Com medo do mar,
Minha ilha natal se atou
Com pontes e aterros
Ao continente e a outras ilhas,
Suas filhas menores.
Minha pobre ilhazinha,
Varrida de vento sul,
Por medo de ficar à deriva,
Criou raízes sobre os canais e a baia,
Afogou seu porto,
Escondeu seu horizonte.
Hoje moramos nós em aterros,
Trafegamos sobre aterros,
Trilhamos nossos caminhos
Sobre um mar que já se foi,
Que um dia esteve ali.
Ah, minha pobre ilha,
Que medrosa e tímida
Se alarga sobre o mar,
Se estende sobre os manguezais,
Recria-se outra, continental,
Metropolitana.
Não tenha medo do vento sul
Que lhe varre e perpassa
Nas tardes de domingo.
Deixe-se estar à deriva nesse mar,
Deixe-se saciar de horizontes.
Uma das mais belas declarações de amor a cidade.
Parabéns!
Mecenas
Que lindo, Ilhandarilhatada!!!
Como podes andarilha
Se te dizem atada?
Medo de ser navegada?!
Nada!
Pedro, que lindo! Além de belas músicas, é um poeta!
Ilhandarilha · Vitória, ES 22/1/2007 09:51
Magnífico poema Ilhandarilha. E esta paiságem em preto e branco, eu também achei muito interessante, parabéns.
Carlos Magno.
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