Mais uma dessas nostálgicas crônicas da vida de um só ser.
Estrupiado após a labuta diária que se revesa entre disparos, instantes, contas, pranchas, reproduções isométricas e cavaleiras, lá está ela. Isolada em seu mundo, calada, ela se mostra ingênua e pura até o primeiro contato. Da solidão, surge uma precipitação e o despertar de sua elétrica euforia. Carinhosamente a chamo de minha puta. Uma leve carícia em uma de suas partes e ela parece tomar vida. Acorda ao mundo de seu sono negro e profundo e desesperadamente surge a necessidade de desnudar-se. Entregar-se de corpo e alma ao toque.
Entediado, continuo explorando-a. A conheço há muito tempo, mesmo assim, ela ainda se mostra inexplorada e inédita para mim(A palavra inédita é colaboração da estupenda Mylle Valenka). A excitação que surge faz meu humor variar da solidão para o conforto. Essa companheira, carinhosamente chamada de Puta - sei que ela gosta quando a trato assim - se mostra como uma parceria perfeita. Inusitada, extrovertida, pessimista, arrogante, cruel, pavorosa, amante, prazerosa, inteligente, fútil e educativa numa só pancada.
Depois de me aproveitar deste primeiro contato, reencontro-me só. Talvez apenas um banho quente me dê mais ânimo que ela própria. 5 minutos são suficientes. Limpo e parcialmente rejuvenecido, esqueço-a em seu canto. Ela continua a me chamar, desesperada. Canta, me dá notícias de seu dia. Ignoro-a, talvez existam coisas mais interessantes pro momento.
A velha combinação entre tônica e café me destroça. O cansaço diário perde fôlego para algumas horas penduradas na mesma janela que dá de cara para o mundo, meu mundo. Até o enfado se torne maior que a vontade de ver o que a luz me traz. Lembro-me dela, queta, chorosa, isolada em seu próprio universo a me esperar. Acaricio-a novamente, outro toque e ela está lá - altiva e esguia. Preciso deitar-me com ela, pois, sem ela eu não consigo. Minha pouca atenção a deixa isolada a me falar e a me querer. Mesmo assim sem muito contato ela me assiste e me faz dormir. No final das contas que bom que tenho algo assim. Minha puta Tv.
Isolada em seu mundo, calada, ela se mostra ingênua e pura até o primeiro contato. Da solidão, surge uma precipitação e o despertar de sua elétrica euforia.
i é uma puta cara heim?!
nos priva de tantos encontros reais...rsrs
otimo texto. valeu!!!
bjssssssss;)
É isso ai,
na falta de outra...
espanta a solidão.
bjs
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