Nina:
Cabôco do lombo gasto
Cara de pasto lanhento
Destino dum espantaio
Garranchudo bagacento
Aruá da racha urdida
Jegue d’alma má-dormida
Pária dum currá lodento
Miserave , dedo junto
Atronchado cos defunto
Caçuá da bucha fina
Tororó cara de quina
Cobra sonsa a dar c’o bote
Tome o rumo, puxe o pote
Pisa fundo, sarta a fôia
Filhote de besta rôia
Numa calunga zarôia
Barbichento tanajura
Tu tem u’a mente burra
Carranca, peste das tia
Desgracento, carestia
Monte o bode segue a bicha
Moringa da mão vazia
Marmota que num dá cria!
Pat:
Se tu pede cão zambeta
Não me importa o rela buxo
Tua sois a rodagem troncha
Mais barrenta dum pinguço
Marreteiro dos cuspido
Nó cego de duas venta
Bexiguento mal parido
Enguilhado que m’atenta
Mangador de coisa reta
Gógo de sola amuado
Inháca malassombrado
Cabeça de macaxeira
Tu é bicadô sem eira
Caningando a luz dia
Batoré do baixo cume
Abestado mói de estrume
Tabaré teu nome é troça
Vá no bigú, boi da roça
Cabruquento das caipora
Segue a vida vá simbóra
Cangote de pôca pêia
Pato rôco sem orêia
Tu nasceu só pra dá fora!
Nina:
Mamulengo duma figa
Onde há força tu azula
Num dá fé que é um abestado
Banda fraca duma mula
Toma banho sapecado
Com dez dia dando pula
Tu é chôco apêrriado
Leso, boca de suvaco
Cucuruto fim de saco
Vive procurando a encrenca
Vá juntado, vá na penca
Encardido dos pé curto
Ló de lombriga, escorbuto
De umbigada sei dá susto
Dou-te coça só de bruço
Paiaço das barrigada
Urubu, asa arriada
Cuma foi a tua fuça?
Piniquento das mão ruça
Tu tem a boca banzé
Caduquento jacaré
Teve bêbo quinze dia
Inda apanhou da muié!
Pat:
Boca quente lá das brenha
Tu tem a vida embutida
Deixou cinco noiva prenha
Casando só na escondida
Lá na broca dos zuvido
Tu pensa que vai zoar
Toma tento brônco doido
Tem delegado de môio
Que é pra mode lhe arrochar
Entrevado das idéia
Senta o couro, vida véia
Compre um pouco de juízo
Ou então a coisa entorna
Tu vai acordá de liso
Sete palmos em fim de chão
Fio duma gôta serena
Grudado nas mão do cão.
Eu por mim dou-te uma lona
Pindaíba peçonhento
Pé duro dos má intento
Mariola que não pia
Danado fio da porfia
"Quem gaba o sapo é a jia!"
Nina:
Eu num sou de fazer volta
Tu não tem pra me afrontá
Só tareco não segura
Seu dormido cum gambá
Velhaco de sacadura
Xepeiro duma catinga
Zerado de vinte pinga
Onde tu foi se enterrá
Tem é Zé na tua mufa
Onde dorme a morte puxa
Priquito de se avoá
Se oriente, dê na pinta
Que eu já furei mais de trinta
Só porque não quis fumá
Tu é quase um homi morto
Vê se corre pule tôrto
Vai fungá baixa de égua
Antes que eu te passe a régua
E lhe ensine a embolá
Porque aqui a coisa entulha
Tem que ter pressa na agulha
E uma ginga diferente
Nem cagado e nem demente
Fica vivo pra zóiá!
Pat:
Apois eu que me aconsole
Tu tem u’a boca mole
Um gingado de garapa
O sorriso ruim de chapa
Inda pensa que é alguém
Eu conheço a tua vida
Filhote de uma formiga
Cum sarrabulho xêm xêm
Tu é frouxa dentadura
Onde mija a bunda pula
Rebenque duma cortiça
Bote os galhos numa poça
Seu fugido das palhoça
Deixe desse rapapé
Que eu te engulo com farofa
Feito deiz sarapaté
Suma logo desta bufa
Saliente ruim de briga
Antes que eu puxe a cartucha
Quebrado das rapariga
E veja se nunca vorte
Porque aqui teu nome é morte
Sagu seco sem dar liga!
e assim se acaba a urtiga...
Pat Borato e Nina Araújo.
Se tu pede cão zambeta
Não me importa o rela buxo
Tua sois a rodagem troncha
Mais barrenta dum pinguço
Um repente de primeira. Parabens, meninas. Bjos.
graça grauna · Recife, PE 5/4/2009 01:31
Maravilha!!!
Me acude Vige Maria
venha logo me ajudá,
Qui fiquei todo embolado,
tô esperano pra votá!
(Qui diacho! butei aculá, no lugá diferente)
Pat!
Isso é sim, riqueza multicultural.
Viva a diversidade!
Lindo! Lindíssimo.
