NA CANDELÁRIA A CAVALARIA
04-04-1968
Na Candelária a cavalaria, a toda gente atropelar.
Uma infame tropelia, pra o povo esmagado recuar.
A tamanha iniqüidade, da Ditadura do Capitalismo.
Governo sem legitimidade, inimigo do Cristianismo.
Na Candelária a cavalaria, qualquer modo dispensar.
A Juventude com ousadia, foi a Ditadura enfrentar.
O Heroísmo do nosso povo, é pra lembrar sempre.
Boa Nova e Sonho novo, o resistir da nossa gente.
Na Candelária a cavalaria, a manifestação sufocar.
O povo era maioria, não podia os cavalos pisotear.
Dum Governo dominado, do Capital Internacional.
Fazia pro que foi implantado, na repressão mortal.
Na Candelária a cavalaria, pra chegar e pra abafar.
Não cederam a gritaria, fizeram cavalos a avançar.
O povo heróico resistiu, e golpes de espada levou.
Toda a Máscara ruiu, o Mundo e a Nação condenou.
Na Candelária a cavalaria, era para nada tolerar.
Fazer o povo de pradaria, a galope em cima passar.
Os filhos de Tiradentes, de Cunhambebe e Zumbi.
Ante os golpes inclementes, não fizeram transigir.
Na Candelária a cavalaria, e nada deixaram ficar.
Em monstruosa analogia, de cavalos no massacrar.
Sem sentir o coração, e sem nenhum sentimento.
Uma brutal repressão, qualquer hora e todo tempo.
Na Candelária a cavalaria, o sol com peneira tapar.
Degenerescência e anomalia, passando e a esmagar.
Houve terror e houve medo, houve martírio e pranto.
Uniu o sofrido povo negro, com o seu irmão branco.
Na Candelária a cavalaria, se possível esbagaçar.
Um ato de toda selvageria, a animalidade a vingar.
Esta registrado na História, povo heróico imortal.
Bem vivo na nossa memória, foi uma luta nacional.
Azuir Filho e Turmas: Do Social da Unicamp e, de Amigos, de: Rocha Miranda, Rio, RJ e, de Mosqueiro, Belém, PA.
Poesia de Homenagem ao Povo Brasileiro que em 4 de abril de 1968, após a missa de sétimo dia da morte do Estudante Paraense Edson Luis Lima Souto, de 18 anos, já na saída no largo da Candelária, se percebeu no silêncio do momento de sentimento, o tropel da cavalaria vindo pela Avenida Presidente Vargas, e todos imediatamente abandonaram o largo e as ruas próximas e correram em busca de abrigo, um grupo se refugiou do lado de fora das portas já fechadas da Igreja da Candelária onde há um patamar para acesso com carro. Quem não fugiu foi para ali e a cavalaria chegou no largo livre, e cercou aqueles que sobraram nas portas da Igreja que foram comprimidos com os cavalos ate que ficou direto, o corpo a corpo dos cavalos e as pessoas que gritava, e eram golpeadas pelos soldados com batidas com as espadas. Foi em 04-04-1968 pra gente na tristeza mais com orgulho do nosso povo lembrar. Foi quando houve a Passeata dos 100 mil.
DIREITOS RECONHECIDOS E AGRADECIDOS
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Obra de Louvor a Gente Brasileira que tem uma História Linda de muitos Heróis e sempre que é chamada a participar, o faz com nobreza e heroísmo, como neste episódio da Cavalaria nas Portas da Igreja da Candelária no RJ, que vieram dispersar os participantes da missa do 7º dia, do Estudante Edson Luis, morto pela repressão do regime. Foi usada a cavalaria num espetáculo de barbaria contra o povo na porta da igreja, e a medida em que ficou o corpo a corpo humanos e cavalos, os humanos eram derrubados e havia o desespero da gritaria para não serem pisoteados, enquanto os policiais golpeavam de espadas. Foi um momento de terror dos tantos que nossa História registra na formação do nosso povo, que temos a gloria de pertencer e podemos por toda a vida nos orgulhar.
Uma História de Escravidão, de oligarquias, de ditaduras e tantas traições que não conseguem abafar ou inibir o heroísmo que se manifesta na boa vontade e no amor ao próximo em qualquer lugar. Um Povo filho de Deus.
AZUIR
MUITO BOM , BEM VÁLIDA ESSA MATÉRIA SOBRE O
HORROR DOS ANOS DE CHUMBO, DITADURA
ESSE ANO 68 FOI TERROR PARA QUEM OUVIU E VIVEU
NAQUELA ÉPOCA, ERA O MEDO!
NA CANDELÁRIA, CINELANDIA...
PALCO DAS BARBARIES...
BELAS FOTOS DA HISTÓRIA APESARDE TUDO...
UM ARQUIVO BOM VC TROUXE.
ABS.
Parabéns Azuir por fazer ecoar uma voz que o tempo não pôde abafar. Seu grito desperta-nos da apatia e faz-nos lembrar do coração civil dessa nação que, quando quer, faz mudar o país.
Lemrei-me da canção que ouvíamos nos pátios das escolas em minha infância:
Evaristo da Veiga escreveu para o refrão do Hino da Independência:
"Brava Gente Brasileira
Longe vá, temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasill".
