Maximóia
Melhor dizendo: - O novo e a maximóia.
É bom desmistificarmos alguns mitos estruturadores do pensamento ocidental, afim de que pela lucidez do realismo possamos discernir o momento contemporâneo da nossa civilização e, alcançarmos a tônica da nossa vida. Muitos se reportam a agitação moderna como “Babilônia”, referindo-se ào apogeu da cultura de uma “certa antiguidade”, que desembocou na “rainha da mesopotâmia”. Esquecem-se pois que quando uma civilização, uma cultura ou anteriormente um reinado ou uma cidade, foram mostrados deteriorados, é porque passaram por uma fase de crescimento, apogeu e foi registrado em queda, porque ela, a derrocada teve que ser registrada em algum lugar da história. Todo mundo sabe que os “ilustres gregos”, foram antes tremendamente bárbaros, e isso registram tragédias como “Ifigênia” e veladamente em “Ifigênia em Áulis”, onde na Guerra de Tróia (3000a.c.) um Rei, (Agamenon), afim de recuperar em guerra a mulher, (dita infiel), sacrifica a própria filha adolescente aos deuses, (dentre outras, cantadas pelos antropologicamente honestos. Ésquilo, Eurípedes ou Sófocles). Que nos envergonham das nossas origens culturais. (Nossa egípcia-greco-romana-judaico-cristã-luso e brasileira cultura). É também sabido, que a última estação, a grande biblioteca da humanidade, daqui "prá trás", encontra-se no Egito, preservada “in petri”, boa parte ali e boa parte espalhada pelos continentes da terra. Ora, que sobrou para nós? Quando é que a nossa “era” começou e onde estamos? Doenças ditas “modernas” matam milhões de pessoas. Elas são produzidas por uma vida irregular, com frequência agitada. Alimentação inadequada. Tensão técnico-serviçal, desgaste causado pelo excesso de mídia. Violência, derrocada das boas tradições e qualidades. Corre-corre, soluções frenéticas e hiper-dimensionamento a que chamo Maximóia. Babilônia é romanticamente linda, se comparada ao sertões da hipertensão, obesidade, diabete, pânico, trânsito, vitimização e violência, e outras síndromes que assolam os “poderosos contemporâneos”. Ora, o primeiro grande mito, surge ainda no século XVIII com o homem sendo qualificado como “animal racional”. Afinal que trapalhada é essa? Que papagaiada é essa? Ninguém parou para questionar? É preciso parar para pensar... Racional, razão...O que é razão? Platão diz que moral é a ciência da razão. A justa-posição das coisas. Razão é uma faculdade psicológica humana. Faz parte da “faculdade mental”. Ela vai de um estado simples, como “passar através da porta”, até um “muito elaborado”, onde se guarda dados, signos e significados na memória, depois os associa e conclui resultados. Em suma - é o poder de discernir diferenças e é a base onde se estrutura a inteligência, - que é a capacidade de solucionar problemas. Respeito. Qualquer animal possui razão em fase elementar. Que animal você já viu procurar a porta dando testadas na parede? É preciso estar muito debilitado para fazer isso. Se considerarmos que a mente é em síntese composta por: memória, vontade, desejo, sentimento, imaginação, criatividade, inteligência, ação, atenção, self, razão...(que se estruturam no que chamamos “pensamento”), veremos que boa parte disso, em estado “estruturante”, os animais possuem. E com estas qualidades operam. Muitas delas em fase elementar, como nós também, ao movimentarmos o corpo por exemplo. O argumento de que “somos animais racionais” é falacioso e esconde a necessidade do homem ir além da racional. Mas preferimos contrair ligações anímicas, citológicas e ideológicas comendo os porcos e outras espécies e espécimes. Em verdade a nossa era ainda não começou. Somos os “homens pós-pós”. Nossa era começa, quando paramos para pensar. Ela deve começar à cada dia. Das pedras, das plantas, aos “supra-homens”, uma coisa chamada inteligência está presente. Problemas são solucionados. Qual animal não discerne diferenças e soluciona problemas? Esta propriedade, dá aos animais – todos eles, a condição de um aprendizado bastante racional. O burro de um amigo leiteiro, conhece todo o caminho de casa e se deixar