Fotografia: Ana Mokarzel
"Chora-se aqui por feitos desumanos..."
Trecho da Divina Comédia (Canto XII) por Dante Alighieri.
1.
A fina flor pendula
o elmo da espada em movimento; esvoaça-se.
Ácidas chuvas circundam caidinhas palavras
e se afugentam para o moinho das ruínas abandonadas.
- Divina e providencial arquitetura do poeta é?
– Não! Há um veneno de lã em gotas
que admite o gozo-coalho; compadece-se!
2.
Cá em baixo, o labirinto é sedutor, insaciável...
há um deus solitário tropeçando em prantos,
que não elimina ódios e nem recauchuta verdades.
Seus pés admitem calos,
transportam dúvidas, instigam convencionalismos;
ai, quão ilegítima é a certeira flecha do pensar!
Ânsia da genuflexão repartida
em quatro.
3.
Oh vingadores do amanhã,
salvai-vos da fúria que anima o enciumado machado!
Mesmo que a dor seja irremovível,
mesmo que o papel seja de lágrimas talhadas,
ai, jamais se desfaçam dos poemas maiorais.
Poetem... poetem...
são vós mesmos os vivos pentagramas do delírio,
únicos embriões com testículos flutuando
sob a órbita vaginal do não-definido,
capazes de salvar pequenos homens sitiados
dentro de claustrofóbicas palavras,
e depois arremessá-los para além do íntimo de mim,
que não se cansa de apartar os maus estigmas.
4.
Cá, mísseis repletos de babas inumanas
sopram moendas,
lubricidades das sombras de nós mesmos
pendem à esquerda do olhar de penetração...
onde vaga-lumes afugentam dores e fomes,
onde lentes desfocadas fogem do dia esvaziado
e onde força e tropeço remastigam regurgitados corpos...
porquanto são como disparos de vidas a silenciar o medo;
silhuetas de agora cujas lágrimas são como fragmentos
de inatas lembranças, que vivem para amamentar lésbicas contramarés
de cada embarcação adormecida.
5.
Artífices! Visionários!
- Tão somente bosquejar fala-verdades,
não conflagra corpos superabundados.
- Tão somente emudecer beijos-munição,
não impede a poesia de vos humilhar à distância...
6.
Oh nata decomposta!
Afastem-se da aurora que mofa desmentida...
concedam-me o poder de impedir
a fada madrinha de deslacrar o lacre do destino,
posto que da sua deidade haja de nascer novo greto
e sustente o segredo da ilusória boca:
gumes que aliciam lubricidades poéticas
- a me sobejar!
Benny Franklin
Dane...Dante...
Hoje estava a pensar sobre Rodin...
O que falar...???o silêncio agora é tamanho por aqui.
Bravo!
bjitos OS H F
Hum...Lindo...
Estou pasma!
voto é pouco...bjus
Que beleza, Benny!
Viver a divina comédia humana, onde nada é eterno... Será?
As palavras se eternizam. As de Dante se eternizaram... As dos grandes poetas também.
Sucesso!!!
Querido Benny:
PARABÉNS!
"Oh nata decomposta!
Afastem-se da aurora que mofa desmentida...
concedam-me o poder de impedir
a fada madrinha de deslacrar o lacre do destino,
posto que da sua deidade haja de nascer novo greto
e sustente o segredo da ilusória boca:
gumes que aliciam lubricidades poéticas
- a me sobejar!"
Teu talento vem do divino a nos en_cantar.
Uma interminável alegria para compartilhar contigo: teu "Livro de Poemas", quase assado.
Avise... Gosto quentinho! rsrsrs
Beijos_Meus*
*
Tomastes caminhos dantescos meu caro Benny! Deuses solitários caminham nos Hades em busca dos que sofem pela incerteza! Hó vós que aqui estais...Perdei todas as esperanças! São lembranças das escarpas, das veredas e dos portais que vagastes em outras eras
raphaelreys · Montes Claros, MG 4/3/2008 08:28
caro benny, gostei muito desse poema... uma epopéia do ser humano... Votei
teprimola · Brasília, DF 4/3/2008 12:13caro benny, muito bom o seu poema...lembra-me, guardadas as duiferenças de estilo e época,o grande augusto dos anjos... meus parabens e meu voto
danlima · Brasília, DF 4/3/2008 12:18
Ótimo poema a nos enlevar e conduzir por caminhos arquetípicos, a conviver com o homem na sua aventura milenar, despertando memórias atávicas do que não se viveu mas que impregnou-se nos cromossomas:
""Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças." (Augusto dos Anjos)
Parabéns.
abraços.
voto
Hoje tive a oportunidade de lê-lo. Senti um prazer em ter esta oportunidade através do Overmundo. Não posso me dizer expert em algo, mas literatura é o que você faz. parabéns. E vida longa ao poema de Benny.
Regina - poesia em volta · Volta Redonda, RJ 5/3/2008 16:08
Benny,
Li, gostei e votei.
Abraços,
Regina
"Poetem... poetem...
são vós mesmos os vivos pentagramas do delírio..."
Perfeito seu poema ,Benny!
Grandioso!Dantesco!!...Amei a temática..e a estrutura solta...livre e intensa...
Bravo,poeta!!
Grande beijo azul!
Rai
Eureka!... Bradaria o mais incansável dos alquimistas da palavra quimérica... Esta que vos brinda com a surpresa lida após cada palavra justaposta... Essa mesma palavra que nos arremete de encontro ao mais insuspeito dos labirintos humanos... Guarda meu exemplar do melhor da beatpoesia dos transtempos... Acaso de acometer uma folga em teu concorrido tempo, estou em edição com http://www.overmundo.com.br/banco/brincando-de-deus... Abraços...
Pepê Mattos · Macapá, AP 9/3/2008 01:45
Teus poemas são todos maravilhosos!!!
Feliz aniversário !!!
Mil beijos !!!!
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