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Mudando um mundo
Eric Araújo · Belo Horizonte (MG) · 2/9/2008 01:37 · 96 votos · 8 comentários ·  
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overponto
Entregaram o menino ao céu, disseram a ele que aquilo que ele crera era como o fel.
Arrancaram seus poros, derrubaram os tijolos e mostraram a ele que o azul era cinza e que seu coração era pluma.

O menino, querendo entender o mundo se entregou aos trejeitos, aos trajetos e aos becos. Disse a si mesmo que era preciso passar por isso. Não desejara mais ser menino.

Era assim que tudo se tornava novo. Novidade sempre vem associada com o que é bom. Poxa, que bom! Tudo novo! Mas o menino não se sentia assim. Na verdade, o novo era totalmente avesso ao que disseram. Quando disseram que o corpo era para nada, ele entregou o seu corpo ao céu, acreditando que seria melhor. Afinal de contas, se olhamos com os olhos da realidade, tem que ser melhor! Quando disseram que é bobagem tentar ser fiel aos seus valores, o menino se questionou e tentou ser mais leve.

Não era. Na verdade, que tremenda confusão! O menino esperando amadurecer, começou a entender que o mundo desenganado era na verdade um mar de desconhecimento do que é real. Aqui os sentimentos não valem, as palavras são jogadas ao vento, e as atitudes é que contam.

As atitudes são relevantes nesse mundo, mas ai de quem se dá o direito de erra! A sua atitude errada apaga e desmancha muitas páginas do livro chamado vida. O erro é encarado de forma áspera, e até mesmo cruel por muitos habitantes do mundo novo.

A vontade do menino de se inserir no novo ainda é grande. Não pode estar enganado! Todos parecem tão felizes! Todos vivendo do acaso, esperando experiências repentinas e fortes! Por que só ele se encolhe e pensa que isso tudo pode ser ilusão? E por que todos insistem em convencê-lo de que a ilusão está nele, enquanto seu mundo fazia muito mais sentido?

Vagando e sentindo o vento da brisa, o menino flutua, e sente o ar passando entre seus braços, se lembra dos abraços, dos laços, dos compromissos. Sente saudade de crer no que cria e de lamber suas crias que eram tão inocentes mas também tão puras e inofensivas. Viver no risco absoluto é natural, não é preciso se lançar no risco para que ele venha até você.

O menino pensa no quanto se desfez, e como uma aquarela que recebe a água por cima, ele se vê desfeito. Seus pés desmancham. Seu joelho. Seu abdômem...

A chuva lava, a tal ponto que ele não se reconhece. Em um mundo de insolidez, tudo se desmancha, e dá apenas uma rima que não se encontra.

Olhando para a tela, o menino vê as mãos de quem desenha. Ele busca olhar bem e não perder de vista. Pede ao artista que olhe pra ele. "Me preencha com as cores que renovem. Aquelas que me devolvem ao lugar a que eu pertenço. Nesse mundo desavesso, não me servem os meus sonhos. Não quero crescer, quero apenas me lembrar de quem eu era, assim, voltar à eternidade do tempo, que hoje só lamento não mais crer"
sobre a obra
Reciprocidade
(Fátima Soares Rodrigues)

Sempre sonhei sonhos pequenos:
Casinha branca ao pé da serra
Em meio ao mato molhado
Povoada do canto dos pássaros
Ciscando grãos de alegria
Com as galinhas no quintal
Banhando-me todo dia
Em cachoeiras de esperanças
A sorver cada alvorecer
Com olhos de gratidão.
Porém, sem grandes ambições,
Percebo que dependo do outro
Para encontrar a felicidade.
Do contrário,
Sou como um som sem eco:
Seco, surdo, sonso.


tags: Belo Horizonte MG textos-ficcao
 
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Oi Eric,
que conto mais bem contado, sobre esse "menino" que ainda sofre às desilusões de adulto!
Puxa, a vida nos parece mesmo ingrata. Quando estamos no auge dos nossos pensamentos e sentimentos, onde a vida nos parece cor-de-rosa, os sonhos coloridos são desmanchados, borrados. Passam o pincel sobr a nossa linda "aquarela" colorida e viva.
Mas, a vida nos parece infinitamente longa... (pesar de não ser) então vamos aproveitar ao máximo e dissolvendo esses dessabores e quem sabem colorindo outras aquarelas e que dessas vez possam ser expostas nas mais belas galerias.
beijão querido!
Branca Pires · Aracaju (SE) · 30/8/2008 09:25 
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"Me preencha com as cores que renovem. Aquelas que me devolvem ao lugar a que eu pertenço."

ele sempre estará seguro nesse lugar com a alma de menino...Gostei imenso,como dizem meus amigos lusos, Eric!
E que bom que vi em voce essa vontade de acreditar!!! Abraços,Nina.
nina araújo · Rio de Janeiro (RJ) · 30/8/2008 13:50 
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Eric, sempre digo que a beleza da vida está nas coisas simples. Como seria bela a vida desse menino sem as interferências enganosas.
Muitas vezes deixamos de ser quem somos, na ilusão de que as coisas serão melhores. Aí estragamos tudo.
bjs
Sônia Brandão · Bauru (SP) · 30/8/2008 17:00 
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Eric,

"as atitudes são relevantes neste mundo, mas ai de quem se dá o direito de errar"
um erro não pode pesar uma vida inteira,
pois é com os erros que aprendemos os
acertos e nos tornamos fortes
grandioso texto.
bjssssss
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 1/9/2008 11:19 
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muito bom seu trabalho.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 1/9/2008 21:55 
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Trabalho essencialmente inteligente. Original. Provocador!
Um abraço fraterno. jbonrado
ayruman · Chapada dos Guimarães (MT) · 1/9/2008 23:36 
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Muito bom trabalho.
publicado!
votos e abraços
zilka jacques · Porto Alegre (RS) · 2/9/2008 01:37 
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Obrigado pelo tempo doado para leitura pessoal! Fiquei feliz com os comentários... acho que agora rola de arriscar mais nos contos :)
abraços
Eric Araújo · Belo Horizonte (MG) · 5/9/2008 00:43 
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