poema de Cida Almeida
Ela chega num pé-de-vento
E não há cortina que resista
Guerreira em flor de Mina
... menina
Ela mina
Toda mina
Conta Mina
Conta o conto
Desconta o ponto
O poemeio
E o poemar de todos nós
Mina tudo
E mina toda
Mina Marte e mina arte
Ela chega pé de tudo
E já não há cortina
Em nada que havia
Há
E hão passando
Passarinzinzim...
Pé-direito nas alturas
Sofreguidão
Essa queda por palavras
Ventania
Ela chega toda cor
Cores quentes
Laranja flamejante
Lâmina cortante verde
Cortantemente
Cantante, cantante...
Piruetas na ventania
No miolo vivo do redemoinho
Comichão comendo a gente
Palavras vermelhas, vermelhas
Pétalas derretendo carmim
Em mi, em mim, em mil
Sol arregalado
E já habitamos as profundezas incandescentes de Marte
Escorremos vermelim, vermelim
Lim, lim de trampolim
Estrepitosa mina a menina
Da mina rara e funda
Da palavra nova e saborosa
Pétalas vermelhinhas de dizer
O verbo fresco na ponta da atrevida língua
Mete o verbo e mete as caras
Estala e estilhaça
Tontura perfumosa
De palavras vertidas de ventanias
Endiabrada mina a menina
Palavras feitas na ventania
Palavras nuas na ventania
No cabelo do vento ela vai e vem
Vai indo... Vaindo... No cabelo solto do mundo
Indo mundo, endos mundos
Moendo tudo
Moenda Mina
Esse susto no vácuo da palavra
Susto surto de surpresa boa soprando
Janelinhas destrameladas
Ventania de menina
Juli, juli, não juro nada
Julipalavramento
Esse júbilo santificado de vida pensante
Entre os dentes a língua viva
A juba encantescente da menina
A fúria vermelha da leoa
Ruge rouge esses tons e sobre tons
Do vermelho intenso
Do vermelho tenso
Do vermelho denso
Do vermelho desce
Do vermelho tece
Do vermelho cresce
Do vermelho trama
Do vermelho boca
Do vermelho engole
Do vermelho sorve
Do vermelho inventa
Do vermelho venta
Do vermelho pétala
Do vermelho miragem
Do vermelho pulsa
Do vermelho catapulta
Do vermelho língua
Do vermelho palavras brotam
Buquê de flores auras
Baixos tons
Vento brando, brisa, aragem, sopro
Juliauramente jubilo abrindo as cortinas
Escancaro as janelas para a ventania
Da menina que mora muito além do dicionário
No começo ignorado de todos os verbetes
No fundo da caixa mágica das palavras
Palavras que constroem os mistérios
Palavras que destroçam os mistérios
Todos os mistérios do mundo
E brinca de inventar flores da língua
Flores de sínteses que me jogam para o escanteio das antíteses
E não atino com a tese nem que o verbo tussa
O enigma
Mas destravo a minha janela
E o verbo torce bem abaixo de todos os umbigos
E o cavalo sempre de outra cor puxa a marcha
No jardim das palavras ela é o trampolim
Para outras galáxias insondáveis naves fora de ninguém
Via Láctea de divertida gramática
Onde tudo é primeirim de inusitado comecim coçar cochicho
Burburinho só dela, só com ela os relampejos
Farfalhar das línguas ágeis
Deus deflagrado no ato da palavra nova
(O verbo, sempre o mistério do verbo primordial!)
Esculpida para o clarão do esbarrão com o outro
Inevitável
Há que amar o perigo da palavra navalha na carne dos sentidos.
E amamos.
Há que amar o diabim do verbo nascendim.
E amamos.
Inevitável
Esse vício de susto e adrenalina das palavras
Da menina que rasga cortinas e nos arrasta na ventania das palavras...
Aí, aproveito as delícias do desequilíbrio de bêbado nas alturas...
