Os lençóis não cobrem todo o corpo:
há buracos cerzidos, invisÃveis,
pelos quais entra um vento de alfinetes.
Inútil superpor camadas de tecido
para atenuar o efeito perfurante:
nem mesmo cobertores vedariam
pontos invisÃveis, como ducha
a percutir no frio da pele tensa.
Também inútil tentar ver tais furos
mesmo com requintes da ciência.
Ela sabe mais.
Não sabemos donde vem tanto saber.
Atordoa-nos, retira-nos do sono:
procuramos, em vão, em livros vários
entender o segredo do seu verbo.
Ela fala mais.
Quem fala, quem sabe a essa hora
em que toda ciência desmorona ?
Não carecemos de sabedoria:
precisamos de tintas, muitas cores
a escorregar no branco das paredes,
a salpicar de tons lençóis inúteis,
a tingir objetos incolores.
Precisamos de luzes, muitas luzes,
a iluminar essa sombra persistente
no palco em que atores estão postos
(esse zumbir perpetuado em nossas mentes).
Ela pode se calar.
Então, crescem segredos do seu ventre:
retira do seu corpo seus pertences
e os entrega a cada um,
cantando uma canção dolente.
Lá-lá-lá-lá, quem vem lá?
É ela. Sonhamos com seu rosto
sorridente.
Ela sorri nos sonhos, nos acena,
nos toma no seu colo,
inventa histórias, rimas,
cantigas estranhas, persistentes.
Seus olhos quais colméias —
inquietude e faina;
seus braços se distendem,
e o balbucio amaina.
Lá-lá-lá-lá, quem vem lá?
É ela. Sonhamos com sua face
incandescente.
Como é seu nome ?
Como chamá-la, esfinge,
ou responder, se o desvairio
nos atinge ?
Ensina-nos a precariedade das respostas,
a matéria volátil de que são feitas rosas.
Lá-lá-lá-lá, quem vem lá?
E ela. Cada vez mais
evanascente.
Mas se não fosse ela,
há muito tempo,
restarÃamos sem teto,
soltos, ao relento.
Ela arredonda os braços
e acolhe essa louca prole.
Se é impossÃvel dormir a seu lado,
mais impossÃvel abandonar o fado:
essa rota de abismos
que nos recolhe
e nos reverte
ao momento da semente.
Ela arredonda os braços
e acolhe essa louca prole.
Se é impossÃvel dormir a seu lado,
mais impossÃvel abandonar o fado:
essa rota de abismos
que nos recolhe
e nos reverte
ao momento da semente.
Brida,
Poema bom de se ler querida, sem sombra,bjs.
Brida, que poema fantástico. Amei...Muita emoção! Parabéns...Abreijos!!!
Dayvson Fabiano "ImorrÃvel" · Recife, PE 10/5/2009 19:44Semente, é isso! Lá ,lá lá...semente dessa terra fértil de mãe amada! Bjs.
patriciaborato · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2009 20:21
Brida,
Nossa Senhora
Voltei, quando criança cerzia, bordava, foi passado de geração,um poema sonoro,guardei nos meus arquivos,bjs.
Paz a todos os seres!
Brida, lindamente cosntruÃdo.
Verso a averso, estrofe a estrofe,
costurado com o olhar materno e
que envolve atodos nós, ness imensa
colcha de aconchego!
muito bom!
(...) e nos reverte
ao momento da semente.
beijos
Esse teu poema é um grande afago. Bjos de luz, parabens.
graça grauna · Recife, PE 12/5/2009 08:21
"Lá-lá-lá-lá, quem vem lá?
É ela. Sonhamos com seu rosto
sorridente"
Essa sonoridade na mente, votado,bjs.
Muita coisa mudada no over e eu me perdi procurando a fila de votação.recebo teu poema com afago no meu coração.
Um grande e fraterno abraço.
Belo Texto. Suavidade e força, realidade e fantasia, morte e vida se misturaram em um ton de musicalidade a minha frente. Parabéns!
Ronaldo C. Fernandes · Brumado, BA 12/5/2009 13:33
Brida · Salvador (BA) ·
MÃE
Merecem toda a louvação.
Mãe é um bom retorno sempre
Muito apaixonante.
Parabéns.
Abração Amigo.
Por que esse poema lindo soluçou minha alma????
...me deu uma saLdade...e nem sei de que, ó?!
Brida, poetisa, vc é incrivel!
bjssssss;)
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