Gosto das manhãs tanto quanto das madrugadas. Vê-se que sofro… quando não tenho ambas, sinto falta de uma! Mas quando tenho uma, sou excessivamente feliz! Penso que isso é viver!
Quando a linguagem – nossa bengala nas incursões pela realidade – nos atira a cara os conceitos, criamos essa “ficção dos sentidos”: a Realidade. Os sentidos - por sua vez, bengalas do cérebro - nos permitem caminhar, ainda que trôpegos, no itinerário autorizado pela linguagem (e mesmo os loucos, que vão por caminhos inventados, não vão muito além).
Talvez por isso, todas as manhãs eu vou à praia. Sinto que o mar me presenteia com uma onda, todas as manhãs, e eu mergulho, grato! Depois, sento numa pedra, contemplo o horizonte, “sei a verdade e sou feliz” (uma imagem de Pessoa) … Depois vou trabalhar…
Começa mais um episódio da imaginação: o dia.