Minha vida é uma novela
“Senhora do (próprio) destino”
Paula Almeida de Jesus é pobre, analfabeta, natural de Amargosa/Ba. João Alexandre de Jesus também é pobre, analfabeto, natural de Santo Antônio de Jesus/Ba. Ambos trabalhadores rurais, descontentes com o destino, se mudam para uma cidade maior, onde buscarão melhores condições de vida.
Jequié/Ba, cidade pólo de uma microrregião, atrai pessoas que fogem da seca, e aventureiros de toda sorte. Ali o casal Paula e João se conhece e começa uma nova vida. Cada um abandona os laços familiares e inicia a família Almeida.
Vieram os filhos, o primeiro deles nascido em 1966, em plena vigência da Ditadura Militar. A família colheu os frutos malditos que a repressão semeava Brasil afora: a fome, a miséria, a falta de habitação, escola, saneamento básico, segurança, atendimento médico.
Problemas de saúde acometeram Paula, que se tornou paralítica das pernas. João tem sua saúde agravada, devido ao trabalho braçal que enfrentou durante toda sua vida. Não agüenta muito tempo e precisa se afastar temporariamente de suas atividades profissionais. Sustentar uma família sem ter renda suficiente é uma tarefa impossível. A perspectiva para os Almeida não é das melhores. Após o quarto filho, sem casa, médico, comida, roupa etc, a crise se instala de vez. O pai tem a saúde agravada por um acidente de trabalho e vai a São Paulo tentar uma solução para a crise de coluna e problemas emocionais.
Paula fica em Jequié, morando em casa de aluguel, cuidando dos quatro filhos menores. Sobrevive da caridade dos vizinhos e de doações de amigos da igreja. Depois de anos se arrastando pelo chão ou sentada numa cadeira de rodas, o problema da paralisia tem uma melhora e ela começa a caminhar de muletas.
Para não ver os filhos morrerem de fome, Paula se obriga a sair pela cidade pedindo esmolas. Atraída por notícias de doação de cestas básicas ela passa a freqüentar o centro espírita Bezerra de Menezes. Dali surge a salvação para a família: morar numa fazenda nas imediações de Jequié, onde terá comida e casa.
Depois de um ano morando na Fazenda Turmalina, a família recebe a notícia da volta de João. Na fazenda nasceram mais quatro filhos. O chefe de casa começa a trabalhar na roça – única atividade que sabe desempenhar. Sua saúde volta a ter sobressaltos e se faz urgente voltar a morar em Jequié, onde terá acesso a hospital e remédio. A família inteira o acompanha para a cidade. Se a vida já era difícil na fazenda, se complica ainda mais com a mudança. Durante quatro anos o aluguel de um casebre foi pago por parentes próximos. Com o falecimento do pai, a família teve que encontrar uma solução para moradia. Valdeck trabalhava desde os seis anos, e com a morte do pai, assume a casa aos dezessete anos de idade.
Além do sustento da família e da educação dos irmãos, ele ficou responsável pela própria mãe a quem ensinou a ler e escrever.
Paula dedicou todo o seu tempo a cuidar e a educar os filhos, à sua maneira, sempre indicando a alternativa do bem quando se vislumbrava a sedução pelo caminho das drogas, do roubo e da mentira. Foi uma educação à moda antiga, em que a mãe, então matriarca, cuidava como uma loba de suas crias, defendendo aos filhos com unhas e dentes.
Sustentar uma família de nove pessoas não foi tarefa fácil. A ajuda de vizinhos e de desconhecidos se tornou premente. Paula e os filhos pequenos se revezavam pedindo esmolas de porta em porta.
A família precisou comer carne podre; pegar mortadela, salame e queijo dentro do esgoto do Hospital Prado Valadares; dormiu várias noites com fome, esperando que “Jesus vai trazer amanhã”, frase que Paula proferia para consolar os oito filhos famintos. Essa penúria durou mais de vinte anos.
Por falta de pagamento do aluguel, a família foi expulsa várias vezes das casas que alugava. Por causa da subnutrição enfrentou tuberculose e asma brônquica. Passou noites de chuva com a mobília na calçada, após expulsão da casa por falta de pagamento.
Toda a vida dos Almeida foi marcada por altos e baixos, mas Paula sempre manteve viva a chama da esperança e da fé: “O ano que vem as coisas melhoram”, era o bordão predileto dela. Ficavam todos esperançosos e pacientes esperando o ano novo que nunca trazia melhoras. A educação básica, em escolas públicas, Paula concedeu aos filhos, na esperança de que os filhos tivessem melhor sorte que a dela.
A educação foi ponto de partida para um mundo de descobertas de que havia a possibilidade de sobreviver às próprias expensas. A luta foi insana, e para alguns da família a luta ainda continua. Mas são todos vencedores. Cada um tem sua própria casa, sua própria família.
O mais velho é funcionário do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, desde 1990, de onde tira seu sustento. Ainda hoje dá apoio aos irmãos nas horas mais difíceis. Um desses momentos foi a morte de Paula em junho de 2000.
Esta história é exemplo de vida para muitos brasileiros que lutam no dia a dia dos ônibus superlotados, que ralam no batente diário por um mísero salário. A fé no futuro e a luta por um mundo melhor é a lição que esta família ensina a quem deseja superar as barreiras sociais e ocupar um lugar ao sol.
“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”.
