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Lúcia pensou bastante. Se era apenas aquilo que a aguardava não tardaria a surgir desapontamento.
As pessoas sonham demais, pensou. Sonham que os outros encaixarão certinho, sem erro nem sobra. E não encaixam. Elas dizem que se preocupam, mas não estão assim tão preocupadas. Dizem que amam - verbo dito em vão como este ainda está para ser inventado - sem amar. Ou isto ou perdeu-se o sentido do amor. Ou isto ou amor não tem mesmo sentido. Sente-se e só. Sente-se só?
Lúcia ainda tinha muito o que pensar. Encontrava já o arrependimento. Logo ela que nunca se arrependera dos erros. Será que escolhera mal, somente? Romance pode acontecer assim, disfarçado de felicidade? Deve poder. E por que tanto disfarce? Estará ele mesmo, o romance, iludido? Será?
Lúcia acendeu um cigarro. Pessoas altruístas deveriam ser segregadas das egoístas. Deveriam baixar um decreto. Faz mal. A todos. Desprendimento é um câncer na sociedade dos apegos. E Lúcia, a desapegada, apagou a brasa no chão. Haverá cura? Haverá?
Lúcia adormeceu. Sonhou que estava voando sobre tudo o que doloria. Podia ver todas as coisinhas minúsculas que a espetaram até então. Pareciam ainda menores. De longe tudo parece menor. Questão de ponto de vista, a vista sobre um ponto; existem tantos pontos. Como puderam machucar tanto?
Acordou com o telefone tocando. Não atendeu. A saída é voar.
sobre a obra
Meio conto, meio reflexão.
tags: Rio de Janeiro RJ textos-ficcao conto-curto amor reflexao
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informações |
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| Autoria |
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Publicado no blog Fio de Ariadne
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| Ficha Técnica |
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Meio conto, meio reflexão.
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03/9/2008 |
| Arquivo |
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3 Kb ·13 downloads |
| Licença |
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