fria no aparador, e acompanhou Júlio, que lhe deu o braço para levá-la até o pequeno anfiteatro construído na ala sul do terreno. A decoração da mansarda exalava um senso estético primoroso, haja vista que o que estava dependurado nas paredes não datava de menos que cem anos de existência. Os empregados que cruzavam com eles mantinham a cabeça baixa, ela não sabia se por reverência, ou qualquer outro sentimento associado a vergonha ou medo. Sentia-se como Alice entrando no País das Maravilhas, com o seu coelho antropomórfico levando-lhe a reboque, para conhecer as suas lógicas absurdas sobre um mundo, que ela não fazia a menor ideia de que existia de verdade.



...



A culpa pela sua expulsão da faculdade de design recaía toda em seu pai, um agente funerário famoso no subúrbio ferroviário, que atendia o povo mais pobre, desesperado por um caixão parcelado em dez vezes, para enterrar um ente querido falecido de repente. Como os defuntos eram transportados de dia para os locais onde seriam velados, a Chevrolet Caravan preta, adaptada para transportar presuntos, lhe servia de condução à noite para chegar na universidade. Logo começou a se engraçar por uma moça tatuada de nome esquisito. Clúrvia queria muito transar com Chita, aquela criatura peluda que lembrava o ator pornô Ron Jeremy, e ao mesmo tempo, era quase um frasco de hidratante, pois o seu toque lhe acalmava a pele nos momentos em que ela estava mais histérica pela aproximação das provas.



Ela era uma budista rica, e ele era um pobre frentista de posto de gasolina, já que o seu pai não o queria lidando com a morte, até que ele próprio morresse. Ela desenhava joias com materiais alternativos, e ele escrevia poesias que eram joias parnasianas que ela nada entendia. Mas era exatamente pelo labirinto vocabular do rapaz, o qual ela não absorvia patavina, que um cupido lhe acertara uma flecha de ponta cega, que fazia doer nas suas costelas toda vez que ela suspirava, quando ele recitava algo incompreensível.



BIBELÔ DE MEDUSA

DE JURAS E URRAS

ME JOGA NO CHÃO DURO

SANGRANDO A MALDITA

FERIDA ABERTA PELO FURO



À SOMBRA DO ABAJUR

E DA CIGANA CHACAL

QUE DENGA A MÁFIA SEM DÓ

VENDENDO SUA FITA PORNÔ

ANTES QUE TUDO VIRE PÓ



Ela entrava no mesmo estado de atenção que uma metrópole após aviso de chuva forte.



NOSSOS RALOS FEDEM IGUAIS

E O LIXO NÃO É RECOLHIDO

OUSADIA PURA, OUSADIA PURA



MARIONETE, FANTOCHE, ESPANTALHO

CRUZES E CORDAS DE PURO ALHO

OUSADIA PURA, OUSADIA PURA



ANTITÉRMICOS NÃO AMENIZAM O CALOR

ROLETA RUSSA DE BALA SOLTEIRA

OUSADIA PURA, OUSADIA PURA



ENQUANTO JOGO MERDA NO VENTILADOR

PENSO NA DIFUSÃO DOS MEUS FATOS

RETALHADOS PELO VENENO DA DOR

E QUE MAIS TARDE SERÃO COMIDOS PELOS RATOS.



Ela surtava, como se uma tempestade de granizo partisse sua cabeça ao meio, expondo o seu cérebro febril e latente, em condição de quase desmaio, quando na verdade era apenas uma hipertensa ainda não diagnosticada que estava à beira de um AVC. Aquele descalabro ela achava que eram sintomas do amor que sentia por aquela criatura estranha, quando estava a beira da morte, ou de uma vida cheia de sequelas.



No dia em que Chita socou um professor dentro da sala de aula por ter lhe dado uma nota baixa pelo esboço de um absorvente para axilas, Clúrvia resolveu se entregar para o seu namorado. Namorado era um termo dúbio, pois dependia muito do grau da sua bipolaridade no dia. Então a coisa variava de ignorá-lo quando o cecê dele estava superando os incensos que acendera antes de ir para a faculdade, ou quando aquela pança saliente que saía pelas camisetas que ele vestia lhe lembrava Sidarta Gautama. Adorava imaginar estar transcendendo, trepando com a sua própria divindade. Foi por isso que caminharam de mãos dadas até o estacionamento da Universidade do Sacro Labor, e entraram na traseira de um carro funerário, para transarem enlouquecidamente, sob os auspícios das almas que por ali já tinham passeado.



