o tempo da crença de combater a brutalidade
com a não-violência já passou,
meu branco
parágrafo único:
ser não-violento somente
com quem é não-violento com você
quando me apontarem na realidade
um racista não-violento
quando me apontarem na realidade
um segregacionista não-violento
só, então, poderei tornar-me também
um não-violento
mas não queira ensinar-me a ser
não-violento
até ensinar seu feitor a ser
não-violento
você nunca viu um feitor não-violento
é muito difícil para alguém inteligente
ser não-violento
todas as coisas no universo reagem à violência
exceto esses brutos,
homens cordiais e submissos,
sempre a dizer
“bata-me, meu amo, pois devo estar merecendo”
Só estamos reagindo à violencia sofrida.
confiscando a nossa parte no quinhão da história
e na formação sócio cultural de um povo.
Estamos entregando a fatura por serviços prestados.
Mas: Aonde é o caixa?
Ja sei. Os grandes Bancos, os escritórios das Transnacionais,
o congresso nacional, etc.
Muito bom.
Salve Sebastião,
bacana seu post rápido e ácido, botando fogo no pavil de nosso contra-ataque.
O poema tem também o intuito da provocação alheia, mas, no fundo, quer mesmo é travar um diálogo com nós mesmos.
E, não tem outro jeito, pois nossa docilidada e alteridade tem sido violentada sempre.
Abraços.
One Love!!
muito bom , adorei msm nelson , bastante integrante ... abrçs a vc ...
JuNiN · Ribeirão Preto, SP 5/2/2007 13:49
Valeu, Jumin.
Em breve estarei lançando minha Gramática da Ira.
Malcolm faz parte do conjunto de poemas que a compõe.
Quando tiver tudo pronto, devo lançá-la com os parceiros de literatura e de hiphop aí de São Paulo.
Abraços!
Nelson,
Se tiver um tempinho da uma olhada.
http://www.overmundo.com.br/banco/extra-preto
Obrigado.
eu gostei papai so um polco exagerado mas gostei muinto
"todas as coisas no universo reagem à violência". concordo. mas a não violência é uma forma mais eficaz de reação. talvez me achem ingênuo. todavia, acredito que a poesia , a gravura, a arte em geral, para ficar apenas num exemplo, é uma forma de reação não violenta, ou se preferir, de uma violência não física.não podemos regredir. é hora de pensarmos o ser humano como um ser passível de diálogo e, ao menos para mim, toda forma de violência agride primeiro aquele que viola a sua própria natureza e usa de agressão para qualquer fim.
o agressor é a primeira vítima, o agredido, a segunda e a sociedade como um todo, a terceira.a violência abre valas, a arte cria pontes.
gostei do texto.
abraço,
é isso aí, Marcos
obrigado pelo comentário e pelo elogio.
Parece, no entanto, que não pensamos igual sobre a questão das reações violentas, não é?
Numa coisa, porém, estamos de acordo: nem toda violência é física!! Aqui, no overmundo, sou violento no meu tema, não é?
Sobre o resto, realmente pensamos diferente.
Para mim, reação violenta não é o mesmo que ação violenta!
Par inclementar o debate:
Malcolm disse ainda:
“Como amar o homem que violou a minha mãe, matou meu pai, escravizou meus ancestrais, lançou bombas atômicas sobre o Japão, exterminou índios e me mantém engaiolado no gueto? Era preferível que me amarrassem dentro de um saco e me jogassem no Rio Harlem”
E Eldrich Cleaver disse:
“Alcançaremos nossa condição humana. Ou a alcançaremos ou a terra será arrasada por nossas tentativas de conquistá-la /.../
A questão do lugar do negro na América, que durante muito tempo podia realmente ser levantada como uma questão séria, foi definitivamente resolvida: ele está aqui para ficar”
E Lima Barreto disse:
“se me fosse dado ter o dom completo de escritor, eu havia de ser assim um Russeau, ao meu jeito, pregando a massa um ideal de vigor, de violência, de força, de coragem calculada, que lhes corrigisse a bondade e a doçura deprimente.”
Marcos,
todo respeito!
Abraços
Salve, Nelson Maca!!!!
Precisamos agir e reagir contundentemente aos segregacionistas, aos racistas, e tantas outras formas de opressão. Somos todos irmãos na humanidade, filhos da mesma mãe terra. Concordo com a reação violenta no ardor de um discurso, no cerrar fileiras de mais e mais irmãos inseridos na educação, na cultura. Acredito no poder da organização pelo futuro comum, onde as regras não tenham cor, e na qual as minorias não existam.
Parabéns por tua luta sã!!!!
Muito bom o seu texto, Nelson!
Às vezes é necessário apenas responder, não calar...
(e isso, simplesmente, para uns pode ser violência)
Sim, toda forma de preconceito é uma violência. E essa “reação violenta” se ver hoje nos jornais com letras estampadas com sangue. A pobreza, a miséria, a falta de oportunidade gera essa reação de violência física. É uma luta desorganizada e sem objetivo, mas é uma reação contra a falta de educação, a falta de respeito, a falta de dignidade. O bom seria que essa reação tivesse um objetivo coletivo e não um objetivo vazio e tão pessoal. Seria um bom começo se todos os negros e quase negros começassem a se organizar e cuidar dos negros em benefício dos negros e parassem de dizer “bata-me, meu amo, pois devo estar merecendo”.
Muito bom, Nelson Maca!!!
Maca,
Este texto é belo porque é verdadeiro, não há como negar nada do que foi dito!!!
Parabens pela coragem!!!!!!
vcs entendem o partido do peso.
Valeuos comentários.
Mônica, em breve começamos nosos saras em Salvador, fi que ligada no Movimento. Quando ouvir falar, nós somos a Blackitude.
Eu quis dizer: sarau (lieratura - rap - grafitti -= dj)
Nelson Maca · Salvador, BA 10/2/2007 18:40
Acho que do jeito que as coisas andaram e andam, qualquer reação contra os abusos que acontecem já é uma violência (necessária e não-física).
Parabéns.
Bom trabalho, Nelson. parabéns.
Carlos Magno.
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