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Máscaras & Papéis

1
Circus do Suannes · São Paulo, SP
7/10/2008 · 191 · 32
 

“A luz negra de um destino cruel
ilumina o teatro sem cor
onde estou representando o papel
de palhaço do amor”.


(Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso)


Recebo texto enviado por uma psicoterapeuta, jovem e inteligente, que escreve como gente grande e discorre sobre um caso que tem em mãos. É, sem tirar nem por, o enredo do filme Kramer vs. Kramer, cuja interpretação rendeu-lhe o Oscar. Conhece? Meryl Streep é a mãe que abandona o marido, papel do Dustin Hoffman, com quem deixa o filho. Tempos depois, a Meryl volta à cidadezinha onde ficaram o marido e o filho, e reivindica a guarda da criança. “Os fatos que me levaram a sair de casa não existem mais e, portanto, eu tenho o direito de ter o filho de volta” peticiona ela ao juiz. Você deferiria o pedido da Meryl?

Em primeiro lugar, não resisto ao lugar comum: “a vida imita a arte, minha cara”. A jovem psicóloga ri, como quem diz, “pra mim você vem dizer isso?” Em segundo lugar, a nossa Meryl brasileira declara que é má esposa. Como mãe, não é melhor. Ela emprega o verbo no tempo presente e justifica que, por ser má, o filho tem motivos para não querer procurá-la, pois, embora morem na mesma cidadezinha e mesma rua, distante uma casa da outra não mais do que quatro quarteirões, o filho nunca veio visitá-la. E você tem ido visitá-lo? “Claro que não. Ele não gosta de mim. Mas eu tenho muita saudade dele.” Esclarece que o marido jamais se opôs a que ela entrasse na casa, mas, ao contrário, tem insistido com ela para ir visitar o filho, tentar reatar o laço primitivo. A nossa Meryl insiste no qualificativo “eu sou má” para justificar a rejeição que diz sofrer. Mas quer que a psicóloga lhe faça um favor: que procure a juíza que decidirá seu pedido, mostrando a ela quem de fato a consulente é. “Se eu disser a ela que você é má como mãe e má como esposa, você acha que mesmo assim ela lhe dará razão?” indaga a psicóloga. “Acho que sim, pois ela é mulher e mulher entende dessas coisas. Foi por isso que procurei outra mulher para me orientar” responde a paciente.

Esses são os dados que trago à nossa reflexão. Note-se, em primeiro lugar, que a queixosa não diz que agiu de modo inadequado como esposa e como mãe. Ela se qualifica, em termos genéricos, introjetando um conceito que, evidentemente, lhe foi passado por alguém com autoridade para julgá-la: “eu sou má”. Ao mesmo tempo, ela não vê isso como impedimento suficiente para ter a seu lado o filho, que ela não consegue ir visitar, mesmo residindo ambos na mesma rua. O que importa, segundo esse raciocínio, não é o fato de ela ser má, mas o fato de ser mãe. Que é ser mãe?

Qualquer um de nós, homem ou mulher, tem aptidão para jogar futebol. Ser um Pelé ou uma Marta são outros três a zero. Você se disporia a botar uniforme, calçar chuteira e ficar correndo daqui para lá por noventa minutos? Matar no peito um chute, dominar a bola e driblar um adversário ou uma adversária? Levar um carrinho e levantar-se em seguida, depois do spray mágico trazido pelo atendente médico?

Todas as mulheres têm aptidão para ser mãe. É o que se diz por aí, acenando com o que ocorre no reino animal. Claro que o fato de uma leoa ou uma ursa branca abandonar o filho doente naquela imensidão gelada, quando ele mais precisa de cuidados, não é levado em conta. Como quer que seja, a fêmea é programada para isso: procriar. Com a mulher ocorre algo um pouco mais complexo, principalmente nos dias que correm. Além de desempenhar o papel de companheira, amante, confidente e secretária, como são todas as esposas em relação a seu marido, ela deve cuidar da prole, da cozinha, da arrumação da casa e ainda responder pelo expediente no escritório, na loja ou na fábrica onde trabalha. As focas e as leoas foram dispensadas desses encargos.