Ron “Chita” Jeremy, finalmente enxergava vida na caravan que só levava mortos. Quando Clúrvia saiu do transe, após o seu rosto ser coberto de um esperma que ela jurava ter sido engrossado com farinha de trigo, se deu conta da bizarrice. Acabara de ter relações carnais com um homem dentro de um carro funerário, um desrespeito cabal ao passamento sofrido dos que se deitaram frios ali. A morte para ela, era um momento de verdade, quando encontramos a realidade cara a cara. Mas também era uma oportunidade única de se voltar ao seu eu original. Morrer era crucial para o seu renascimento. Não pensou em suicídio, apenas tramou a expulsão de Chita da faculdade, para que ele pudesse deixar fluir o seu eu original diante da adversidade.

Traduzindo a loucura vinda do arrependimento, ela impregnou o ar da sala de aula com a sugestão de uma pesquisa sobre que carros os alunos dirigiam. Tirando os coitados que vinham a pé, e aqueles que se esfolavam dentro do transporte público, chegaram num número interessante de treze pessoas que vinham dirigindo até o local para estudar. Boa parte conduzia veículos de marcas desejadas, portanto incontestáveis do ponto de vista estético. Uma minoria guiava raridades inalcançáveis aos bolsos médios. E uma pessoa apenas, um único ser humano naquele universo, chegava até ali sob as rodas de um rabecão.

Ele não foi expulso da faculdade pelo mau gosto estético do seu veículo, mas aquilo fora o estopim. Passou a encontrar na sua carteira escolar, dentaduras de drácula, capas negras, morceguinhos de borracha, e até um mini caixão, de onde saia um defunto de pau em riste quando ele ousava abri-lo, para riso geral da sala de aula. Clúrvia era quem mais se divertia com a troça, depois de ignorá-lo sem explicação. Então um dia ele decidiu se vingar.

— Filho vou precisar de você hoje. Não me faz gosto que você falte suas aulas, mas não é sempre que temos tanto trabalho assim.

— O que houve pai? – Questionou ele, preocupado, enquanto pousava a pasta com os seus livros na tampa de um caixão exposto para a venda na funerária, já de saída para a faculdade.

— Houve um engavetamento aqui na avenida ontem.

— Eu vi na tevê.

— Pois é. Vieram nos procurar durante à noite, e ganhamos boa parte da demanda. Fizemos preço de atacado. Isto significa sete urnas, com preparação, maquiagem, serviço completo. Tudo gente que têm condição melhor do que nossos vizinhos.

— Isso é bom Sêo Ernesto.

— Melhor. Isso vai nos livrar de uma dívida incômoda com a marcenaria do Protásio.

— Protásio. Eu já ouvi esse nome em algum lugar.



Depois de muito matutar durante o trajeto, com o carro novo que o seu pai lhe dera de aniversário, um Lada Niva de sexta mão....EUREEEKA! Aquela escrota que dizia que o seu pai era fabricante de móveis para a elite, ia se foder na sua mão! Era quase fantasmal existir outro Protásio que mexesse com marcenaria no bairro que ela dizia que morava. E o seu pai ainda devia pra ele. Era o fim da picada.

Sobre a obra

Sarita Leitão (apesar de odiar o sobrenome herdado do ex-marido, temia em recuperar o "Pinto" do pai no seu documento), fora demitida da empresa depois de anos de dedicação e intrigas internas.

A Liquidificadores Avalanche passava por um mau momento, devido aos processos que se acumulavam na justiça, vindos de consumidores eletrocutados enquanto faziam suas vitaminas pela manhã com um dos seus eletro portáteis.

Desencanada que era, resolveu dedicar-se a Bebeca, sua lulu da pomerânia, enquanto administrava os perrengues cotidianos, inclusive os de Dado, seu filho precoce de oito anos que já se iniciava na arte do onanismo. Também havia os exageros da sua mãe, que via o mundo sob uma ótica peculiar e, o seu novo namorado, que gostava de colecionar coisas estranhas, como piercings usados e dentes cariados.

Tudo muda quando ela recebe uma ligação.

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MARCELO BRETTON
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