Olhando pela vidraça,
seus olhos sonham distâncias –
artefatos, artifícios,
engasgos, ardis da vida?
Na solidão da moldura,
o momento aprisionado.
Nos cabelos, mãos de vento
desmancham o penteado.
Recompõe-se em segredo,
debruçada na janela.
Quem saberá do enlevo,
que, secreto, a embalava?
Flor de chumbo se estampava,
já pejada de pesares
(o sol atravessa as pedras
e se move em sua face).
Leve esboço de cansaço
abateu seu olhar lasso
(do que lembrará agora,
essa mocinha imóvel?).
Será que é amor perdido?
Uma paixão por nascer?
Haverá algum pesar
de querer por não querer?
(Morrerá qualquer espera,
finarão guerras, idéias...).
Ao sopro de uma vela,
conto agora da menina :
olhar sem tempo e sem sina
velando, ao pé da janela.
Passando pela rua ddiviso um vulto feminino na janela de um casarão de 3 andares. Casarão em ruínas. Moça muito bela num fim de tarde que já se anunciava. Quem será essa moça?? Não ficará anônima, pensei eu.
Uma das mais nobres tarefas da poesia lírica é salvar o instante que passa dp esquecimento. Contar a história de quem não tem voz. Desencavar identidades perdidas.
Amar.
excelente construção, bela poesia
beijo,
sonhar distâncias: humm!
isso tem algo de imensidão
e ao mesmo tempo (sonhar concomitâncias)
algo de inalcansável...
poema imenso!
nos toca por dentro!
volto para mais...
um tanto soturna porém muito sofisticada.
o canto é doce e gosotoso - como no ubi sunt -; me o equilíbrio e a elegância de william blake. parabéns! bem votada.
bj
camacho
Muito bom! Apreciado e votado!
Paulo Esdras · Brumado, BA 1/12/2008 17:46
BridAmiga,
Nos presenteia com tão belo poema.
A Alegria em ler só a alegria do Encontro.
Beijos,
Regina
Belo brinde, Brida. (Grato pela deixa Regina)
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 2/12/2008 09:04
Bárabaro, Brida.
Algumas das "tarefas" da poesia: "Salvar o instante, ser a vóz dos que não a tem, desencavar identidades..."
Gosto também de lembrar sobre o o "poder transformador" da poesia. Ela pode, transformar pessoas, grupos, sociedade.
beijo!
Belíssimo, Brida!
As mesmas mãos de vento agora parecem me estapear, me acordar para a sua cena. Seus versos pintaram em mim a vontade de enxergar o que enxergou você.
Abraço enorme!
Carlos ETC
http://interludios.blogspot.com
Carlos, obrigada por ter gostado da forma de minha "Moça...". Aí é que se situa a prova dos nove ds poesia. Inspiração... pode passar. O que fica é o que é vestido de linguagem.
Beijo e abraço de,
Brida
Ô Fernando! Cade você? Fui te visitar, neguinho (como se diz por aqui na Bahia com H).
Obrigada por suas alentadoras - sempre - palavras.
Beijinho de,
Brida
Brida querida,
Na solidão da moldura,
o momento aprisionado.
Lindo teu poema amor paralizado,beijos.
Claudia
Parabéns! Um belo poema, construção maviosa, excelente técnica! Gostei muito! Abraços.
Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 3/12/2008 12:29
É a essência da Poesia materializada nesta bela imagem: "Moça na Janela".
Luz e paz. Sempre.. jbconrado
Imagético seu trabalho e de construção cuidadosa dentro das técnicas e da alma sensível do eu poético. Lindo, mágico, fantástico.
Ecila Yleus · Recife, PE 11/12/2008 09:05Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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