E me delicio na corda bamba das palavras
A queda livre na vertigem das palavras que jamais imaginaria
Palavras que acordam os meus sentidos
Palavras que subvertem os meus sentidos
Palavras que aguçam a minha fome de palavras
Palavras que forjam a fogo outros sentidos
Palavras que vão pintando em mim incandescências
Palavras que vão lambendo a labaredas
Palavras que vão sulcando a lavas
Palavras que vão a grotas fundas
Palavras elementares que correm por dentro
Palavras do leito arenoso do rio grande
Palavras que tocam os peixes cegos
Palavras que quedam nas pontas das pedras
Palavras que lavram a minha língua
Palavras que lavram a pedra da beleza
Palavras que escalavram a pedra grande
Palavras que rolam as pedrinhas das miudezas minhas
Palavras que lavam a minha alma
Palavras que me levam para o olho do furacão
Palavras que me devolvem à brisa leve
Na manhã em que caminho pelo poemar da menina
Com a manha das palavras que ela não esconde
E planta em cambalhotas no jardim das delícias da língua
No jardim da ventania onde tudo é permitido
Os pés descalços na grama tenra da palavra
Verdes esmeraldinhas de esperança na poesia
As delícias de se arrancar com as mãos de sonho
As pétalas da flor do verbo que se conjuga com bem-me-quer
Na ânsia das palavras que fazem em mim verão de andorinhas
No calor das palavras que minam quente da lavra da menina
E de janela aberta reverencio o trampolim
As divertidas acrobacias das palavras menininhas
E me contamino de ventania
Vermelhos da língua viva
A voraz língua da menina que chega e pede palavra
Colho as pétalas e as pedras
Atiro ao vento como quem semeia
Poemeio!
Cida Almeida publicou esse poema no blogue dela, Caixinha de Alfazema, em outubro do ano passado.
Eu o tenho lido, relido e aprendido muito a ser diferente e a me ver diferente.
De certo modo, publico aqui para que lembrem de mim nessa minha ausência temporária que inicia dia 20, com meu embarque para a China, que espero só vá até setembro próximo.
Eu amei esse presente quando o recebi. Amo esse presente até hoje e, como um lindo vestido, também quero que vocês o vejam nesta que posso simbolizar como uma festa de despedida.
São inigualáveis versos de um espírito aberto e espero mesmo que todas as pessoas que o leiam sintam como eu senti, um enorme prazer e um orgulho indescritível de ser assim referida por uma amiga.
Juliaura da Luz Bauer
Salve, Juliaura!
´
É bem que mereces.
E muito mais que for capaz as palavras de dizer.
Vamos sentir saudades.
Abraço Pantaneiro.
A saudade será sentida também daquí do Norte das Minas de todos os barrocos. Quando estiveres na Praça da Paz Celestial minha cara Juliaura, faça uma preçe/paz para mim! Que a proteção dos grandes Orixás cai sobre vós! Axé!
raphaelreys · Montes Claros, MG 20/5/2008 11:25Eu amei!!!Votado com alegria!Beijos cariocas.
nina araújo · Rio de Janeiro, RJ 20/5/2008 15:40
Duas lindinhas...
alfazema pra voces duas mininas...
Nossa, é uma viagem sem volta...é como pisar nas palavras adentrando numa dimensão diferente num universo desconhecido.
Voto que voto!
Quue coiosa amais linda,Julijujuba....heheh(FALTOU ESSE...RS)
Super parabéns à Cida!Maravilhoso poema...super criativo. ..inteligente...sensível...delicado...como a a julinha....essa flor 'perfumosa'...que torna o overmundo um imenso jardim...
Homenagem mais que merecida,minha linda...vc é especial...toda sorte do mundo nessa viagem...nossos amigos chineses estão mesmo precisando dessa energia maravilhosa que vc tem....boa viagem...e até breve.....volte,hein,estamos te aguardadndo,viu?
