Além dos sonhos imaginados
eu carreguei meus escombros
no gesso
no osso
na fossa
até bem próximo do teu ombro
convalescendo viajei pra te conhecer
retornei doente pra te amar,
fiz errado o que pensava certo
pra mais te merecer
até uma trilha de esforço
o corpo em frangalhos cometi
eu errei e pedi perdão, te perdi
sou zoado e acusado sem dó
sem perdão, de apenas inação
De fato, não fiz muito por te merecer
Dia haverá em que aprenderei a amar
Espero breve, muito antes de morrer
***
Viver por sim
amar por sim
cantar assim
será noite
será dia
não será açoite
apenas folia
*****
amor não rima com rancor
Se apagada agora, escrita estivera.
Se excluída está, incluída era.
Se ignorada se pensa atenção tivera.
Se abandono há, acompanhada fora.
Se agora nada importa, então não importara.
É desamor a razão da negação do perdão
Entenda-se o passado sem o renegar
Houve luz, brilho, riso, paixão incensada.
A inteligência recorda e anima minh’alma
Lá, num vão escuro da memória, está jogado
Meu amor, meu coração espezinhado.
*****
Ai de mim, nem o sol se põe mais assim
Em algum lugar no passado
[apenas no meu passado]
Medrou em mim grande amor
Não se resolve por desilusão
Nem se dissipa se assim for
É hoje um amor rejeitado
Não mal me queira, então
Mesmo sem ter me amado
entre o pensado e o fato
há hiato,
muita vez escuridão,
outras, pura emoção.
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