A música invadindo suas entranhas completava as lacunas advindas da tristeza.
Considerava sua vida uma música erudita contemporânea; para o ouvinte soaria estranho, destoante do ordinário. Para o executor cheia de mudanças tonais acentuadas e disritmias bruscas.
Sua analogia se estendia por ritmos sempre que os conhecia. Um blues, por exemplo, lhe trazia nostalgia, dava-lhe uma sensação de saudade de um lugar que desconhecia. Frequentemente seus neurônios eram açoitados por tal sentimento.
Não conseguia explicar a vida em sua completude, a única maneira de se fazer entender era por parábolas mesmo que por vezes elas ficassem mais enigmáticas que a literalidade.
Sentimentos vindo à tona traziam branquiças lembranças em contraste à realidade um tanto quanto enevoada.
O seu confronto era assim: dicotômico, prosaico, comum, trivial e mesmo assim pensava ser único.
Andava de acordo com o ritmo, pensava que de tal maneira compreenderia melhor a misteriosa melodia.
Mas a melodia dos fatos da vida era brotejada, feia. Acompanhada por um ritmo inconstante que levava a tropeços todo aquele que quisesse andar conforme o ritmo.
E que harmonia era aquela? Dissonante, insuportável aos ouvidos. Apesar disso, as lacunas eram preenchidas de maneira estranha é verdade, mas trazia conforto, "melhor a tristeza do que o vazio".
Todo o resto era momento: de alegria, prazer e satisfação.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!