Outrora, o patrimônio, isto é, a aquisição de recursos para o sustento da família, era encargo do homem (patris munus) enquanto à mulher tocava assumir os encargos domésticos decorrentes do casamento, ou matrimônio (matris munus). Quando a mulher se deixou cair no conto da emancipação feminina e, com isso, pôs-se a imitar o homem, ela acabou ficando com os encargos da maternidade e também com parte ou com a totalidade dos encargos da paternidade. Eis a ironia dos tempos modernos.

Todos nós conhecemos médicas, balconistas, advogadas e artistas de TV que não deveriam estar a interpretar o papel que escolheram no chamado teatro da vida. Há nas novelas belas moças cariocas interpretando papel de paulistas sem conseguir escapar dos seus RRs e XXs que utilizam quando estão longe das câmeras. Ou bem mudem de atividade ou não aceitem esse tipo de papel. O que não se pode aceitar é que, em lugar de colocarem no rosto a máscara do personagem (per sonare, como se fazia no teatro grego, quando a voz soava através de uma máscara), queiram colocar sua própria máscara no rosto do personagem. Como dizia o Paulo Autran, precisei ensaiar a vida toda para interpretar com naturalidade.

Carl Rogers , que lecionou durante muitos anos em Faculdade de Psicoterapia, nos EUA, indagava a si mesmo quais seriam os requisitos para que alguém pudesse clinicar nessa área. Sua conclusão: a faculdade pode dar ao aluno noções teóricas e alguma experiência adquirida nos chamados laboratórios, mas não tem como dar sensibilidade a quem não traz esse pré-requisito. E, a seu ver, não é possível termos um bom psicoterapeuta sem esse requisito básico. Nem uma boa juíza, nem uma boa advogada, nem uma boa balconista, digo eu.

Quais seriam, então, os requisitos para que alguém interprete o papel de mãe, meu caro Carl?

Todos nós já ouvimos mãe de primeiro filho responder, ao ser indagada quando virá o segundo: “E eu sou louca? Passar por tudo aquilo outra vez? Jamais!” Algumas não dizem bem isso mas é isso que pensam. É fácil imaginar o que será a vida sexual daquele casal, pois, por maiores que sejam os cuidados, o risco de nova gravidez sempre estará rondando. E tome frigidez!

É claro que o problema não está na má personalidade daquela mulher. Simplesmente ela não consegue ser a mãe que gostaria de ser, da mesma forma como outras mulheres não conseguiriam acertar um chute numa bola ou sensibilizar-se diante do drama de um cliente que a procure, como médica, advogada, psicóloga ou que tais. Ao tomar consciência disso, ela certamente não insistirá em ser médica, ou advogada, ou balconista. Ou mãe, por que não?

Poderá, no entanto, vir a ser uma excelente médica quem não consegue ser uma razoável mãe. Por que não? Se ela tiver tido a graça de casar-se num templo católico, certamente ela terá ouvido que a mulher nada mais é do que a parte mínima de um homem, uma mísera costela, que, por maior que fosse, foi dele retirada durante o sono sem que ele percebesse isso quando acordou. Mais insignificante do que isso só se Eva fosse elaborada com material extraído do dedão do pé esquerdo do Adão. E não tenha dúvida que isso não foi tudo o que ela ouviu naquela ocasião festiva. O sacerdote certamente comparou a esposa à Igreja, donde o dever dela de submeter-se, sem tugir, nem mugir, nem fugir, dia e noite a seu Senhor. Falo da esposa. Aliás, cônjuges significa “aqueles que estão presos pelo mesmo jugo”, que é aquilo que se coloca na junta de bois para que caminhem juntos, tal qual deve ocorrer no casamento.

Lembro-me de que certa ocasião ouvi de uma senhora um comentário feito, numa festa, aos presentes, diante de duas meninas, ambas irmãs. “Esta é a menina mais bonita que já vi na vida” disse ela. Depois, notando a presença da irmã, completou: “E esta menina é muito boazinha.” Com essa minha mania de tirar conclusões, tive ímpetos de mostrar àquela senhora o que ela havia dito. A primeira menina não precisa preocupar-se em ser “boa”, o que quer que isso signifique, para ser aceita pela comunidade a que pertence. No limite, pode até ser “má”, que sua beleza compensará isso. Já a irmã, ai dela se, além de feia (ou, “não tão bonita”), ainda tiver o atrevimento de ser “não boa” (para não dizer “ser má”). Vai purgar no inferno em vida!

