Foi a BR 101, a estrada que usei para chegar à praia de Capão da Canoa, partindo de Porto Alegre. Eu havia me esquecido do intenso tráfego de caminhões que há na BR 101, poderia ter optado pela Estrada do Mar que não permite caminhões em suas vias e a paisagem é mais bonita.
Depois de uma hora de viagem, já era possível notar que os terrenos eram mais arenosos e que no ar, já havia certo cheiro de mar. Foi quando uma grande placa azul de sinalização de trânsito chamou a minha atenção.
ATENÇÃO
ACAMPAMENTO INDÍGENA A 500 METROS
VELOCIDADE MÁXIMA PERMITIDA
40 KM/HORA
Pela grandiosidade da placa, imaginei que fosse encontrar mais a frente, um acampamento digno para os nossos índios brasileiros. No entanto, tamanha foi a minha decepção e revolta, ao constatar que o nosso governo investiu muito mais na placa de sinalização do que naqueles anjos que sofriam de calor e desidratação em baixo de tocos fincados no chão, revestido com lonas velhas de plástico azuis formando uma espécie de barraca
Não havia banheiro, torneira ou qualquer coisa que pudesse se encontrar dentro de um verdadeiro acampamento.
Estes índios acampam com as suas famílias em beiras de estradas, para poderem vender os seus artesanatos.
Esta placa, que custou ao governo muito mais do que foi investido no acampamento, nos mostra o quanto há de falta de amor e visão administrativa nos homens de nosso governo. Era de se oferecer uma estrutura bacana para esses seres humanos que foram tirados de suas terras. Era de incentivar a venda de seus artesanatos. Mas não!! Estão jogados às margens da BR 101 por onde passeamos felizes em direção às praias.
Se tu vires um acampamento desses nas beiras de estrada, pare e compre algo. Se não puder comprar, pare igual para conversar com esta gente tão rica e ao mesmo tempo tão sofrida.
Obrigado por compartilhar essa riqueza conosco, Kais!
Muito boa sua colaboração.
Abração
http://interludios.blogspot.com
Kais
Infelizmente, os "donos da terra" não são tratados como merecem.
Literalmente, "jogados às margens".
Bela matéria!
bjs.
Kais,
Senti isso na pele, quando fui na Expominas recentemente, por sinal uma mega exposição de artezanatos de Minas Gerais e de vários países da África.
Me espantei quando ví o descaso com os índios Pataxós. Foram jogados num canto de um dos salões, e seus artezanatos estendidos no chão, enquanto todos tinham standes da melhor qualidade.
Conversando com um dos índios, ele não estava nem um pouco preocupado com o descaso, pois contavam com o apoio dos visitantes que , segundo ele, ficaram encantados e deram a maior força.
Saí de lá indignada com tanto descaso.
Agora fiquei mais ainda com sua matéria, quer dizer que isso está acontencendo por toda parte .
Abraços.
Ana,
Não vou nem começar a falar...
Mas que é revoltante, isto é!!
Bjos
Nydia,
É, a História mais uma vez comprova...
Bjos
Valeu, Carlos!
Um forte abraço
Anamineira,
se eu fosse fotografar os indiozinhos que vejo jogado nas calçadas de Porto Alegre, mendigando e sofrendo, minha cidade teria que mudar de nome para Porto Triste.
Os índios, tão retratados por Renato Russo em algumas letras, são tratados como eram nas grandes navegações: animais. Pior! Existem animais em perigo de extinção que ocupa mais atenções que nossos irmãos indígenas.
"Quem me dera, ao menos uma vez:
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Tentei chorar e não consegui."
Revoltante mesmo, Kais.
E, realmente compensa fazer uma parada. Sempre podemos, ao menos, interagir, né? Mesmo que não compremos nada...
Se passasse por lá, com certeza, comprava esse aí pendurado que está com os olhos "grudadinhos" aqui em mim. Rsrsrs...
Abço
Belo trabalho Kais...
victorvapf · Belo Horizonte, MG 29/12/2007 17:46
Olá Kais!
Importante levantar esta questão. É um verdadeiro contra-senso o homem “branco” subjugar uma cultura tão rica e que “deu certo”, até que interferíssemos nela com nossa doença consumista e outras inúmeras e diversas moléstias.
Valeu!
Abração.
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