Morena do Sol

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Alexandre Lana Lins · Belo Horizonte, MG
24/6/2008 · 84 · 10
 

Dênisclelto saíra da escola atrasado, era quase meio-dia, mas ficou de castigo por causa de umas travessuras que tinha feito em sala de aula. A professora não teve dor e piedade e deixou-o em sala copiando a frase: “Sou um menino bom” cem vezes. Revoltado, Dênisclelto saiu correndo de sua escola e passou em frente à igreja matriz, olhou ao relógio e viu que era quase meio-dia. O sol já apontava o calor que iria fazer naquela tarde em Piranga.

Uma tranqüila cidade e também rústica. Cresceu andando de bicicleta pelas ruas de bloco no chão e ouvindo histórias maravilhosas dos mais velhos. Daqui um mês iria completar 13 anos e Dênisclelto já estava descobrindo os mistérios da juventude.

Ao entrar em sua rua, avistou o morro que o presenteava com a paisagem. No alto do morro, uma velha árvore. Uma árvore que foi atingida por um raio em uma tempestade e por isso deixou metade dela morta. Portanto, a outra metade tinha flores e na outra a coitadinha era seca. Pareciam os dois caminhos que a vida lhe indicava. Olhando para tal árvore assustou-se com o badalar das doze horas. E viu um vulto lá no morro, perto da árvore.

Parou e fixou o olhar na árvore. E viu... Viu uma linda morena vestido com apenas alguns panos e dançando embaixo da árvore. O sol do meio-dia o fazia enxergar mal a bela morena e por causa da distância, não via o seu rosto. Mas era bela! E sensual! Naquela noite não dormiu, pensava o tempo todo na sua morena. A Morena do Sol.

Todos os dias, Dênisclelto fazia uma travessura em sala de aula para ficar até mais tarde na escola. Copiava com gosto: “Sou um menino bom” e quando terminava saia da escola como um vento e esperava o badalar das doze horas da igreja. Ao meio-dia em ponto, a Morena do Sol aparecia debaixo da árvore no alto do morro.

Assim passou um mês e o rapaz resolveu conhecer a tal morena e descobrir os seus mistérios. Destemido, saiu da escola no horário do recreio e pegou um atalho para subir até a árvore no alto do morro. Invadiu terras e pulou cercas, sujou os pés no barro e caiu várias vezes na subida íngreme. Enfim, com suor no rosto e cansado, estava debaixo da árvore e se escondeu atrás de uma moita.

Dormiu. Acordou assustado, com o badalar das doze horas. Dênisclelto espiou por de trás da moita a árvore e esperava pela morena. E ela estava lá. Vestida apenas com um pano, dançava debaixo daquele sol. Seu cabelo preto dançava junto com o vento... O rapaz estava apaixonado com tanta beleza. Parecia ouvir a música que ela dançava. Não agüentou mais, queria pega-la, beijá-la, amá-la... Mas acordou. Estava jogado naquele chão de capim. Olhou por entre a moita e não viu a morena. Olhou o relógio... Doze horas e um minuto. Cadê ela? Cansado, levantou-se e resolveu ir embora... Mas debaixo da árvore encontrou o pano que vestia a sua morena, que vestia o seu desejo juvenil.

www.alexandrelanalins.com.br

Sobre a obra

Uma linda morena aparece sempre ao meio-dia e desperta paixão em um jovem.

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Alexandre Lana Lins
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celina vasques
 

Iniciando seus votos meu querido amigo, muito bom seu texto. adorei!


Beijos

celina vasques · Manaus, AM 22/6/2008 18:48
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Falcão S.R
 

Alexandre, prendeu-me a atenção tão bem escrito texto. Votado! Sucesso! Abraço

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 23/6/2008 03:10
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Alexandre Lana Lins
 

Celina e Falcão,

Muito obrigado! Bom ler esses incentivos para continuar na luta da escrita ( e também o grande prazer que dá).

Um grande abraço!

Alexandre Lana Lins · Belo Horizonte, MG 23/6/2008 11:07
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Peterso Rissatti
 

Parabéns Alexandre.

De seu conterrâneo de coração.

Peterso Rissatti · São Paulo, SP 23/6/2008 17:19
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Doroni Hilgenberg
 

Alexandre, bem estruturado e criativo o seu conto. Os jovens precisam ter uma razão para sonhar e eis ai a bela morena, provocando delirios e paixões, bjsss e votos
convido-o a ler meu nini-conto:
http://www.overmundo.com.br/banco/um-fantasma-em-minha-cama
e meu poema
http://www.overmundo.com.br/banco/fim-4

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 24/6/2008 00:11
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Doroni Hilgenberg
 

Ah... só não gostei do nome. Puxa vida, qual o garoto que vai querer um nome assim? Bjsss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 24/6/2008 00:13
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clara arruda
 

Passando apressada,mas deixando meu carinho.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 24/6/2008 05:23
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Compulsão Diária
 

Alexandre, primeira visita. Conto singelo, bem escrito e cujo tema aborda o sonho e esse jogo bizarro: qdo meu sonho é realidade?

E de qual realidade falamos? O pano estava lá!
Adorei. Lindinho.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 24/6/2008 06:22
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Compulsão Diária
 

meu voto com admiração de realidade e sonho e de qualquer uma onde houver arte.
beijo

Compulsão Diária · São Paulo, SP 24/6/2008 06:23
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Alexandre Lana Lins
 

Olá,

Obrigado pelos comentários carinhosos! Um fraterno abraço a todos!

Alexandre Lana Lins · Belo Horizonte, MG 1/7/2008 11:25
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