Aliás, não é verdade que ser mãe é padecer? Para dourar a pílula, diz-se que isso se dará “no Paraíso”. Antes ou depois da morte? É, acima de tudo, desfibrar fibra por fibra o coração. Prazer mesmo, nenhum, até porque, “filhos? melhor não tê-los!”

Quem se habilita a desempenhar o papel?

Sobre a obra

Com o trabalho aqui mencionado, a psicoterapeuta Cláudia Amaral Mello Suannes acaba de conquistar, com nota 10, o título de Mestra em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade de São Paulo, tendo como orientador o renomado Dr. Renato Mezan. Sei muito bem que quem conclui mestrado tem o título de Mestre, seja homem ou mulher. Mas sei também que isso é mais uma imposição machista.

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celina vasques
 

Aliás, não é verdade que ser mãe é padecer? Para dourar a pílula, diz-se que isso se dará “no Paraíso”. Antes ou depois da morte? É, acima de tudo, desfibrar fibra por fibra o coração. Prazer mesmo, nenhum, até porque, “filhos? melhor não tê-los!”

Mas como já dizia o Poeta Vinicius...melhor não tê-los mas como sabê-los????
Pois é... sou mãe tive e tenho mil atribuições., e mais mil compromissos, e mais mil aquilo e isso....e no final sinto-me assim...deixa-me te dizer, pois falo isso a meus filhos todos os dias:
" Apesar de tudo d'eles serem criaturas já formadas em Faculdade, já terem seus empregos, etc. etc..acho que não fui boa mãe, achei que tive muitos erros...sei lá...é muito díficil!"

beijo na alma querido M
estre Poeta!

celina vasques · Manaus, AM 5/10/2008 13:40
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Coluna do Domingos
 

MINHA HUMILDE OPINIÃO. DESCULPE-ME

Aliás, não é verdade que ser mãe é padecer? Para dourar a pílula, diz-se que isso se dará “no Paraíso”. Antes ou depois da morte? É, acima de tudo, desfibrar fibra por fibra o coração. Prazer mesmo, nenhum, até porque, “filhos? melhor não tê-los!”

Quem se habilita a desempenhar o papel?

Sobre este forte questionamento do brilhante intelectual Circus do Suannes, penso que o universo femino é um tando quando diferente do masculino, pois a Responsabilidade que Deus colocou na mulher é algo muito pesado, o poder da maternidade deve ser algo muito poderoso, dar sequência a uma vida que nasce e se desenvolve (potencial bilógico) no seio materno é algo que nós homens dificilmente vamos passar, penso que a problematização do Dr.Circus do Suannes é muito oportuna, o pensar feminino é realmente causa de minhas grandes meditações, que, com certeza ficam anos luz das de Circus do Suanaes, Porém entendo por que o estupro é um crime tão abominável ? para o universo conservador o aborto por abortar é um crime também abominável ?, O Dr Circus do Suannes especialista em direito sabe, muito mais que eu, que o primeiro é um crime moral o segundo é um crime moral ?, quando da concepção, (potencial de vida}, mas não uma vida plena) ou um homicídio comum.
Ou um direito da mulher emancipada.
Mas a mulher emancipada dona do seu corpo pode matar uma vida? ela é dona do corpo dela e da vida que gera? Ela é dona das duas vidas ? ele tem direito a matar a sua criança e se suicidar. Se for assim, realmente, a ética, o respeito, e a digidade da vida é algo que não consigo entender. Não estou dizendo que o o Dr Circus do Suannes afirmou isto, pois não é verdade, ele apenas está problematizando, pois, ele pode, ele tem conhecimento.
Gostaria de dizer que é muita ousadia minha fazer um comentário Máscaras & papéis, do Dr Adauto Suannes, pois não tenho conhecimetnos jurídicos para fazer a fundamentação teórica, ao principio ativo da vida. Sei porém que o Dr Circus do Suannes tem propriedade e conhecimento para discorrer sobre estes assuntos tão urgentes nos tempos da clonagem. E Por que não dizer nos tempos da emancipação Emocional da mulher. Assim peço desculpas a Dr Circus do Suannes pelas minha limitações intelectuais, como também a todas as colegas do overmundo por me abster de fazer comentáro para o pensar em trânsito do universo feminino. Não é vaidade, não é supremacia intelectual. è realmente limitação inteletual de conhecimentos, ou seja é falta de conhecimento mesmo, de verdade, verdade plena.

