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Lutava. Apenas. Lutava contra o que consumia seu pensamento. Seu corpo tornara-se oco. Arrancaram-lhe a essência. Definhava. Apenas. E lutava. Só. Mera espectadora da vida. Sobrevivia. Por onde ando eu?, perguntava para si mesma. Por certo andava com ele. Suplicara-lhe que não a levasse consigo. Em vão. Lutava contra o que a acompanhava, dias e noites. Por dentro, sangue. Por fora, lágrimas. Foi o que ele deixara. Era o que lhe restara. Lutava contra si mesma. Lutava não sabia contra quem. Mas um dia parou de lutar. Percebeu que aquilo que vivia dentro de si não morreria. Talvez um dia se encontrasse. Talvez um dia ele a traria de volta. Mas toda a luta seria em vão. E, oca, saiu pelas ruas. Assobiando.
tags: Rio de Janeiro RJ textos-ficcao amor dor luto
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