(para minha neta recém-nascida)
Ela nasceu
assim bela como jamais duvidei
que seria a outra vida
de, daqui para adiante,
nunca mais ser assim
menino tão sozinho
O que me encobre
a palha de aço branco dos cabelos
é o céu - ou o véu- diáfano de ser agora
o avô-senhor todo poderoso
de uma posteridade linda e radiante
E sendo como sou agora
deus de todas as coisas do mundo
abraço meu colega,
Deus-avô de todas as épocas e universos,
abrindo o meu mais largo sorriso
de ser
também
O rei do céu de um império
onde o sol nunca se põe
nem jamais se porá.
(É deste nunca sol se por
que olho para a eternidade do porvir
como sendo o alvorecer da cor divina
da menina Annabel)
Eu realizado
perpetuado no feminino
e pequenino ser
que para sempre será ela
aquela que nasceu AnnA
(um nome onde o que é começo
também é fim)
Bela Anna
aquela que de uma simbólica cabana africana
(iluminada agora por uma luz
inusitadamente inglesa)
explode como a luz rainha
vitória de todos os meus mares
luz que ofuscando
o colonial passado de nós todos
qual metropolitana
luz soberana
o futuro, magnânima
navegará
-------------
Mandei uma esquadra inteira
iluminar com canhões
a tua vinda ao mundo
Tiros de crisântemos brancos
balaços de orquídeas negras
confeti em pétalas
e serpentinas multicoloridas
para clarear o céu dos caminhos
da menina Annabel
enfim
chuviscos de lágrimas felizes
mandei
Para as mais britânicas
e absurdas distâncias imperiais
de todos os muçulmanistas
(e racistas)
desígnios dos homens
mandei também ordens
de queimar todas as burcas
demolir todas as prisões turcas
e delegacias de todos os Parás
E em nome do prazer
de todas as filhas e meninas
todas as circuncisões bani
dediquei a todas as mulheres
um Manah de bel prazeres
dos favos do mel que fluem
dos sons dos nomes
das que amamos
quando falamos
Annabel
-------------
E só então deixei escorrer
em todas as minhas lágrimas
o meu desmedido amor
por todas as mulheres
(exceto uma)
principalmente duas:
as meninas Annabel
e sua mãe embevecida
de ver de si mesma
a posteridade nascida
apesar de tudo
linda
É que flagrei na foto nos olhos adormecidos dela
O fio de lã da novela
dos olhos de minha avó de Angola,
Maria Josephina rediviva
minha saudosa mãe Geny reconduzindo
as mãezinhas meninas,
todas elas revividas
nelas
as londrinas
--------------
Nelas
elas todas
alegres como lontras
saindo do rio
Quase todas elas
minhas mulheres lagartas
fartas de prazer
virando borboletas
escrevendo as letras
vivas, amarelas, miúdas
da nova vida sortuda
de mim mesmo,
avô daqui para adiante,
a nunca mais ser assim
menino tão sozinho.
Spírito Santo
Dezembro 2007
Veja isto!: Uma campanha do bem
Oche! Puxa , bah!
Que babada mais de tri,
pra uma neta que queria
que então fosse até eu
de tão de bonito que ficou teu verso-avô,
teu inverso-vou,
teu vôo-neta,
teu nato futuro,
tua neta presente,
presentinho de divinas humanidades
e deidades tantas de passados lindos,
de gente que se merece
e merece brilhar em luz mais que elétrica,
serelepe e multifacética.
Ochê, puxa, bah!
Parabéns vovô, por repartir conosco essa tua tanta emoção de um modo tão pra sempre lindo assim que é o escrito teu que ficará nas nossas cabecinhas e coraçõezinhos pra eternidade pros que virão após nós mesmas que sementes de outras gentes somos.
E ainda mulher!
Dá beijin na mamãezinha da netinha tua e nelazinha também, mas vê se não baba demais a minina, tá, guri.
(vou já, já mostra pra minha vovó Marinalva como é que fica um vovô fresquinho)
(o Adroaldo tá viajando, mas acho que ela leptopa com tu, ou lanrrausa contigo pordaquiembreve)
Magnífico!
- E o que se dizer do ovário das flores?