vai sozinho quilômetros. Respeitando as paradas e tudo. Quem nunca viu um papagaio reconhecer pessoas e chama-las pelo nome? O gato esconder o cocô, “lavar o rosto”, e sem ninguém ensinar - “pegar a gata”? Isso para não falar do sistema de comunicação das baleias, da serelepidade dos golfinhos, da mutação da lula. Reflexo condicionado? O que você faz quando o som está muito alto? Você o abaixa depois de pensar. Mas seu pensamento foi motivado por um “reflexo condicionado”, passou por uma fase elementar e depois você, poderoso se deslocou pela sala, como um rei e abaixou o som, “na medida”. Deixa de palhaçada, você é semi-retardado mental como qualquer um de nós. Nem vê os seus processos mentais. A velocidade é “tão rápida” que tudo se passa como um único reflexo não é? Quem de nós não tem instintos, sente cheiro de bosta, foge do fogo, não se arrisca com a água, teme trovão e relâmpago e acredita e, em algum aspecto se assemelha a algum deus? É desse gênero de questionamento que criamos a idéia (muito boa de adotar), de “Deus”. Claro, porque em nosso íntimo não respeitamos nem gerente. Atenção isto é um outro mito. Não criamos a idéia de Deus. “Reproduzimos”. Em verdade, não precisa ser Deus para estar acima do homem. Imediatamente acima de nós, na escala em que percebemos as coisas, estão seres tão especiais, que são tanto deuses, quanto os espanhóis e portugueses para os silvícolas. Neste ponto e não em outro, um outro mito precisa ser repensado. Qual é a do universo? Sabemos que dois governos mundiais, “México e França”, um de primeiro mundo e um emergente, admitiram publicamente a existência de “seres extraterrestres”, interplanetários. É preciso “olhar na direção certa”. Pode ser que algo se move ai mesmo, ao seu lado. Você não vê. Não tem reflexo. É muito inteligente mas lhe falta “reflexo condicionado” para tal. Mais um, este é sofrível, de mito virou tabu. É o tabu de não se pesquisar na vida diária, cada um na sua esfera de vida, o sequestro que é a morte, de qualquer tipo. “Morrer é natural” nos diz a biologia existencialista, carregada de evolu-cionismo. Tá mas é de fato um fenômeno inexplicável? Pior, confunde-se “morte” com “maneira de morrer”, como se aquele tipo de anjo matasse. Se rebelar e ir contra, “nem pensar”. Eles, o “senhores do destino”, alimentaram a “roda”, você que se cuide para não embarcar. Outra coisa bem primária é se pensar que se escolhe religião e outra pior, que é dela a problemática do aperfeiçoamento humano, chamada libertação. Vamos por parte. Você “escolheu a sua religião”, que se dispõe (muitas vezes) a defender com todo o seu “reflexo c” digo, “unhas e dentes”? O peixe escolhe o anzol? Note bem... ele escolhe a isca, mas lá atrás, por detrás, lá no meio...depois do gostinho...záp e tiau! Sua inteligência nem sempre é capaz de solucionar este problema, dançou no corpo. Sua alma, sua essência física, é sensível a certas idéias e comportamentos e “substâncias sutis conjugadas”, devido àqueles tais reflexos...E aí você tem que ser “perfeito” dentro de “certa medida” para entrar no lugarzinho especial, um “certo céu”... Este modelo, enquanto boa medida, é em verdade procurado por “todo mundo” e todo o mundo. Os artista, agora na sua tradução da realidade. A filosofia, agora na sua pretensa leitura da verdade. A ciência agora na sua limitada manutenção de possibilidades e, religião de modelo - agora na sua sinceridade. Pior ainda e isso é mito também... não se pode traduzir os objetivos das religiões. Digo e explico. Cura, santificação e libertação são metas, não objetivos. Te “vendem” a idéia de meta, a enquadram no tempo que você pode a ela se dedicar, ouvindo e ali mesmo refletindo, “algum tempo por semana”. De objetivo nada. Às vezes um humanitarismozinho só para descarregar a consciência e fica tudo bem. Religião era para te dizer a verdade. Mas ela vem “depois do médico”, depois da ciência. Ilustrada com “certa arte”. Eles não sabem da verdade relativa quase nada. Da absoluta é um soco... Porisso interpretam, usam a mente. Fazem milagres. Aperfeiçoamento, progresso e