Comentário Extraido de Máscaras & papéis, Circus do Suannes São Paulo ( SP) Edição Overmundo outubro,2008.

Coluna do Domingos · Aurora, CE 5/10/2008 14:37
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Aglacy
 

Quando menina, olhando as nuvens, questionava: Será que todas chovem? Que fazem aquelas que não? As respostas que inventava conferiam às nuvens não chovedoras condição de praticar artes que somente flocos menos carregados poderiam realizar. Se bem que chover é arte das boas.

Aglacy · Aracaju, SE 5/10/2008 16:57
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Doroni Hilgenberg
 

Suanes.
Que texto!
Assisti " Kramer & Krames" e interessante que toda a nossa benevolência era para o pai e não para a mãe.
Isto porque ele se desdobrava em compromissos para ser
mãe e pai ao mesmo tempo. Quanto a ela apesar de ser mãe, e ter direitos legais, não tinha o dom e não sabia cativar o filho.

Quanto a mim, não poderia desejar filhos melhores que os meus...
Concordo plenamente " Ser mãe é padecer num paraiso" ( aqui na terra mesmo) porque se um filho sofre, sofremos juntos, mas quando eles chegam, nos dão um beijo, um abraço e com um sorriso especial dizem : mãe, eu te amo" não é o paraiso? Eu os amo.
bjsssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 5/10/2008 17:49
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Lila Su
 

Em primeiro lugar, esta menina psicoterapeuta me emociona e me devolve a fé no mérito das pessoas dedicadas. Enfim, tenho a impressão que o fim do mundo foi postergado. Em segundo, jamais me imaginei "não mãe". Fui muito criticada por isso, mas não me arrependo. Fui "babona" com os filhos, como sou com o neto ( a neta é uma oustra história....). Mas, confesso que conheço diversas mulheres que não nasceram para a maternidade, como já comentei em APIS REGINA. O principal é ser e não fazer o que "os outros" julgam que devemos.Lila Su.

Lila Su · São Paulo, SP 5/10/2008 18:36
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clara arruda
 

Se li direito temos aqui duas questões.
Uma do ponto de vista jurídico e o outro médico,ou seja um caso visto pela psicologia.
Eu particularmente indeferiria ...Falo apenas como mãe,pq só sei ser isso.Como nada entendo da mente humana resta-me aplaudir nossa estudiosa.Fui pai e mãe durante boa parte da minha vida,mas sei que jamais terei a importãncia de um pai.
Me perdoa o comentário tão sem técnica.Volto e verei o filme.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 5/10/2008 20:06
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alcanu
 

Uma belissima tese, com profundos toques de humanidade !
Bendita seja essa mestra, ouso transgredir !
Um abraço !

alcanu · São Paulo, SP 6/10/2008 00:28
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José Carlos Brandão
 

Parabéns à Mestra Cláudia. Vai se avir com muitos casos como esse em sua vida profissional. Dificílimo desenredar o novelo das relações humanas. Ninguém é igual neste mundo. Muitos consideram-se mais iguais. Todas as mulheres nasceram para ser mães? Todas para serem médicas, professoras, prostitutas? O que é uma vocação? Há quem faça distinção entre profissão e vocação. Ser mãe certamente é uma vocação. E nem todas as mulheres são chamadas, e das chamadas poucas são as escolhidas.
Abraços.

José Carlos Brandão · Bauru, SP 6/10/2008 02:19
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Sônia Brandão
 

Primeiro quero dar os meus parabéns à Cláudia pela grande conquista.
É preciso acabar com essa história de que toda mulher nasceu para ser mãe. Acho que isso aí é uma idéia machista. No entanto, é difícil julgar outra mãe. Cada caso é um caso. Cada um com as suas razões.
Sou mãe e estou muito satisfeita com essa missão, amo meu filho e em momento algum me arrependi de tê-lo. Essa afirmação "filhos? Melhor não tê-los" para mim, mãe realizada, é sem sentido. "Como Sabê-los?" Conclui o poema, e eu concluí conhecendo a glória da maternidade.
bjs.