O criador Te cobriu, Spirito.
Teu ode é puro. Algemas soltas.
Teu poema é fértil tal como a sensibilidade
dos homens,
Assim como Eu magnificamente emocionados,
lagrimei.
Bravo, Spirito!
Abçs.
Linda menina, Anabel,
Que sorte a tua
Ser recebida como uma rainha
Vinda do universo Amor sem fim
Sendo acolhida por tão fortes braços
deste avô menino
Spírito.
Um beijo no coração.
Spirito,
chorei de escorrerem as lágrimas lendo seus versos para sua neta.
Bendita Annabel que faz um homem declarar seu desmedido amor pelas mulheres e, principalmente, decretar o fim de todas as ignomínias que se praticam contra as crianças-meninas.
De tudo que vc escreveu, este foi o escrito mais lindo. É como se essas palavras estivessem guardadas num frasco de cristal, esperando pela Annabel.
Toda a felicidade do mundo é o que desejo pra ela, além de dar-lhe graças por não permitir que nunca mais vc seja menino tão sozinho.
Beijo carinhoso pra vc e pra menina Annabel (os olhos dela são cor de mel?)
Manoel de Barros escreveu o que está em itálico aí embaixo e eu imaginei vc e a Annabel compartilhando muitas desleituras rsrsrsrsrsr
"A voz de meu avô arfa. Estava com um livro debaixo dos olhos. Vô! o livro está de cabeça pra baixo. Estou deslendo."
Desescrevendo, desvendo que nem vi ainda os olhos dela (estão fechados na foto) mas devem ser de algum tipo de mel sim, porque escorreram em mim.
Bjs
Spirito,
Muito calma e doçura nessa hora, linda de nós que recebemos a vida dada pela vida que demos. Benvindo ao clã dos papais de mel, os avôs babões. Como disse a Juli aí em riba, tu mais fresco de que eu, que já tenho duas em são paulo e dois ex-entelhados acá em Porto, alegres que sou por tê-los tido, netos e netas.
Babe, ame e dê vezeme, que não tamos nem aí.
Seja vovô a mil.
Beijo na AnnAbel e abraço em ti. Parabéns à mamãe e ao papai pela vida linda que geraram e deixam o amigo assim, assim...
Assim, ora.
Ah! O poema é dos mais inteligentes, presentes que já vi alguém dar ao mundo e a outra pessoa. Deu-se tu inteiro e mais um metro.
A luz do Spirito Santo que ilumina e torna bem-vinda Annabel toca um coração pantaneiro e clareia o céu que agora vejo - tem mais estrelas.
E a luz que vaza desses olhos faz-se branca como cabelos desse avô em desvêlo e nos enlaça em pedidos de proteção a essa menina, que de hoje em diante a tantas representa.
Parabéns, Spirito Santo!
Parabéns, mais um anjo caído do céu!
Salve, Annabel!
Pôxa...
O mel é um bálsamo, mas, enquanto não pararem com as loas, não posso largar o babador.
Abs agradecidos
Chorei lágrimas de alegria e emoção imensa diante deste poema, loa, ode de Annabel.
Meus carinhos, meus beijos e minha admiração para a pequenina e, para o avô poeta-amor-perfeito, meus parabéns!
beijos
Isto sim é que é emoção de verdade!
Annabel publicada.
valeu galera
Há muito tempo não me emocionava tanto... Duvido alguém que não chore...
Um poema presente para Annabel, que se estendeu a todos nós.
Acho que foi a coisa mais bonita que lí nos últimos tempos. Antológico!
Parabéns, Spírito! E obrigada por este momento de emoção repartido conosco...
Beijos
Nydia
Eu mesmo, quando escrevi dei uma choradinha, de leve, mas, como diz o Adroaldo acima, é coisa de vovô babão. Alguém disse, acho que foi o Noam Chomsky (em outras palavras, é claro) que o que não emociona não é arte e nem tampouco linguagem. Acho muito gratificante as lágrimas boas e vocês, também por isto.
Abs
A Anabel, toda a saúde do mundo. A você felicidades tantas capazes de fazer transbordar dos olhos que, devem estar brilhando de alegrias.
abço.
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