Adorei o presente que deixou pra gente,obrigada minha linda florazul!!
mil besitos sem ter fim...azuis...
Rai...blue
JULI, JULIAURA
Belo poema! Você merece!
Na dança de meninas, menina "Juli" é imortalizada...
"Menina pé de palavra" (Cida Almeida)...
"Juli pede palavras" de partida?
Para a China! Para a vida... Outras culturas!
Outras leituras...
E a saudade fica! Temporária...
Cida Almeida escreveu com o coração!
Tudo o que sentimos por "Juliaura".
Volte logo menina! "Juli" faz falta...
Boa viagem "Juliaura"!
Cida...
Parabéns!
Beijão!
Lailton Araújo
Juliaura · Porto Alegre (RS)
Menina pé de palavra.
Verdadeira Maratona de Poesia.
Merece ir para as olimpíadas.
Váo haver todas as cores e o vermelho por certo se destacará.
....Vermelhos da língua viva
A voraz língua da menina que chega e pede palavra
Colho as pétalas e as pedras
Atiro ao vento como quem semeia
Poemeio!
Ficou muito bonito e mais do que nunca será inesquecível para todos nós.
Digno de uma Medalha de Ouro.
Valeu e no meu votar estarei dando o merecimento Máximo.
Vale Ouro
Estive correndo por aqui e matei a saudade deixando um só beijo e alguns votos.
Muitos beijos saudosos
Juli, você é muito querida. Me emocionei com o seu poema e com os depoimentos que li. Aquele pedido do nosso Rhapa, por exemplo---então peço que você lembre de todos(as) nós lá na Praça Celestial, como sugere o Tapha. Parabens pelo amor que você expressa no poema. Votos e Bjos, Graça Graúna
graça grauna · Recife, PE 21/5/2008 20:05
Revisão:
...lembre de todos(as) nós lá na Praça Celestial, como sugere o Rapha...
Maravilhoso poema, Juliaura! E, merecido porque você realmente domina o uso da palavra.
Aproveite ao máximo a sua estada na China! Por hora, fico aqui com o poema e na torcida por você.
Beijo
Juliaura, este poema te descreve com perfeição:Vento brando, brisa, aragem, sopro, VENTANIA... A soprar poesia.
China... Que sonho. Poemas vermelhos virão... rss
beijo
Viva, Juli! Com as palavras que acordam os sentidos, com a fome de palavras, com as palavras que lavam a alma. Ih, lá na China deve dar uma fome de palavras! Volte logo, Juli. Mas não volte muito chinesa, não. Dizem que a gente se transforma, credo!
Um belo abraço!
Juli, uma bela e justa homenagem. Parabéns! Abs
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 22/5/2008 01:05
Que poema bacana! Toca e envolve.
É pra ser lido e relido.
Mil felicidades...
Deixo os meus votos (com prazer).
Juliaura e Cida.
Duas almas sensíveis, dois corações que derramam pelas suas finas paredes palavras que emocionam, fotos que nos apaixonam.
Que sua ausência passe rápido como os ventos das tardes.
Beijos
Noélio
Juli,
Viaja com Deus; leva a tua palavra; traga das palavras correntes
nas terras outras o sentido daquelas palavras; mistura de todas
as virtudes e volta - bela, formosa, virtuosa,
beijão
andre.
Obrigado pelo convite...papy da Juli!!!
Boa viagem p Juli!!!!
Amei...Cida Almeida deve ser um pessoa muito especial!!!
Beijos p todos os 3 !!!
Segui o rastro do poeta para me deleitar nesses versos que derramam uma linda homenagem e nos deixam uma mensagem a ser absorvida... Desejo a você uma boa viagem e que volte logo para nossa companhia nos abraçando com seus belos textos... Nesta despedida sinto saudades em doces lembranças de carinhos teus espalhados em versos por esse caminho que sigo colhendo pétalas de uma rosa em teu nome...
