MATUTO
O cantar se fez tão alto
Que o homem acordou...
Brincou com seu corpo
Brincou nas partes, brincou no todo.
Ouvindo os galos no quintal
Imaginou-se bicho
Instintivo puro, como era;
Senhor de sábia ignorância.
Deixou a cama remexida
E pela janela assistiu
O dia avançando sem preocupação.
O dia... Sem preocupação.
O frescor das águas do riacho
Excitou seu o corpo
Lavou seu sono, lavou seus sonhos;
Lavou os pesadelos de uma noite comum...
Precipitou-se, o homem, nas tarefas diárias,
Desconhecendo a preguiça, ladra incansável da coragem.
E engrossou ainda mais a pele rústica
Da palma das mãos à planta dos pés.
Transpirou salgado e acre
Bebeu água e exalou água
E trabalhou arduamente
Trabalho duro, mas agradável.
Enxada, machado e ancinho.
Machado, machado, machado...
Carregou nos ombros a lenha
Para a cerca, para o curral, para o fogão.
Enxada, enxada, enxada...
O mato que não desiste
Assassino paulatino da plantação
Ninho de cobra, ninho de aranhão.
Ancinho, ancinho, ancinho...
Surge a terra
Fresca, cheirosa, revolvida;
O homem pensa na estação de plantio...
Pra semana se semeia
Até lá se prepara a terra
Com suor e coração
Do sereno à lua cheia
O cansaço e a fome chegam tarde
Tarde como aquela tarde
Mas suor e cansaço se vão breve
No rio, levados pela correnteza,
Mansa leve e melodiosa
Do vizinho amigo
Antigo e novo
Novo e antigo
A fome aumentada
Depois do nado
Nado e banho
Banho e mais nada.
Água refrescante que se foi
E ficou para sempre...
Ficou para refrescar
Refrescar para sempre
Para sempre e sempre mais
Refrescar...
Secou-se o homem ao luar
Com a música de insetos e animais
Companheiros do jantar
Que alegram sua ceia
Que ouvem suas estórias
Que embalam seu sono
Suas estórias, seu sono, seus sonhos...
E o galo cantou novamente
Pela janela de seu quarto observou
Mas inda era cedo demais
A negra madrugada não lhe cedia vista
Ocultava flores e pássaros dorminhocos
E a lua e as estrelas, teimosas e insistentes.
Mas em breve ele veria a vermelhidão na face da terra
Em breve sentiria a presença do sol
A espalhar no horizonte seu arrebol
Luz ofertada pelo universo
Luz natural, Luz divina.
Luz do sol, luz da vida.
Poeta, um lindo canto de amor à vida simples, ao trabalho, à tranquilidade dos dias, como era, "quando havia galos, noites e quintais..."
Lindo de ler.
beijos
Muito grato!
Minha Bela!
Bjs.
Robert,
Que beleza de alma!
Linda foto + poema!
Marluce
Querida Marluce!
Fico muito feliz com sua visita e comentário.
Bjs.
Que maravilha de poema rapaz, eu adorei demais, meu amigo poeta Robert.Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
apenas vim a ler agora esse fotopoema, sinceramente espetacular!!!
parabéns, Robert!!!
abração,
Valeu meu querido poeta Carlos!
Grande abraço!
Mestre Marcos!
É uma grande honra ser comentato por alguém cujo trabalho tanto admiro.
Abçs.
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