Sônia Brandão · Bauru, SP 6/10/2008 02:27
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Lena Girard
 

Sou mãe, adoro ser mãe e se pudesse, e meu dinheiro desse, teria um prole imeeeeeeeeensa. Queria ter sido mãe em tempo integral, mas, mesmo não tendo sido, meus filhos são maravilhosos e passaria por tudo de novo se fosse preciso. O sofrimento deles é o meu, as dores deles são minhas, suas angústias, seus anseios, suas alegrias, afinal são um pedaço de mim, vivemos intimamente por nove meses juntos, como unha e carne, dei a eles o leito do meu peito. Eu os curti e os pessenti mesmo antes de ter feito o teste de gravidez. Mas cada um tem sua vida e eu os respeito como eles a mim.
Eu não consegui entender como uma mãe pode dizer-se má mãe e não visitar o filho que mora na mesma rua, mesmo ele não gostando dela. A única explicação que encontro é que não foi amada, que não foi desejada. Ela é digna de pena.
Muito bom!

Lena Girard · Belém, PA 6/10/2008 06:52
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MonyBlu
 

nao seim responder, afinal, tenho 37 anos e esse cotinua sendo meu maior sonho... menos por imposição da sociedade e da cultura vingente,mais por eu achar maravilhoso o ato de gerar a vida (e aqui não me refiro simplesmente à gravidez física, afinal, colocar filho no munod é uma coisa, GERAR vida é outra...)

bjkk

MonyBlu · São Paulo, SP 6/10/2008 08:33
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Circus do Suannes
 


A quem ainda não conhece, sugiro a leitura do Gibran Kahlil Gibran: http://www.princesadepaus.pro.br/gibran.html
Vale a pena.

Circus do Suannes · São Paulo, SP 6/10/2008 08:58
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Ilhandarilha
 

Suannes, não sei se na dissertação dela a Cláudia tenta responder ao questionamento sobre as máscaras e papéis, ou se encontra ainda mais perguntas. Eu, acho, encontraria mais perguntas que respostas se fosse investigar essa questão.
Acho que é muito difícil pensar sobre o que de fato é, na maternidade, imposição do papel social, instinto, amor e ego.
Como mãe, experimento várias vezes um estranhamento do meu próprio papel (algo como aquele pensamento, sempre reprimido, de que "não nasci pra isso", "onde é que fui amarrar minha água", etc). Mas também experimento, ainda com mais frequência, esse sentimento de amor incondicional e indefinível que só as mães podem experimentar (outro papél social da mãe!). Junto com tudo isso, uma espécie de "orgulho genético" quando olho para meu filho, tão bonito, forte, saudável e inteligente. Ou um enorme sentimento de fracasso quando ele não corresponde às minhas expectativas.
Com isso, acho, quero dizer que a máscara social de mãe não é tão estática. Esperar da mulher, ainda hoje, que ela saiba se conduzir com a máxima eficiência em todos os papéis que tem que desempenhar na vida contemporânea (profissional, mãe, dona de casa, mulher, esposa, bela, gostosa, elegante e perfumada), é uma idealização e tanto, não é não?
O trabalho dela está disponível para download em algum lugar?
Abraços

Ilhandarilha · Vitória, ES 6/10/2008 10:32
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delen
 

Nesse mundo todas as mulheres nascem com o dom de gerar um filho , exercer varias funções na sociedade , cabe à elas serem totalmente capazes de faze-los da melhor maneira possivel , pois ser tantas coisas ao mesmo tempo requer uma dedicação total . Abraços...

delen · Cotia, SP 6/10/2008 10:59
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Ilhandarilha
 

Delen, desconfio que o trabalho de Cláudia seja exatamente uma contestação da sua afirmação acima. Será que todas as mulheres nascem com o "dom" de gerar um filho? (gerar filho é só uma questão de ter ou não ter um útero fértil?). Será que todas as mulheres são capazes de exercer várias funções na sociedade? Cabe a elas exercer várias funções ao mesmo tempo? (e pq não caberia aos homens também?). É possível para alguém, seja mulher ou homem, ter dedicação total a várias funções ao mesmo tempo?

Eu acho que a sociedade não está despindo a mulher do papel de mãe, esposa e mulher. Está, sim, sobrepondo a esses papéis uma série de outros. E esse é exatamente o problema! Ninguém é tão perfeito...