Beijo
Arretado esses versos,
vejo que tu tens criatividade,
salve, salve essa inspiração!
Aperreado estou pela demora na votação!
O gênero embolada estava esquecido. Pat e Nina o ressuscitaram.
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 5/4/2009 09:16
Meninas,
vocês vieram com tudo...
Gostei!
bjs
Mucho bueno... Êta versado bem proseado!
Bruno Resende Ramos · Viçosa, MG 5/4/2009 09:35
impecável, um belíssimo trabalho, abraçossss
depois eu volto.
Nós gaúchos chamamos de trova. Repente com ida e volta.
Maravilha de dupla. Vocês se completam e completam o meu domingo.
bjs
Eita, que essa dupla tá afinada!
E versando bonito na linguagem do nosso "Brasil-caboclo"
beijos e inté!
Pat Borato · Rio de Janeiro (RJ) ·
Ló De Lombriga Na Umbigada!
Lindíssimo Amiga Poeta, Verdadeiro encantamento.
É um Repente que atinge a genialidade, sem ter igual e de não perder para nenhum e logo me lembrou a Poderosa Mestra Nina e temja a graça querida de ela estar presente nesta graciosidade valorosa.
parabéns Gente . Uma dupla do Barulho.
Sai de baixo e sai da frente que isso é repente quente.
...Apois eu que me aconsole
Tu tem u’a boca mole
Um gingado de garapa
O sorriso ruim de chapa
Inda pensa que é alguém
Eu conheço a tua vida
Filhote de uma formiga
Cum sarrabulho xêm xêm...
Parabéns.
tem todo merecimento por puro e vruto talento.
Não tem como não elogiar.
Abração Amigo
Embolada arretada, sás madamas;
coisa de arreliá, e dá gana.
Parabéns pela sintonizadíssima parceria!
Olha o que faltou foi a feira e o povo ao redor escutado as duas.
Rzsssssssss.
Parabéns!
Um beijo.
Que aluz esteja com você.
Essa cantoria , tinha que vir dessa dupla divina , tô tirando meu chapéu diante dessa obra que encantou o olhar desse menino . Beijosss
delen · Cotia, SP 5/4/2009 14:12
saudaçoes
muito ordenado e bem feito
volto pra votar
Arrê égua!
Queria é ver esse cordel desfiando de corpo presente.
Um show.
Parece que você morou no interior do Piauí. Lá o must é a embolada! Beleza de rela-bucho!
raphaelreys · Montes Claros, MG 5/4/2009 17:57Queridas, FANTÁSTICO!!! Sou fã mesmo. Acho q vcs têm um estilo mto interessante que transcende a barreira cultural da cidade natal de cada uma. Vcs são do Brasil e por isso, torna a escrita de vcs uma bela obra, rica de poética e de invoações. Parabéns novamente a vcs. Bjs.
Daniele Boechat · Rio de Janeiro, RJ 5/4/2009 19:19
Isso sim senhô é curtura regionar das boa...
bjs
Sendo eu aparentado
Cabôco do lombo gasto
Cara de pasto lanhento
Destino dum espantaio
Garranchudo bagacento
Só lhes posso tirar o chapéu
e aplaudir...
Meninas voces estão ARRETADAS!!!! Maravilha.
Como o Carlos Venttura falou: Só falta a feira com aquela roda de gente aplaudindo vocês!!!
Minhas amigas Nina e Pat, vocês casaram muito lindo todo o versado é puro Folclore. Talento de montão. Bjs Mirtes Carvalho
Magnífico! Não há nada mais lindo que um repente bem feito! Tenho que aplaudir essa embolada de dar gosto! Um grande abraço.
Jéfte Sinistro · Cabo de Santo Agostinho, PE 5/4/2009 23:37
Pat, essa pareceria promete composições belíssimas para o nosso Over! Dupla danada de boa fazendo versos da melhor qualidade!
Parabéns, meninas, vocês são duas poetas incríveis!
Beijos,
Aube.
E viva o Nordeste que é lindo e eu tenho um gosto grande de ter me feito nordestina!
Aube · Salvador, BA 6/4/2009 00:44
vixi !...embolei-se todo, vissi ?...rs
música pura !
bj
Gosto desse jeito de resgatar a brejeirice como fala.
llamar al pan · Belo Horizonte, MG 6/4/2009 08:05
Pat
A esta cultura viva do nosso Nordeste.
Parabens e sucesso
Andre Luiz Mazzaropi
É muito bom ler vcs.
Lembro as rodas de repente que via quando menina e ficava encantada com as rimas e as histórias contadas na rivalidade da parceira.
Parabéns e voltarei
Bjim
Meninas queridas, abrindo a votação para voces. Bjs
Mirtes Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 7/4/2009 00:57
Fico imaginando essa construção de repentes...
expressao nordestina por duas poetisas.
isso é talento.
bjsssssssss;)
Vixi, texto arretado !
Votado !Publicado !
Um beijo !
LINDISSIMO, MENINAS VCS SÃO DE ARRASAR
BJSSSSS
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