Autor: Valdeck Almeida de Jesus
O livro retrata o cotidiano e o estilo de vida de uma família tipicamente nordestina. A leveza e a crueza com que o tema da fome e da miséria é tratado prendem a atenção do leitor e o leva a uma reflexão profunda da vida. A narrativa chama o leitor a reavaliar conceitos e posturas diante dos problemas que a vida lhe impõe.
É uma história de superação, de vitória.
Uma verdadeira saga que, desejo, terá muitos finais bem mais felizes. Adquirirei o livro.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 28/11/2008 14:19Maravilhosa história de vida, a cara do povo brasileiro! é um espanto que uma família tão grande tenha sobrevivivo a todos estes percalços. Sua mãe ofereceu abrigo e visão de mundo, com a educação que recebeste. Vc é um dos caras brilhantes que circulam por este mundo virtual, desejo sucesso e mais sucesso.
soninha porto · Porto Alegre, RS 1/12/2008 09:58
Oi Valdeck,
Já baixei. Vou ler e retornarei em comentário o que li no livro.
Abraços
Pelo muito que já li i ouvi sobre o livro e por outros textos que li do Valdeck, sem dúvida a leitura deste "Memorial do Inferno..." será emocionante.
Remisson Aniceto · São Paulo, SP 1/12/2008 10:20Parabéns, Valdeck, por seu trabalho em prol da literatura e por sua história de vida.
Diovvani Mendonça · Contagem, MG 1/12/2008 11:00
Sua obra realmente mostra o quanto é difícil sobreviver neste país de tantas injustiças sociais.
Gosto muito de seu trabalho. Parabéns.
Já li o livro do Valdeck. É uma lição de vida! Peço a quem puder, lê-lo.
Beijos, Valdeck
Teka
Meu querido Valdeck,
seu pedido é uma ordem,
aguardando a votação!!!
R.Rimet
Já tenho cadastro e poemas aqui, Waldeck. Foi simples. Eu uso o orkut para fazer propaganda e num minuto tenho os setenta votos necessários. Coloca uma mensagem lá, se vc o tiver, ok? beijos
NEUZA MARIA SPÍNOLA · Belo Horizonte, MG 1/12/2008 16:12Parabéns pelo trabalho!
claudia gomes · Salvador, BA 1/12/2008 17:10
Ola Valdeck meu amigo
aqui estou para te trazer o meu voto
e conhecer sua história uma história
realmente de grande esforço, e luta continua
parabéns por sua vitória
pessoal e familiar.
Votadissimo Grande abraço da Dora
Boa tarde, queridos amigos e amigas... Muito obrigado pelo apoio em vir até o site Overmundo, fazer cadastro e ainda votar em meu texto... Agora o conteúdo integral do livro "Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden" está disponível para quem quiser e puder baixar e ler. Depois, espalhem mundo afora, pois esta história de vida é para ser contada aos quatro cantos...
Abraços a todos e a todas.
Valdeck Almeida de Jesus
Escritor, Poeta e Estudante de Jornalismo
Galinha Pulando
Prezado Valdeck, parabéns, 10, 100 mil vezes pelos projetos realizados, e esse é mais um. Pode contar comigo.
Um abraço - Rodrigo Cézar Limeira/Campina Grande/PB.
Seu livro é uma maravilha Memorial do Inferno A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden, você Waldeck é um conservador de suas raizes familiar e jamais o passado famíliar poderemos esquecer seja ele pobre, ou rico, ou de nobreza é tudo isso de bom que você nos ensina.
Forte abraço,
Dé Barrense
Olha meu amigo, sinceramente sua história é comovente. Uma história de vida, que realmente de ve ser contada a todo povo brasileiro, principalmente aqueles que nunca passaram dificuldades na vida e que vivem reclamando de tudo. Achei maravilhoso. Parabéns e tem aqui uma amiga !! Um abraço com carinho!!
Neusa Staut · Ponta Porã, MS 3/12/2008 07:58
Ahhh.. e muito , mas muito sucesso mesmo pra você !!
Neusa Staut · Ponta Porã, MS 3/12/2008 08:08
Obrigado, querida Neuza... Espalhe esta história por aí...
Abração e bom final de ano.
Waldeck,
Não acredito que tão boa história tenha me passado despercebida, conheço muito bem este tipo de saga familiar, fazendo parte de movimentos sociais, encontramos e vivenciamos histórias de batalhas vitoriosas pela sobrevivencia da família, um fatores importante se destacam em seu trabalho, a abnegação, a solidariedade, além e principalmente, da evidente manutenção do núcleo familiar.
Lerei este livro
Grande Abraço
Val meu querido
o meu voto é seu, claro!!!!
Bjo Gde
obs.: assi que ler vou enviar meu comentário.
bom dia amigo e conterrãneo VALDECK ALMEIDA DE JESUS, o seu livro já é, foi e está sendo um sucesso, parabéns você merece muito mais, continue assim, radiante e siga em frente que a Bahia, o Brasil é nosso e terá muito sucesso, ao MEMORIAL DO INFERNO.
UM FORTE ABRAÇO
JAIME LEAL
Registrar de maneira honesta a luta de uma família não é tarefa fácil. Sua honestidade comove. Parabéns.
Isabel Furini · Curitiba, PR 12/1/2009 15:04Obrigado, cara Isabel... Espero que esta história possa ajudar muita gente mundo a fora.
Valdeck Almeida de Jesus · Salvador, BA 12/1/2009 16:23Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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