conforto. O céu é aqui. Não se iluda. Há algo depois mas é uma fiel continuidade. Pior. Lá, “que é aqui mesmo”, sua consciência tem peso. Outra característica da nossa época que subsidia o conceito Maximóia, é a maximização de tudo. O modismo consumista, “ e dele ninguém escapa”, se estabeleceu como estilo. Na falta de outro, virou moda, cultura e por fim solução. Uma determinada maneira de ver o mundo e as coisas. Isso gera uma “grande nóia”. Que maneira é essa, que tudo amplia, como necessário a “afogar seu perceber”? Reflita. Que loucura é essa de dividir tudo e esmiuçar as partes? Viram quanta área profissional, especialização e subdivisões estão criando? Fracionaram o mundo... e a unidade é você. Você é o centro. Você e suas estações particulares. Transmissoras e recebedoras. Você é o foco. Há toda uma guerra mercadológica montada sobre os seus ombros e você acha o máximo não é ?... a gente vai morrer mesmo. De peste, morte matada ou fome. Que se saiba, as soluções não vêem de esmiuçar partes, mas de interagir partes, juntar partes e depois do estabelecimento de uma “idéia do todo”, com base em um “universo maior”, em uma escala platônica, de “microcosmo, cosmo e macrocosmo”, poder perscrutar-lhe a mecânica própria e de “fora para dentro”, solucionar problemas. Talvez não seja loucura “pensar ao contrário”... Quantas maneiras há para se esmiuçar? E para ajuntar? Lógico. Postulados mudam? Estamos observando é o sistema. Parece haver uma sacanagem ai. Você faz um “curso superior” e sai com um diploma de “pega otário” não é? E daí “pega mais otários” quem faz a melhor pós e você pode não é? Não ria de si mesmo. Ria desse carnaval temporão. O pior mito, talvez seja o mito do “Novo”. Esse engana muita gente. O tal mundo que na era do “pão e circo” era dos espertos. Agora na era do circo do pão é dos otários. Vejam onde o coisa foi parar...A quantidade é que importa. Quantos otários você tem ai? Estão consumindo direitinho? A nossa mega-super-hiper corporação aglutinou o “grupo tal”. A herança? Um monte de números que não existem nem em papel. “Se precisar a gente coloca”. E você meu amigo. Com medo de ir criar galinhas...se matando. Por uma coisa nova, melhor mais valiosa, que se você morrer, vai dar segurança para alguém...acontece que seu pai também não viveu. Não fez o que quis. Não descobriu e foi enganado. Adoeceu e morreu pelo novo. Que sabemos das humanidades anteriores à nossa? Quem explicou a “questão atlante”? Como é que cortaram mesmo aquelas pedras, com fração de milímetros? E como as carregaram e colaram? Parece que “algo inteiro” se perdeu e ninguém foi procurar...O “novo” não deixou. “Não há nada novo sob o sol”... E nem conhecemos o velho. Por isso corremos como loucos desvairados, nos desgastando como ratinhos de cilindro, como um gato que lambe o sangue da própria língua na pedra de afiar. A maximóia vai te pegar. Corra meu amigo o mundo está ficando de surrealista um absurdo. Fuja do estresse, vem ai a hipertensão, a obesidade, a taquicardia, a dor de cabeça e o avc. Nos países melhores que o nosso já é moda. Apesar de colados em estilo, não vai acontecer com você, que afinal tem estrela na testa. Ninguém para prá refletir. “Piore”. Não vivem também do presente e têm muita dificuldade em aprender do passado. A maximóia nos põe para correr. Vivemos é em fuga. Louquinhos enganados e viciados, procurando o ópio na forma de entretenimento, principalmente os que retratam os nosso medos. Os filmes são vermelhos. Começam azul, talvez rosa, mas depois se colorem. Nas músicas rock and rol passou. Sexo é bossa. Progresso, prazer dor e diversão. Os limites do homem ficaram bem curtinhos. Infelizmente para pensar é preciso o estabelecimento de princípios. Mas fomos educados bem depois do “século das luzes” e nossos antepassados já haviam perdido a razão. Que civilização não foi bárbara na defesa dos seus interesses vitais? A humanidade é guerreira. Vamos para a frente, lá está o novo. O novo é a solução. Acredite o roteiro para quem não vai além da razão pode não ser a loucura. Corra a maximóia vem ai!!!!
