O dia tava com cara de Los Hermanos, não barbado, cinza como as músicas mais melancólicas. Não era tanto pelo frio mas eu nem ia tomar banho. Ia ser praticamente uma confraternização da tribo indiegena. No fim não só tomei banho como lavei o cabelo. Agora que eu não ia pegar ninguém mesmo.
Quando saí de casa, a chuva começou. Era um longo caminho até o local do show. Lá chegando o mano Brista queria uma grana ferrada pra flanelar. Consegui um desconto considerável. Os truta era firmeza. Salve rapaziada!
Para entrar na faixa, consegui uma credencial de imprensa com um camarada da imprensa. Perdi todas as bandas de abertura menos a última. Um dia quem sabe eu vou num show para vê-las. Hoje não. Eles sentiram na pele a segregação musical, tocaram num palquinho fuleiro num canto do salão. Incongruência, discriminação? Se eu fosse de uma banda grande faria o mesmo. Ser tratado diferente faz parte do rito de passagem de qualquer artista.
Dei uma circulada enquanto não começava. Revi conhecidos, entre eles um produtor de cinema, que me zoou por causa da credencial. Falei que tava cobrindo pro meu blogue e aí pra não passar por mentiroso, tive que criar um blogue do nada em um dia.
A última vez que fui num show dos loser manos tinha sido uns 2 anos atrás. Os do CIC compromissos da minha atribulada agenda não me permitiram comparecer. Como eu sei que eles são meio como o Pato Banton, sempre voltam, não me desesperei.
Vamos ao que interessa! Tá certo que os caras não ostentam mas poderiam caprichar no figurino. Jeans e camiseta Hering é phoda. Quando eu tocava, não colocava nada de muito especial, só que evitava vestir a primeira coisa que via no armário. A gente até desconsidera esse desleixo quando começa o som. Pois É abriu a noite seguida de O Vento.
Não vou comentar uma por uma não, nem o revezamento deles entre os instrumentos. E do jeito esquisito e cool que o Amarante se move ao tocar. Quem foi, viu e ouviu. Seleção bacana, quase nada do primeiro. E lá pela uma hora rola a coisa mais inédita dos últimos tempos: tocaram aquela. Aquela!!!!!
A credencial escrito IMPRENSA me abria as portas. Eu teria acesso total ao camarim, fingir uma entrevista e ver se a barba do Amarante era real ou se ele pegou emprestado do departamento de maquiagem dos Outros. Ou assim eu pensava. Eu tinha o crachá mas não tinha a pulseira amarela, a contraprova. Já uma mina fofinha, no sentido uti-cuti do termo, tinha apenas a pulseira. Juntos conseguimos entrar.
A gente não tava perdendo grande coisa. O camarim era deprimente, só perdendo para o imaginário do Ramirez na Creperia. Igual ao do Émerson Lake & Palmer Nogueira acho que nunca mais, bebida a vontade e petiscos de primeira. Da banda apenas o Amarante e o Camelo. A Carpe Diem, a da pulseira amarela, resolveu dizer para o Camelo que acha uma pena eles serem reconhecidos por Ana Júlia. Ele disse fui eu que escrevi e se levantou. Tsc, tsc.
Não tiro fotos com o pessoal das bandas eles que tiram comigo. Hahahaha. O Camelo visivelmente abatido, afinal eles são sensíveis, não queria mais posar. Tinha cansado de ser sexy no palco. O barbudão ainda tinha algum gás. Eu, a Carpe, um amigo dela e o Amarante tiramos uma foto. Na hora de dizer xis surgiu uma pequena variação, todos dissemos pau no cu. Espero que isso não pegue, em certos círculos sociais não seria de bom alvitre.
A banda já tinha vazado e não tinha mais nada para se fazer. No fim dei carona para algumas 7 ou 8 pessoas que conheci no camarim. Todos gente finíssima, da melhor qualidade. A noite acabou numa casa desconhecida, com todo mundo organizadamente vendo o orkut do outro e discutindo aquela música.
Eu também sou daqueles que fuçam no camarim do Los Hermanos. Discuto política com o Barba e astrofísica com o Medina, ou seja, nada que saia do lugar-comum do fã que tenta não ser comum.
hehehe
Na verdade, não gosto do Los Hermanos. Só umas duas músicas. Ou três, vá lá.
zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 4/6/2007 18:46
É que meu irmão é "chegado" do produtor, Alex Werner.
zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 4/6/2007 18:48
Pow, 2 ou 3 músicas? Los Hermanos é uma das melhores bandas do país, disparado. Resta saber se esse recesso vai durar muito. Espero que não. Imagina não podermos mais aloprar os caras no santuário sagrado do camarim.
Abraço,
L.
Recesso...? Acredita mesmo nisso... Espero que esteja certo, mas eu não sou tão otimista não...
Abraço!
A gente tem que pensar positivo, né Fê?
Abr.,
L.
Tá, tenho que confessar, eu gosto de Los Hermanos. Quis apenas discordar, fazer chinfra. Tem um amigo meu cuja missão histórica é criticar o Los Hermanos, mesmo eu sabendo que ele escuta escondido. Eles são "gente-boa", pena que muito altistas.
Tá, eu gosto de mais de uma música, tenho os quatro discos, o especial MTV e um vídeo-clipe, sem contar versões inéditas, um DVD e... credo! vai gostar assim lá longe...
todo artista no fundo detesta esse tipo de fã...rsrsrs...
Raquell · Capim Grosso, BA 6/6/2007 18:25
Valeu! Isso tudo aconteceu mesmo. hehehe.
Leandróide · Florianópolis, SC 10/6/2007 18:11
ei leandro
Massa hein... em outros shows tb me enlouqueci no camarim com direito a fotos, declarações etc, mas dessa vez, não deu clima... Depois que cruzei duas vezes com o Camelo na rua e consegui bater um papo com ele, me bastou.
Ah, quanto ao figurino, eu gosto, e o Marcelo Camelo estava elengantérrimo no show de sexta.
Um grande beijo.
É, Milene, esse lance do figurino é polêmico, mais gente que conversei concorda contigo. Talvez eu tenha feito a ressalva de propósito, só pra ter o que falar mal deles.
Bj,
Leandroide.
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