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LOAS - Livre Orientação Afetivo-Sexual

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Diego Calazans · Aracaju, SE
6/5/2008 · 82 · 7
 

(...) Como humanista, não vejo nada mais sagrado do que a pessoa. É em nome da Pessoa que faço um clamor aos conservadores: abram a cabeça! Enxerguem a pessoa que há em cada "herege", "pervertido", "infiel". E esse é um clamor que faço a conservadores de todas as religiões, mesmo os laicos. É de amor que falamos.


Minha moral afetivo-sexual é simples. Todos os intercursos afetivo-sexuais são legítimos desde que haja reconhecido consentimento dos participantes. Assim, desde que as pessoas envolvidas estejam em pleno uso de sua faculdade de consentir (maduras e sanas o bastante) e de fato consintam com a relação durante todo o seu desenrolar, não importa que sejam do mesmo sexo ou da mesma família. É uma postura que decorre naturalmente de minhas considerações humanistas e sei que é difícil os conservadores aceitarem, mas, se de fato desejam, tendo ciência do que desejam, e todos atestam que o desejo de fato é recíproco, por que diabos não amar?


Como é preciso maturidade para consentir, é preciso que as partes não sejam muito jovens. Dependerá da educação dada, dos costumes do grupo e fatores correlatos determinar uma idade padrão para início da vida afetivo-sexual (ritos de iniciação na comunidade podem marcar essa data) ou analisar caso a caso. Também é preciso que as partes envolvidas estejam em pleno uso de suas faculdades físicas e mentais. Não importa nada como homossexualidade, heterossexualidade, bissexualidade, panssexualidade ou assexualidade... Importa o real desejo, o real consentimento. Se alguém amar, a princípio, pessoas do mesmo gênero, e depois uma de outro gênero, e depois três de gêneros variados, e todas consentirem, não se deve reprová-la como devassa, pervertida, confusa. Se todos consentem, por que não?


Os únicos fatores que detêm a livre orientação são o risco de uma gravidez indesejada e a possibilidade de adoecer. Por isso boa parte da Direita tenta impedir a distribuição de camisinhas, anticoncepcionais e até vacinas contra HPV (doença que, por sinal, é transmitida também fora de relações sexuais)! Por isso o impedimento do aborto, mesmo em casos de estupro (relação não-consentida, por isso sempre execrável!). Odeiam o sexo, porque odeiam o corpo, e assim acabam por odiar a vida. Se desvincularmos o sexo da gravidez e minimizarmos as chances de contrair DSTs, o caminho estará aberto para uma nova forma de encarar a sexualidade e o próprio afeto. E quão maravilhoso pode ser o mundo que daí advenha!

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Felipe Obrer
 

Bem escrito teu texto, Diego. Só achei o tom um pouco formal demais, considerando o tema abordado. Senti uma certa "briga" entre forma e conteúdo... De qualquer maneira, é sempre bom ler odes à liberdade.

Abraço,
Felipe

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 6/5/2008 11:23
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Diego Calazans
 

obrigado, Felipe. acho que quis fazer algo que pudesse virar lei um dia. =)

abs

Diego Calazans · Aracaju, SE 6/5/2008 11:42
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Felipe Obrer
 

Entendi, entendi. hahaha

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 6/5/2008 11:45
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Pedro Monteiro
 

Diego.
Ficou muito bom.
É preciso chamar atenção da sociedade e das autoridades.
Acho que teu texto poderá melhorar o debate sobre o tema.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 15/5/2008 00:34
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Diego Calazans
 

oi, Pedro. obrigado.
se gostou, ajude a divulgá-lo.
lembre que ele pode ser publicado à vontade, desde que não seja mudado e que citem o autor. =)
abs

Diego Calazans · Aracaju, SE 15/5/2008 01:21
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Z.A. Feitosa
 

Diego Calazans diz a que vem na escolha do título (LOAS) que acoberta um discurso laudatório, por meio do qual enaltece o exercício da liberdade responsável nas interações afetivo-sexuais. Com o ardor da juventude, chama a atenção para a importância do respeito à verdade, enquanto princípio que instiga o desejo, dos cuidados com as doenças e de se ter uma idade de consentimento, que proteja legal ou moralmente, quem não possui maturidade para vivenciar livremente o desejo.
A exemplo de "maio de 68", o autor se vale da estética do manifesto, que tem em "Oração aos Moços", o célebre discurso de Rui Barbosa à turma de formandos de 1920 sua melhor expressão, para produzir uma apologia à "Livre Orientação Afetivo-Sexual", que traz em seu bojo um convite à reflexão.
É mais um feliz esboço de um estilo em desenvolvimento. E parafraseando o autor, que não "aceita um elogio sem ressalvas", em que pese o zelo pela gramática, percebe-se pressa (coisa da juventude? Ou dos nossos dias?) para concluir o texto (é preciso... é preciso, repetição que uma segunda leitura eliminaria; não importa nada - a natureza da relação ou gênero dos parceiros em lugar do nada, etc.).
Mesmo contrariando, em parte, o desejo do autor eu ouso afirmar que gosto da forma como escreve e da escolha dos temas e, sobretudo, da sinceridade que inspira seus comentários. Força e luz. Abraços

Z.A. Feitosa · Marizópolis, PB 15/5/2008 02:59
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Diego Calazans
 

uau! foi a melhor crítica que um texto meu já recebeu.
se gostou do meu modo de escrever, gostaria que desse uma olhada em outros textos meus. =)
fiquei muito feliz com suas considerações!
abs

Diego Calazans · Aracaju, SE 15/5/2008 03:18
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