M E N A R C A
Ela estava parada ali, ao lado do caixão daquele homem que um dia fora seu marido.
Olhava-o como se olha para um estranho. Só estava ali em respeito à dor dos filhos. Não choraria uma lágrima sequer por aquele defunto. Quando passou a desprezá-lo?
Quando se conheceram tudo indicava que teriam uma vida apaixonada e feliz. Parecia que viveriam juntos pelo resto de seus dias ou, como o padre costuma sentenciar: “ até que a morte os separe”.
Quando ela começou a ter mágoas daquele homem? Pouco depois de casados, quando teve a sua segunda menstruação e, espantosamente ele lhe pediu para dormir em outro quarto até que aqueles dias terminassem.
Nos nove meses seguintes ela não teve menstruação porque engravidou e então o acontecido pareceu-lhe um exagero de sua sensibilidade. Continuaram apaixonados e se amando enquanto a gravidez o permitiu.
Depois de dar a luz ele lhe pediu que enquanto tivesse qualquer tipo de sangramento não voltasse ao leito conjugal. Então ela e a criança passaram a dormir em outro quarto.
Depois, voltou ao seu quarto de casada mas, mensalmente, toda vez que sangrava ia dormir em outro quarto. Um dia ele lhe disse que sentia verdadeiro asco de mulher menstruada.
Que choque! Que humilhação!
Justo a menstruação, orgulho da menina que se torna mulher. Necessidade para a procriação e perpetuação da espécie. Sinônimo de feminilidade.
Agora entendia porque ele não quis ter uma cadela. Chegaram até a brigar. Ele preferiu um cachorro macho.
Ela engravidou pela segunda vez. Não conseguiria levar aqueles nove meses como da primeira vez, trocando carícias e beijos com ele. Ela já sabia que teria que passar por toda aquela humilhação novamente.
Decidiu que sua feminilidade não seria pisoteada uma segunda vez. Tinha orgulho em ser mulher.
Ela se descobriu odiando aquele homem profundamente.
Fez as malas e saiu de casa levando um filho de três anos pela mão e carregando uma barriga de seis meses.
Louca, diriam alguns. Sem juízo, diriam outros. Jogar fora um casamento com um homem tão bom. Poucos existem como ele. Só ela sabia o porque de sua atitude.
Não permitiria a ninguém esmagar seu orgulho com os pés e com toda a força que uma humilhação imprime a alguém. Não abriria mão de seu amor próprio.
A MENARCA os separara!
Conheci um casal cujo marido tinha este problema, ou seja, verdadeiro asco de menstruação. Apesar do problema ter ocasionado muitas brigas e ter advindo o desamor, por convenção e tradição permaneceram juntos até a morte de ambos, já bem idosos.
Apropriei-me do fato e com ele escrevi o conto hora em edição.
Ivette,
Belíssimo conto. Muito bem escrito.
Adorei lê-lo. E que história!
Em saber que pode existir homens assim, não é mesmo?
Minha linda vc está de parabéns!
Voltarei
xêro no coração
Ivette, conto que parece real, nao sei!!!Muito bem escrito,
beijos
Mulher, essa foto é pavorosa rsrsrsrs. Gostei do conto,mas esse homem ninguém merece rsrsrsrs. Abreijos!!!
Dayvson Fabiano "Imorrível" · Recife, PE 24/4/2009 16:35Menina, que situação degradante. Você consegue, com leveza, dar presença e persnalidade a sua personagem estigmatizada pela menstrução. Aquele infeliz do marido/personagem está queimando no marmore do inferno....acho é pouco...rsrsrs...Triste de quem não entender que mulher é bicho esquisito porque todo mes sangra. Gostei da sua narrativa. Parabens. Bjos.
graça grauna · Recife, PE 24/4/2009 16:39
Concordando com o Dayvson...a foto é pavorosa, porém muito florida para tal homem...ou melhor dizendo...verme...
Se este marido fosse meu, velaria e enterraria ele, sem lápide e sem flor...como disse a minha amiga Leni Martins em uma das obras mais lindas que já li....
Adorei o conto, está perfeito em tudo...apenas a história me enfureceu...
Bjs
Bem, não conheço sala de velório agradável. Existem homens ainda piores. Contava minha mãe que um seu tio insaciável, quando a companheira não aguentava mais, ele a amarrava na cama e prosseguia em seus instintos animais.
bjs
Ivette G.M. · Cotia (SP) ·
MENARCA
Um Texto admiravelmente bem feito e de uma tristeza infinita pelo desentendimento que encerra entre o casal, destruindo o amor que existia.
É uma coisa pra gente chorar.
Um Grande despreparo e talvez alguma deficiência psicológica.
Uma Pena que um casal tenha seu amor morto pelo que pode ser superado pelos dois lados.
Tinha de alguém ter sabido e intercedido.
Parabéns. Fica uma lição pra gente.
Abração Amigo
Olha, muito bem escrito e homens com "ascos" disso ou daquilo com certeza tem problemas em sua sexualidade. Ou distúrbio ou trauma, sei lá doido! Porém, vc abordou o tema com maestria, parabéns! Bjs.
