JANELA ABERTA
Uma janela aberta
É passagem.
Para fugir
Ou para entrar
Só é suficiente coragem.
Uma janela aberta
É convite.
Para estar
Com a moça na cama.
Quem resiste?
Uma janela aberta
É liberdade.
Para o preso
Em sua cela
que flerta com a cidade.
Uma janela aberta
É saudade.
Quem se debruça nela
Sabe e sente
que tem os olhos no passado
E o corpo no presente.
Uma janela aberta
É vazio.
Pois quem habitava
A casa há muito partiu.
Uma janela aberta
Eu não quero.
Para mim
Não faz sentido.
Pois tudo que eu desejo
Já tenho em casa comigo.
.......
JANELA
Quem quer janela
Não quer segredo.
Quem quer parede
É porque tem medo.
........
JANELAS
Ah!
essas janelas.
Janelas que mãos anônimas
construíram
para dar fuga à visão do sonhador.
Janelas góticas
espetando o céu;
o céu que esses homens ansiavam ganhar.
Janelas neoclássicas
de pesadas cornijas,
que sustentaram a força da revolução em marcha.
Ah!
essas janelas
que revelam ao homem o Universo mutante.
Janelas modernistas
de linhas retas e despojadas,
que denunciam pressa de chegar ao incognoscível.
Ah!
essas janelas
que mãos anônimas fizeram
e a mim são mais que arquitetura.
São um modo de ver
e pensar o mundo.
Procuro seus artífices
e os vejo
construindo novas janelas
para os sonhadores
do futuro adivinharem como era o mundo passado.
Janelas é muito bom, JJ. Detecto um quê de Murilo Mendes aí?
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 12/11/2006 12:44Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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