Bruno Resende Ramos
Brava gente, que do Brasil leva chumbo
Brava gente, brava, moribundo
Brava, braveja, esbraveja, é o mundo
Mil vezes pior que isto e' a apatia que tomou conta do povo brasileiro. Não reune nem dez para protestar contra o saque desenfreado nos cofres publicos e o Congresso que esta com os ^pratos^virados...não e' atoa que um se equilibra e o outro esta emborcado...
victorvapf · Belo Horizonte, MG 25/9/2009 22:20O povo heróico resistiu contra a cavalaria. Parabens, poetamigo Azuir. Pela liberdade de expressão, sempre. Abraços, Grauninha
graça grauna · Recife, PE 25/9/2009 22:33
Brava Gente Brasileira!
Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!
Mas hoje já não existem heróis como antigamente...
Parabéns poeta!
Votado
Beijos
...e sera que um dia leio um poema seu?
bjssss;
1968,um dos momentos maís duros do golpe militar,mais dramático para a sociedade brasileira.Parabéns,amigo.
Cezar Ubaldo · Feira de Santana, BA 26/9/2009 07:57
Absurdo o que aconteceu durante o regime militar. Nossos votos para que coisas assim não voltem a acontecer. Grande abraço e parabéns, Azuir!
Clésio Tapety - Cultura da Paz · São Paulo, SP 26/9/2009 12:24Meu querido Azuir. Vc sempre através da maravilhosa linguagem do cordel a nos encantar com as belíssimas homenagens que vc tão bem faz a pessoas e fatos de nossa história. Queria te agradecer a visita no nosso blog e o imenso carinho. Gostaria que vc também prestigiasse http://po-de-poesia.blogspot.com e postasse sua doce e animadora palavra de sempre, meu querido poeta. Abrçs. Te amodoro. Com carinho
marcio rufino · Belford Roxo, RJ 26/9/2009 20:09
Registro de uma página negra de nossa história.
Parabéns !
meu professor!!!
Parabéns pelo texto, magnifico.
Beijuss
Azuir,meu caro amigo e poeta que vem resgatar a nossa história ...esse povo heróico , que continua lutado,apesar de tudo...
Mais um pedacinho dessa saga de ser brasileiro...
Maravilhoso!!!Parabéns,meu lindo!
bluebeijokas
Blue
podemos dizer que vivemos num tempo de paz!!!
quando vemos esses relatoas achamos que isso ocorreu num tempo distante de nós e que a repressão só ocorreu pra eles,sera?
fica a questao
Poxa cara, você é demais. Essa é uma importante época para a formação atual de nosso país. Muitos vezes eu lí sobre essa época na escola, mas dessa forma...só um grande poeta de seu calibri pra fazer. Valeu cara e muito satisfeito por poder lê-lo sempre. Um abraço e até a próxima. Votadooooooooooooooooo com muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito prazer.
Luís, o último literário · São Luís, MA 27/9/2009 18:41
Já vivi momentos parecidos: na Presidente Vargas, Cinelandia, Rio Branco e etc... Vivi alguns momentos das Diretas Já e grandes comícios pela Democracia...
Com certeza valeram como exercicios e vivencia de cidadania, mas... os riscos são sempre enormes e qualquer atitude pode ser considerada como afronta as autoridades.
Belo trabalho, como sempre, que sempre aviva a memória de pessoas que viveram e as que apenas ouviram falar de tais fatos.
Parabéns,
kfarias.
Mexer nese vespeiro, não é fácil, 'inda extrair alguma poesia disso, vc é um mestre nessas coisas impossíveis, Azuir...
conseguir ver um pouco de cvoisas boas duma época tão negra, que eu era muito pequeno pra apurar na ocasião, vivia em casa, não tinha noção de como era esse mundão lá fora...
naquele tempo, criança ficava ( bem ) guardada !
Que detalhes ricos você nos traz... que orgulho de ser teu amigo...
um beijo !
Governo sem legitimidade, inimigo do Cristianismo.
Bjs querido!
Azuir: Reflitamos então: Quem são os verdadeiros alimárias: Os de quatro patas que, domesticados, a contra-gosto servia a seus donos, ou os soldados que os montava, avançando com sua furia assassina prá cima de cidadãos libertários, obedecendo também ordens de um regime covarde, decrépito e igualmente irracional como os cavalos que usaram para dispersar a pacífica multidão na Candelária, neste dia triste da nossa história?
RUI LÔBO · Brumado, BA 28/9/2009 10:59
Meu caro amigo poeta-historiador Azuir: mais uma aula em um trabalho primoroso.
É muito bom ter você conosco.
Parabéns!
Abraços com carinho,
Patty
E os cavalos não sabiam o que faziam,
os homens sim...
Ou não...
Os lombos ensanguentados,
dos cavalos sim,
dos homens...
A mãe fechou os olhos do menino.
E o menino agora voa com seu baio
no céu
facho na escuridão.
Não podemos esquecer quando o batismo foi de sangue. Parabéns Azuir.
Da cavalaria, os candelabros...acesos em luto pela morte de nossa dignidade humana...
businari · São Vicente, SP 5/10/2009 16:40É vergonhoso, e os Direitos Humanos, será que só funciona pra bandido? Até quando?
Orisvaldo Tanniy · Teresina, PI 8/10/2009 08:12Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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