Daniele Boechat · Rio de Janeiro, RJ 24/4/2009 17:41Maravilha de texto! Interessante, pois neste período a mulher está muito mais sensível ainda, com toda sua feminilidade! Acho esse momento lindo! Parabéns, pelo tema, muito bom.
Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 24/4/2009 18:12
Mais do que uma 'marca', já deve ser suficientemente desagradável pra uma mulher ter de suportar esses dias, 'inda ter de aguentar um marido mala que tenha asco dela, sem comentários, mas o texto é bastante interessante !
Parabéns Ivette !
Um beijo !
Querida, há um livro, do qual me esqueço agora o título, que discorre sobre os "humores" (secreções) do corpo. Ali se motra como os prconceitos contra as secreções são bobos.
De lá, salvei as citações abaixo:
“Os humores do corpo seguem um curso regular e ordenado, que afecta e altera imperceptivelmente a nossa
vontade: deslocam-se juntos e exercem sucessivamente um império secreto sobre nós, de tal modo que
participam consideravelmente nas nossas acções sem que o possamos saber.”
François La Rochefoucauld
“Não se deve adornar a alma com a beleza do corpo; mas, pelo contrário, o corpo com a beleza da alma."
Diego Fajardo
“A alegria é para o corpo humano o mesmo que o sol é para as plantas.”
Jean Massillon
"Nos dias que correm, cuidar de nós requer uma gestão do tempo que cada vez parece ser mais escasso. E se cuidar de si mesmo
já contempla uma “ginástica temporal”, cuidar da família será um esforço adicional, muitas vezes exaustivo, onde as prioridades
necessitam de ser devidamente planeadas. O espaço para a espontaneidade e para a contemplação do “tempo em família” fica
reduzido, e nalguns casos, deixa até mesmo de existir devido aos desencontros."
Tem homem que é pior do que bicho do mato! Desconhece que a mulher é um ser cíclico e que tem humores!
raphaelreys · Montes Claros, MG 24/4/2009 20:03
Gostei muito de todos os comentários, mas principalmente por ter suscitado tanta indignação. Conheci mesmo o casal e ela confidenciou-me o fato, que nunca tivera coragem de contar para ninguém.
Quanto a foto, confesso que procurei uma ainda pior, mas não encontrei.
Obrigada aos amigos. Ivette G M
o pior é saber que ainda existam "homens" nos dias de hoje com essa mentalidade.
otimo tema volto depois
abraxxx
IVETE Um homem que repudia sua mulher por ver o sangue da procriação, não deve ser normal.
Será que ele nasceu de um parto sem sangue.
Será que ele não tem sangue nas veias.
Eu sempre dou valor a mulher num todo.
Admiro sua beleza até nos dias férteis e durante a gravidez.
A mulher é uma guerreira e sente o que um homem não teria coragem de sentir.
O Gande Mestre fez não uma mulher fez sim, uma perfeição de ser humano que deve ser amada de dentro com o coração sangrando de amores e paixões.
Um abraço
mochiaro
Ivete, não é um conto somente, é uma lição que contem no seu bojo tantas lições. Se tivesse eu autoridade para isto pregaria seu
conto nos murais de todas as escolas do Brasil. Pensa que não acontece isto, ou mais ou menos, ainda......
abraço
andre.
texto maravilhoso, depois eu volto.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 25/4/2009 09:57
Minha querida, não foi a menarca que os separou e sim a profunda imbecilidade daquele homem...
Um beijo
Pat
Ivete - não deixe mais ninguem ler... meus zolhos se umideceram lendo seu conto. Não pelo defunto mais morto que vivo. Não de dó da personagem que muito de bom grado se livrou dele. Por que então se umideceram estes olhos como em fase de uma menarca visual? Nao sei... se descobrir eu conto
eu sou um Mitto
Triste, idiosincrático e terrível. Há coisas inexplicáveis nesta vida, que causam tanta dor e tristeza. Você conseguiu por nas letras momentos tremendos de uma pessoa.
Abraços.
É um belo conto, pois mostra como um ciclo natural da vida de mulher prejudicou uma relação e de como magoamos as pessoas por coisas tão medíocres. Por isso, é importante avaliar pequenas atitudes e comentários que podem nos prejudicar infinitamente.
Abraços!!!
Espantosamente triste, será real ? Muito bem escrito, votado !
André Calazans · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2009 22:00
Oie Ivette,
Que ótimo o seu texto.
E quantos casamentos vivem de aparencias.
Gostei.
Votado.
Parabéns
Kisses,
Naith
Ivette querida, muito bonito e real este seu conto. Quantos casos existem assim e que a esposa esconde, por receio ou por vergonha.
Parabens por trazer esta história à baila. VOTADO
Bjs, Mirtes Carvalho
Cara |Ivette,
Muito bem escrito o teu conto...
Parabéns!
Abraços
Sou grato. Luz e Paz. Sempre.
Um grande abraço... Jbconrado
Mulher de atitude! Isso que é mulher... Fez a coisa certa. Deveria
ter feito muito antes... Parabens pelo texto.
votado
Baci
Ivette, que incrível conto, o fato embora pareça surreal, tem muita evidência nos nossos dias, como pode isso não ter sido resolvido, fico pensando...Muito Bom! Bjs.
patriciaborato · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2009 10:33Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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