textos tantos, passantes, ermos.
tempo e tesão se encolhem ante o bailado alfabético...meias-verdades diariamente vomitadas.
sem temor...é mero desencanto, e dito isso, vem o desenfado nas
horas que flutuam.
entreguei-me às horas desembrulhadas dos dadivosos e profanos dias em que passo a apreciar os pormenores de lla città.
ali na esquina, um maçapão!
ali na calçada, água-bruta!
rodas estranhíssimas...leveza na cabeça.
ontem dormi por muitas, mas muitas horas!
cobri meu trigueiro rosto de olheiras fundas com as mãos de morfeu...e os dias se foram passando...estou fora de casa desde segunda e ainda preciso dormir, só dormir.
pouco tenho conversado, nada tenho verseado. só os meus olhos tem passeado pelos anos que reafirmo nesta entrega-rua...meus olhos tomaram a função do tato, transformaram-se em olhos-dedos e vão, de fruta em fruta, pedaço de rua, pastéis e bolos de arroz, casarios, ruas estreitas, estrelas poucas e igrejas belas...
ontem fui tomar sopa no exército da libertação, eu e meu amigo, entre os desvalidos, os esquecidos. aí pensei: foram eles esquecidos ou, como eu, preferiram esquecer...quem esqueceu quem?
ontem comi buchada
ontem matei a barata que me espreitava
ontem dormi por infinitas horas
ontem me desliguei da vida
ontem desisti de pensar
ontem quis ver o mundo com os olhos recém-nascidos
ontem me esqueci de você, de mim, de nós dois.
ontem lavei minha cara burguesa, confusa, descuidada
ontem esvaziei minha alma e minha cama
ontem e anteontem, e hoje ainda espreito minha pequena alma
hoje quero cândis, fisarmonica, quero água da boa
hoje despeço-me das candongas habituais, vindas dos asneirões do metiê.
hoje nada mais me excita..só comer maçapão na esquina dessa cidade quente...