Querida Juli:
Lindo poemo_Linda Juli como tu és
Emocionante_Apaixonante como tu és
Vibrante_Colorido
Amor_Sentido
Tu mereces
Beijos_Meus*
*
OI... Julinha , quando a China á encontrar vai ser uma explosão. Uma experiência que vais guardar e nos brindar com tuas inteligentes impressões. Que tuas asas voem !. Uma ode inspirada em teu ser. Parabéns a todas (poetaemusa) .Abraços
analuizadapenha · Natal, RN 22/5/2008 18:00
Menina Juliaura,
Cida caprichou.
Bons ventos a levam.
Sucesso! Abraços,
vermelhim, vermelhim de beleza de versos...
belíssimo!
abração,
Muito bonito. De prima, ADRO!
- Como vai a recuperação?
- Que a JU volte logo.
Abçs.
Cida,
Quem diria! Meninha espevitada virando musa, assim, sem nem fazer vestibular. O pai criador está babando de olho arregalado de coruja que é.
Abs
Cheguei! Com rabo quente e sem chimarrão em Pequim.
Juliaura · Porto Alegre, RS 30/5/2008 15:59
Adroaldo e Juli, a chinesa,
ainda que tardiamente, obrigado, amigo, pelo convite. E que poema! Juli deve ter ficado ainda mais vermelha com tanta beleza. Ainda mais (d)escrita por quem: Cida, Cida Almeida, a poeta que canta e encanta, que ama as palavras e delas priva a mais íntima intimidade e com elas brinca e pinta o sete e pintassilga nos jardins de Cora linda. E frutifica nas quintas ora Quintana, de menina traquinas, ora Drummondiana, como se nos percorrendo os sentidos com traquintanas antigas, transcendentes minas. Cida, Cida, cítara amanhecida em (di)versos versos, sempre pura poesia, viço, vivacidade. Como a de juli, aura de carmin, juli, aura vermelho-junco, juli enfim poema no pôr-de-sol-nascente, tranfundindo-se em juliana-dos-jardins do outro lado do mundo, longe do chimarrão, das minudências da terra, do frescor do minuano, do vinho que aquece o frio às margens do Guaíba. Agora todo é saudade às margens do Kunmimg, ou nos jardins do Palácio de Verão, ou na Praça Praça Tian'anmen, a dita Celestial, na milenar Beijing. Parabéns à Cida e boa viagem, Juli. Até a volta.
Bjs. em todos.
Nivaldo, lindo amigo, querido e amado, quanta saudade de estar mais por aqui e contigo e com tantas pessoas amigas, mas o lufa (viu vovó!) não nos deixa tempo para o passo lasso e o compasso se abre e vem o cansaço e tem ainda o raro fuso horário que ainda me deixa difusaa, obtusa e confusa e nem sei pensar em alemão, que agpora já estou terminando, em dezembro o estágio da DW, em Berlim, de olhinho espichado para um estágio no Japão, mais certo que uma possível, quiçá, talvez aventura bretã, após essa alemã, em terras cercadas dágua (que me cago toda de medo e escorre a urina pela perna só de pensar-me embarcada, numa nau tão insensata, como o bote da Lucy, aquela que está nos céus com diamantes). Ia dizendo que posso ter um estágio na BBC. Aí seria de voz, de rádio-falante, não de canetinha. No japão seria em televisão, essa coisa fria. Qualquer dia, acabo (no boms entido) sem sentidos no pólo m(quando aprendi isso teinha o diferncial do tal polo, pássaro que nunca sei se alguém viu) Ártico, bebendo aquela ceva num iglu.
Aproveito a passadinha, que sou passada mesmo di assim pra convidar quem não o fez a baixar o arquivo da novel da papá Bauer: O Dia do Descanso de Deus, aqui e di grátis. eu gostei do gesto.
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