Não fui eu. Nem conhecia essa menina. Não faço essas coisas, imagina, uma menina tão novinha, tinha o que, nove anos? Oito? Imagina, sou casado, tenho um filho quase da idade dela, pelo amor de deus, seu delegado. Doutor delegado, desculpe. Eu também sou doutor, o senhor sabe. ClÃnico geral. Dezesseis anos já. Mas não fui eu. Eu nunca faria uma coisa dessas, coitadinha, estuprar a menina e depois afogá-la no rio? Que barbaridade, que crueldade, quem fez isso tem que pagar, tem que sofrer muito na cadeia. Virar mulher na cela. Ou coisa pior. É, a vida é assim. Coitada da menina, tão novinha, tão bonitinha, morrer assim tão machucadinha, apertadinha, sufocada. Estrangulada e afogada, tadinha. Tão lindinha. Como eu sei que ela foi estrangulada antes? O senhor mesmo disse, não disse? Não?
Para Dalton Trevisan
O melhor de tudo é as insÃgnias que o sujeito apresenta de si de modo a definir-se como inocente. Puro esforço sofÃstico por autoridade deslocada.
Bárbaro - em tantas acepções da palavra.
Sua definição foi ótima!
Obrigado, Pedro!
Essa série tá ótima. Que venham mais arquétipos.
Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 6/11/2006 01:44
Muito bom! A expressão facial do dito doutor depois do desfecho é que mais ficou na minha cabeça, imaginei imediatamente o cara suando, o desespero, a expressão de prazer, maquiada de indignação virando expressão de pânico...
Abraços!
É.
Também viajei nessa imagem da Ana.....
Muito bem arquitetado esse texto, Fábio!!
Uau, Ana, você pintou uma imagem que eu próprio não poderia ter descrito melhor!
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 7/11/2006 14:35
e o monstro se destrói sozinho, sem ajuda de ninguém mesmo...
Bia Marques · Campo Grande, MS 7/11/2006 14:46Arrepio na espinha.. úi.
Fada Amina · Teresina, PI 23/11/2006 20:56Geralmente, na vida real, pode até demorar, mas o monstro de verdade acaba sendo o responsável pela própria derrocada - nem que seja uma derrocada interior, daquelas que só o sujeito sente.
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 26/11/2006 11:28E Trevisan ficou embevecido. Acho que arrepiou também!
cris gonzalez · Rio de Janeiro, RJ 15/12/2006 17:21Ah, Narciso impossÃvel !
cris gonzalez · Rio de Janeiro, RJ 18/12/2006 15:41
Eu já disse em algum outro lugar que à s vezes fico impossÃvel!
;-)
Vou comprar um container de dorflex. :/
cris gonzalez · Rio de Janeiro, RJ 20/12/2006 10:23Dói uma dor impossÃvel?
cris gonzalez · Rio de Janeiro, RJ 20/12/2006 11:08
Como dizia São Paulo, "Para Deus nada é impossÃvel".
Ou, como dizia Claudio Zoli (que está bem mais próximo de nós), resumindo com muita propriedade: "Nada é impossÃvel".
O Zoli não é também aquele que dizia "um brinde ao destino"?
cris gonzalez · Rio de Janeiro, RJ 20/12/2006 14:16
Fantástico!
Sua prosa é mesmo deliciosa, meu velho.
Tenho que comer um bocado de feijão branco com dobradinha pra chegar lá....
(mas isso não é problema, pq feijão branco com dobradinha é meu prato predileto)
abraços do verde glutão de prosa e dobradinha.
Putz! É o prato que eu mais DETESTO na face da Terra! Acho que até sou capaz de encarar uma buchada de bode (bom, que também é dobradinha de certa forma, mas enfim...) mas feijão branco com dobradinha não dá.
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 10/1/2007 14:10
Hahahahahaa... é sério? Mas que coisa...
Os gostos são realmente algo bem variado neste planeta. :D
Ainda bem. :D
Quanto às buchadas de bode, ou o sarapatel, e outras deliciosas bizarrices culinárias... eu as adoro todas :D
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