Durmo
à toa
carrego em mim
o narcótico que me atordoa
que me intimida
ao tal ponto
que desfaleço
Durmo
a qualquer mimo
que sofro
a qualquer vento
desmaio
desmonto as folhas
como uma carreira de dominós
desmorona
ordenadamente
soldadinhos em forma
caindo com um peteleco
Pudica
enrubesço quase
ao toque de qualquer coisa
‘Sensitiva’
dizem sobre mim, à boca miúda
como se eu fosse uma vidente
destas que se enclausuram
após prever todas as tempestades
Bobagem
Apenas durmo
e sonho
sonhos verdinhos
que depois florescem
Spirito Santo 2007
Você abre, então, meu ouvido para o sentimento daaaa flor.
E com sensibilidade tal, que não sei onde está a voz da flor, onde está a alma do poeta.
Belíssimo. Delicado.
beijos
Saramar,
mais uma vez, muito obrigado. É você quem sabe a alma das pessoas.
Spírito, tamanha inspiração só podia de vir do Santo Spírito, que inspirou também nossa querida Saramar.
Achei lindo. Lembrou-me a sensiblidade feminina de Chico Buarque. Não sei porquê. Beijo grande.
Joana,
Reparando bem, tem sim, algo de Chico Buarque. Ali nos primeiros versos então...
Que bom vocês gostaram!
Spirito, que lindo!!! Trazendo a dormideira, que eu cansei de fazer dormir, o que vc me trouxe foi a poesia da infância e a saudade tremenda dela. Nossa, nunca mais vi uma delas. E nunca mais vi também um vagalume. Como é que as crianças de hj se viram sem dormideiras e vagalumes? E não é que mimosa pudica é um nome propríssimo pra essa plantinha fofa?
Lindo mesmo. Amei.
Ize,
Pela dormideira agradeça a Juliaura, nossa criança de plantão. Quanto ao vagalume (não parece algo extra terrestre?), a gente agradece á Deus (ou a mãe natureza, ao big bang).
Abs,
O Spírito,
Primeira vez aqui. Maior legal heim?
Primeiro poeta que interpreta a essência floral que eu conheço, e com propriedade!!!
Muito legal!
Honra de ser o primeiro.
É como ser o segundo pai da crinça.
Sabe como é, quando ela é bonita todo mundo quer ser o pai!
Pois é, Marcos,
Filho (a) feio (a) não tem pai. sempre tem mãe (s) contudo
Na verdade nem mãe tem,
Feio mesmo é regalo da rua!
Marcos,
"..Regalo da rua"? É gíria de matogossense, não é? Traduz aí, pra gente.
Não, é uma alusão aos filhos feios e pobres do Quenia. São milhares de crianças completamente abandonados pelos pais, vivendo ao "regalo da rua".
Essa junção doida de palavras (regalo da rua) inventei agora para ilustrar o comentário.
Sei lá... Acho que ficou legal. Não sei se diz muita coisa mas ficou bonito de falar: "Regalo da Rua" rsrsrsrs
Spirito,
Saem desse verdinho para nos alegrar com tal majestosa e imune beleza. Parabéns por nos trazer esse olhar diferenciado com uma escrita afinada e sútil.
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