Foto: babsi-poin/Flickr/Creative Commons
(Fragmentos do sal)
1 - Houve vezes
Que me vi à beira de beber a palidez da palavra.
Foram enervadas vezes. Não só a vez de agora,
Mas também às vezes morredouras em que topei
O poeta Gullar tremendo de espanto.
Acometido de diarréia verbal como se os remendos
Dessas colagens trágicas de nós
Tragiforçassem as verves do papel amassado,
Até que a mediocridade da palavra se desligasse,
Até que a geleira sem águas se transpusesse,
Até que os acenos não contemplativos se revoltassem.
......................
2 - Sob o mínimo sereno,
Dourei a escuridão e ela gemera a sal e jiló.
Contemplei-a grávida e desejei que não me comesse a nu
Mas que comesse infinitudes desses míseros olhares rejeitados
(Ao menos fôsse como aves de rapina cuspindo penetrações,
Eu perdoaria o ato...)
Já que o amor não se faz de rogado...
E nem se doa por completo, ao sol.
Porque dele não imploro a doação da palavra,
O penúltimo fecho-clair
Do amanhã: imploro-lhe que não ocorra de perder a ternura,
Jamais.
......................
3 - Como uma poesia fossilizada,
Vejo a palavra romper barreiras de infernos sisudos:
Por que são como fêmeos loguins da vida sem se vê,
Por que são como faces que o poeta descarta
Ante a última flor:
Como um último cabo de esperança.
Como se enfrentasse a dúvida do vazio
E não tivesse que aliciar o destino,
E não tivesse que debulhar caminhos outros,
E não tivesse que carrear miscelâneas tantas,
E não tivesse que vomitar rubras palavras dantes,
Ouvidas ao mínimo furor...
Pois que me ressuscitariam de mim mesmo
Como que me retirassem
Dessas línguas presas de antigos chãos encharcados de medo,
Ovulando fresco mormaço...
......................
4 - Porque o mormaço não se perde no mar,
E não há peixinho bochechudo,
Nem aranha peluda, nem rato de esgoto
Aliciando orvalhos...
Sei... Valem mais do que a prostituta que venera o pranto
E não alcança o céu...
Sei... Valem mais do que a alcova do destino,
Reflexo o mal
Que a fez ficar à porfia
Do vil castigo.
Benny Franklin
Porque dele não imploro a doação da palavra,
O penúltimo fecho-clair
Do amanhã: imploro-lhe que não ocorra de perder a ternura,
Jamais.
És gritante no silêncio de mim. Bárbaro Benny
Com prazer escuto...Abçs.
Nossos Poemas... colagens trágicas do que somos...
Verdade absoluta, Benny. Alguns, verdadeiros mosaicos ou vitrais...
outros... colagens do jardim da infância... para mim, todos belos, visto serem fragmentos de vidas...
Abçs...
Nydia
Benni Franklin Amigo e Poeta.
Estou aqui para parabenizar pelo Trabalho tão bem feito.
Um Trabalho para nos orgulhar e esta em Bom LUgar.
Mestre Poeta de Primeira.
Um Abração Amigo.
Benny
O que mais vale?
A alma quando é grande....bjus e votado...
BENNY,
"vejo a palavra romper barreiras de infernos sisudos"
lindo, Benny, tudo muito filosófico e bem acabado!
Abçs de Betha.
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