Ilhandarilha · Vitória, ES 6/10/2008 12:18
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Selma Santos
 

Esse tema pega...
Ter os filhos sob as asas, lamber a cria, é muito bom!
Bom lembrar do Rogers, do Gibran. V. faz isso com a gente!
O poema do Gibran é lindo, eu sabia quase decor, mas quando chegou a hora de irem para o mundo, de me sentir apenas o arqueiro, sofri. O racional sempre é fácil, mas o emocional nem sempre acompanha.
Parabéns pelo texto, pelo mestrado da Cláudia.Dê-lhe meus parabéns por essa conquista.

Selma Santos · Socorro, SP 6/10/2008 12:36
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raphaelreys
 

A mulher-mãe é uma criação divina com a missão de perfumar o mundo!

raphaelreys · Montes Claros, MG 6/10/2008 13:03
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Saramar
 

Brilhante a exposição, digna mesmo desta nota 10.

Quanto ao questionamento em si: "ser ou não ser, eis a questão", se me permite o uso da mais que surrada expressão.

Acredito que a natural destinação da mulher à procriação deixou de ser natural nestes tempos modernos (ou pós-modernos, sei lá). A tal de liberação feminina, não se sabe bem de quê, parece ter provocado uma mudança também na psiquê feminina, afastando-a da "obrigação" de parir. Esta é uma observação empírica, porém é comum ver artigos e matérias em toda mídia onde mulheres afirmam que trocaram a maternidade pela carreira.
Não sei se acredito nesta tendência natural a "desfazer fibra por fibra, o coração" que toda mulher deveria possuir. Na realidade, sempre penso que toda mulher que pretende engravidar deveria fazer, antes, um curso completo sobre as "delícias" de ser mãe, porque não é fácil. Não é, não.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 6/10/2008 22:57
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Samuel Luciano Assunção
 

ei suannes...bela explanação...
outro dia perguntei para minha irmã que tem uma filha pequena...quando teria outro filho? e ela repondeu:..."não pretendo enfrentar de novo...tudo o que já passei com essa daí (que vai completar apenas 2 anos).
nunca tinha ouvido uma mulher dizer isso com tanta sinceridade...
abraços.

Samuel Luciano Assunção · Angra dos Reis, RJ 6/10/2008 23:28
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Ailuj
 

Não existiu ainda maior emoçao na minha vida\do que retirar de dentro de mim um serzinho que será a minha continuaçao
Pra mim até agora graças a Deus,só tive o paraíso e nada\de padecimentos
Beijo e abrindo sua votação com maior prazer e desejando o sucesso de sempre

Ailuj · Niterói, RJ 6/10/2008 23:28
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raphaelreys
 

O voto e um abraço pelo postado magnífico!

raphaelreys · Montes Claros, MG 7/10/2008 06:03
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joe_brazuca
 

Tema recorrente, contundente e complexo, por ser até paradoxalmente simples, em sua estrutura.
Sua filha, Claudia, tinha que ganhar 20 !...mas, como ela é "mulher", levou só a metade...eita mundo machista !...rs

Brincadeiras a parte, o trabalho ficou extraordinário...E quantas Merryl existem por ai, né mesmo ?...E, à minha ótica, não vejo "dom" nenhum, como tambem sucita a Claudia, em ser mãe. Nem olhando para o lado "mau", nem para o "bom".Para mim, é uma questão puramente biológica.Já, o emocional se cultiva, ou não ( ou se torna uma "Idche Mamma", ou uma daquelas que embrulham seus rebentos em saco plastico jogam na represa...). Daí, é uma questão de tempo e/ou estrutura.Tanto quanto ao lado "macho" da espécie. Eu sou pai extremado. Mas há os que não o são !.As respostas as ações adviram como resultado, na atitude e comportamento dos filhos, num futuro próximo...Aí ja são outros 500 cruzeiros...

