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Meu Livro que Não Saiu
Rica P · São Paulo (SP) · 31/5/2006 15:41 · 75 votos · 9 comentários ·  
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overponto
Ontem ia à padaria e esbarrei com meu livro que não saiu. Ele vestia falta de banho, com manchas de cinza em tons de marrom. Meu livro que não saiu me pediu uma esmola. Não tinha moeda. A gente devia é dar tudo, a carteira, a roupa do corpo, ficar só de cueca e ainda pedir desculpa. Mas a gente é duro. Só uma moeda, senhor. A culpa não é minha, eu votei certo, quer dizer, quem imaginava que esses caras iriam cagar tudo? Meu livro que não saiu fez um olhar esquisito, quase vago, quase perdido. Que espécie de assombros invisíveis estaria sentindo? Voltou das trevas em segundos. Pensei: o que vem agora? Mas não veio. Disse ao meu livro que não saiu que ia até a banca comprar o jornal do dia, ver as últimas nojeiras. Aí sim, teria um bom trocado. Acabei por pagar-lhe um almoço. Depois do que li na manchete, era o mínimo.

Enquanto ele garfava um naco de carne, pensei em amigos.


tags: São Paulo SP textos-ficcao
 
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Autoria   Rica P
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Muito interessante esse texto, um pouco melancolico, mas nem tanto, parece um sorriso amarelo!!!!
Marcela Fells · Belo Horizonte (MG) · 28/5/2006 10:05 
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Muito bom...Achei engraçado, inteligente e bem construído - parabéns! Vou votar quando tiver na próxima etapa.

J.
JuliaD · Rio de Janeiro (RJ) · 29/5/2006 04:24 
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Balbino nossos livros não mentem. E VIVA Gogol !!!!!
Balbino · Cuiabá (MT) · 29/5/2006 12:56 
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Balbino, pior que não saber é não perguntar, então: não entendi o viva Gogol (nunca li), e fiquei curioso...

Obrigado aos três!
Rica P · São Paulo (SP) · 29/5/2006 21:35 
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Gostei!
Fábio Fernandes · São Paulo (SP) · 30/5/2006 07:38 
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Balbino Rica p, Gogol é um escritor Russo, 1809-1852, maluquinho e genial, indico "Almas Mortas", "o Capote", e "o Nariz" donde me influenciou o VIVA Gogol. é isso, Valeu mano.
Balbino · Cuiabá (MT) · 30/5/2006 11:37 
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Ok, Balbino, vou atrás. Obrigado!
Rica P · São Paulo (SP) · 30/5/2006 14:59 
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Não é um sorriso amarelo como foi descrito por alguém que li. Na verdade..bem na verdade...é um ótimo texto, que trabalha com o inusitado ato de falar de uma coisa extraída de si por intermédio de uma coisa vivida por ti. O que posso dizer??? Fiquei surpreso e feliz por isso. O texto reflete, repensa o ato de escrever através da vida de cada pessoa que passa pelo escritor e que de alguma forma interfere no texto escrito - ainda que sobre esse não tenha nada formulado. O texto é muito bom e inspira mais coisas, coisas, coisas...ele é ontológico
Soul Sócrates · Salvador (BA) · 1/6/2006 16:00 
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melancólico, mas forte, pungente. Gostei também!
Idelber · Belo Horizonte (MG) · 20/9/2006 02:05 
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