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Ora, que sobrou para nós? Quando é que a nossa “era” começou e onde estamos? O primeiro grande mito, surge ainda no século XVIII com o homem sendo qualificado como “animal racional”. Afinal que trapalhada é essa? Que papagaiada é essa? Ninguém parou para questionar? É preciso parar para pensar... Racional, razão...O que é razão? Este modelo, enquanto boa medida, é em verdade procurado por “todo mundo” e todo o mundo. Os artista, agora na sua tradução da realidade. A filosofia, agora na sua pretensa leitura da verdade. A ciência agora na sua limitada manutenção de possibilidades e, "religião de modelo" - agora na sua sinceridade. Razão...
Errata:
Sexta linha.
Onde está escrito apogeu, por gentileza leia declínio.
ok.
um texto divinamente bem feito informativo e real, um grande abraço amigo.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 22/8/2009 08:18
Teixeira,
Seu texto é além de autêntico, original, super instigante. Ele nos conduz a queima de inverdades e viseiras, além dos tabus pré-estabelecidos pela cultura. É texto para uma boa análise e discussão. Você nos situou num novo contexto de avaliação da racionalidade e mostrou como somos ainda tão primitivos. Conviduo a conhecer o projeto "Livre Pensar Literário". É uma antologia aberta de tema livre, onde caberá discussões, opiniões e literariedades. Se interessar, estou no e-mail brunoteenager@gmail.com.
Grande abraço, filósofo.
Bruno Resende Ramos
Nova Coletânea
Zemh,
Nossa, adorei o texto, a controversia...
Cada paragrafo nos leva a um posicionamento digno de uma nota.
mas limito-me em dizer que aquele que deixa a raz ão dominar a emoção, não vive, vegeta, porque a v ida é emoção e não um amaranhado de concretismos materiais que, se trazem bem estar, acabam com a nossa vida espiritual e emocional, porque quanto mais a pessoa tem mais a pessoa quer e isso torna-se um circulo vicioso.
E é interessante pensar que quando morremos nada levamos, só deixamos uma lembrança boa ou má.
bjs
bjs
Obrigado amigos:
É essa sensação de poder escrever o que "pensamos em nossa época", que nos motiva às letras.
Sensibiliza-me terem entendido e gostado. Esse diálogo tácito, nos aproxima em essência, que é onde de fato as coisas acontecem...
Valeu!
Abços.
Z.
.
Hei conterrâneo das Gerais. Bateu duro. Mas quem disse que a Verdade não "Doi"? "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará". Postado inteligente permeado de questionamentos reais e presentes em nosso cotidiano. Tema oportuno que arranca nossas máscaras, tira nossas muletas e desestabiliza nosso tão frágil equilíbrio neste mundo das ilusões camufladas de brilho falso.
Parabens por tão real contribuição. Ganhei meu dia!
Abraço fraterno e Paz na Terra em nossos Corações sedentos da Luz Verdadeira. jbconrado.
Esse mundo é o avesso, do avesso do avesso!
raphaelreys · Montes Claros, MG 11/9/2009 13:51Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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