(coincidentemente, comentei com um "caso" verdadeiro, o último post do Alcanu, "Acróstico para Lucia", real, que "data vênia", repito aqui, pois, por analogia, serve como exemplo do que quero expor, até pelo seu contrário :
Tenho um amigo que teve um pai muito "duvidoso" quanto a caráter, relacionamentos com filhos, e coisas que o valham ( todos conhecemos estórias desse tipo...)...enfim, fora um pai pra lá de relapso, ausente, biriri-bororó...
Um belo dia, depois de séculos, o pai "reaparece" na vida do "filho", dando uma de "lambroso", depois de velho, coisa e tal, e veio numas de "cobrar" dele, tipo "eu te dei a vida", coisas desse naipe.
Enfurecido com a atitue deslavada do "pai", o filho ( meu amigo) não teve dúvida:...Foi ao banheiro, "bateu umazinha" ( masturbou-se, para os mais comportados...), colocou num vidrinho...tampou e devolveu ao velho, dizendo : "Pronto !...taí o que vc me emprestou...To te devolvendo a matéira prima....Num te devo mais nada !...Estamos quites...Muito obrigado...e agora, cai fora !"...
Nunca mais se viram...ele (o filho) nem sabe se o pai ainda esta vivo...E tb não faz a mínima questão em saber.

Sinal dos tempos...

abs (e desculpe a prolixidade...)

joe_brazuca · São Paulo, SP 7/10/2008 08:47
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MonyBlu
 

votadíssimo, porque é belo texto...

bjk e de novo, happy happy to you!

MonyBlu · São Paulo, SP 7/10/2008 10:53
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Doroni Hilgenberg
 

Voltando
bjssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 7/10/2008 11:52
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Lila Su
 

Voto com todo amor. Lila Su

Lila Su · São Paulo, SP 7/10/2008 12:26
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Lena Girard
 

Vo(l)tando, baby!!!

Lena Girard · Belém, PA 7/10/2008 17:36
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Andre Pessego
 

estou votando, mas vou voltar para reler.
abraço

Andre Pessego · São Paulo, SP 8/10/2008 07:15
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clara arruda
 

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 8/10/2008 16:47
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Vanessa Anacleto
 

Excelente a reflexão , Suannes. Felizmente exerço o papel de mãe há pouco mais de um ano com muito prazer e alegria. Sem padecimentos.

:-)

Votado, abraço.

Vanessa Anacleto · Rio de Janeiro, RJ 8/10/2008 20:57
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Claudia Suannes
 

Olá. Quero agradecer os comentários sobre o trabalho. Gostaria de responder pessoalmente a cada um de vocês, mas os meus conhecimentos de internet não dão pra tanto. Quando ficar jovem com oo meu pai, talvez eu consiga!!
Um abraço a todos,

Claudia Suannes · São Paulo, SP 13/10/2008 15:37
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Juliaura
 

No final das contas, sendo boa ou má, as meninas bonitas ou feias, e mesmo os meninos, que não precisam ser bonitos nem feios porque são meninos e têm pênis e poder instituídos a lhes garantir vantagens e salário maior na mesma função (embora já desbastados alguns desses fiascos sociais), são todas pessoas filhas de mães.
Então, garro eu a pensar se pode ser de outro modo que cada um cuide do seu cada qual e ambos dêem o que mereçam de amor e proventos aos que gerarem.
E não penso que foi má idéia livrar da canga obrigatória do casamento, do jugo, para mulher poder ser simplesmente gente.
Se o cara despinta porque a mulher engravidou e vai cuidar só do filho, não é problema da mulher que ficou só com a cria que não é de proveta, é também do filho da mãe que se escafedeu covardemente.
Conheço também homem que cria sozinho filho de mãe que caiu na vida e foi fritar batata na Nova Zelândia porque aqui teria que lavar ou cozinhar e não ceitou nenhuma das duas. Lá trabalha 14 horas no fedorão do óleo pra ganhar uns dólares. E depois do expediente faz uns mexes pra aumentar a renda e diz que voltará rica ao Brasil.

É de gente que se está falando.
No século 21.
Todo o furdúncio herdado ainda resiste, mas vai sendo mudado di aos pouquinhos, graças a pessoas de ambos os sexos de quaisquer orientações sexuais, que gostam de pessoas, que se amam, não somente querem brilhar. E até cuidam juntas das crianças, muitas vezes.
Parabéns a Mestra Cláudia Suanes.

Juliaura · Porto Alegre, RS 20/10/2008 00:27
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Sandrah Sagrado
 

Parabéns à psicoterapeuta Cláudia Suannes pela excelente e pertinente reflexão.

Sandrah Sagrado · São Paulo, SP 18/11/2008 13:00
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