Lançar-me ao mar sem medos, sem receios.
Esse que invade, inunda, que consome.
E nesse abandonar perder o nome
nos ventos, oceanos, devaneios.
Se quando me lançar em toda parte
o meu desejo vão, a minha sorte
seja escrever num sopro, em qualquer arte
que possa me guardar, eterna, e forte.
Recortes do meu ser na viração,
no que restar de mim, qualquer canção
levada pelo vento em maresia.
E diz de mim num verso e logo passa
se tudo cai no tempo e sua devassa
que o amor guarde meu nome na poesia.
Sandra Fonseca
www.asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com
Soneto classificado no 8º concurso de poesia da Universidade Federal de São João Del rei - MG, para lançamento em antologia em julho de 2008, durante o evento "Inverno cultural 2008".
Nossa, que versos fortes, adorei, minha singela contribuição com meus votos. bjos.
Cristiano Melo · Brasília, DF 16/5/2008 11:19
Se quando me lançar em toda parte
o meu desejo vão, a minha sorte
seja escrever num sopro, em qualquer arte
que possa me guardar, eterna, e forte.
Sandra,
Poema belo e forte.
Esta estrofe está perfeita.
Um abraço
EG
votado
Precisamos nos lançar ao mar, sem medo...
Navegar importa.
Muito bom, Sandra.
beijos.
"Recortes do meu ser na viração,
no que restar de mim, qualquer canção"
beíssimo sandra...tudo...todo.
um beijo
votado com louvor
samuel
Que posso dizer.. Alem que maravilhoso, adorei
votei.
Parabens. abraços.
oliveira-elio-@hotmail.com
Lindíssimo Sandra, agradeço se conseguir divulgar a votação de poema "Visceral", visto que o prazo está acabando..abraços poéticos..
luz de sempre · Maceió, AL 16/5/2008 12:22
Como é bom numa sexta-feira, dia de Vênus e romances proibidos, ler versos tão lindos. Bjs
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 16/5/2008 13:40Lança-te em toda a parte...Mas escreva sempre.Meus votos e carinho
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 16/5/2008 14:43
Sandra,
Obrigada pelo convite.
Estou aqui e ressalto o último verso:
(...) "o amor guarde meu nome na poesia".
Beijos e votos,
Regina
Tecnicamente perfeito este seu "Meu desejo". Construido com versos heróicos, acentuados na sexta sílaba como se quer nos bons decassílabos. O esquema rímico é bastante interessanta: ABBA - CDDC - EEF - GGF.
Já no primeiro verso, percebe-se o impulso de renovação, uma vez que, sabidamente, o MAR é símbolo da dinâmica da vida. Lugar dos nascimentos, das transformações e dos renascimentos. Mas no segundo, vê-se a oposição latente a esse enunciado. Isto é: "Esse que invade, inunda, que consome." Ao mesmo tempo que o "Eu" lírico quer-se deixar levar pelas ondas, há um certo acento depressivo, um fio de insegurança e pessimismo. Mas essa ambivalência vem do mar, que também sinaliza para um estado transitório, que é o de incerteza, de dúvida de indecisão, e que pode se concluir bem ou mal. "Vem daí que o mar é ao mesmo tempo a imagem da vida e a imagem da morte". (in Dicionário de símbolos).
Só que a aventura, a que se 'entra de cabeça', ao ponto até de se passar por cima de sua própria identidade, negando-a, sabendo, como poeta-fingidor, que a sua sorte "seja escrever num sopro, em qualquer arte/ que possa me guardar, eterna e forte."
A dicção prossegue em tom nihilista, em sua "viração", o que talvez os lacanianos certamente chamariam de 'revirão', num crescente remexer, até o 'último resto' do c'est moi que se evanesce dissolvido em maresia.
Depois de toda essa purgação, devassas, o sentimento de culpa logo passa, no esquecimento temporal versus o insight de que tudo por aqui é transitório e que não vale a pena ficar remoendo chagas antigas. E qual a penitência? A oblação, então? Vem exatamente pelas salvíficas águas da poesia, que no amor inscreverá esse "eu" nominal, que não é outro senão a sina, na confraria dos apenados a escrever ad infinitum.
Por fim, gostaria de ressaltar dois versos|. O belíssimo e perfeito: "levada pelo vento em maresia", e o que encerra com 'chave de ouro':"que o amor guarde meu nome na poesia".
Como sugestão, para que o seu soneto realmente fique sem nenhum senão, colocaria ao invés de "na" poesia, "em" poesia.
"que o amor guarde meu nome em poesia" fica muito mais poético, mais forte, e mais musical. Não é que esteja errada a contagem silábica da palara poesia. Apenas está forçada. É isso, querida Sandra, minha irmã em poesia. Parabéns!
Ternura e carinho
Oi, Sandra!
Excetuando o que diz Anibal,
seu poema é de prima!
Parabéms!
Bjs.
Cristiano, Edimoginot, Nydia Bonett,Samuel, Cinthia,
Obrigada por receber tão bem minha poesia cuja única pretensão é a expressão dos meus sentimentos da vida e do mundo.
Obrigada.
Elio, Luz e wander,
O melhor incentivo de quem escreve é a generosidade do leitor.
Beijo de obrigada.
Falcão, Clara e Regina,
Obrigada pelo carinho da acolhida.
Beijos.
Caro poeta Aníbal Beça,
É um a honra imensa receber o seu olhar crítico e generoso sobre o meu texto poético.
Aprendo com prazer e mais força me impulsiona à escrita.Acatada a sua sugestão quanto à "em poesia".
Obrigada.
Abraços.
Um soneto perfeito, como perfeito é o comentário de Aníbal Beça.
Sandra, sinceros parabéns!
Parabéns,Sandra,pelo belíssimo soneto!!
Sou apaixonada pelo mar...senti-me totalmente envolvida por ele...em seus versos...
'Recortes do meu ser na viração,
no que restar de mim, qualquer canção
levada pelo vento em maresia.
Lindo demais!
bjks azuis..
Rai...blue
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!