Sonhava miúdo. Elaborava pequeno. Quase dois metros de altura, não era pra menos. Ela tinha apenas metade da sua altura, olhos áridos, mudos e luxentos. Olhava-o com certo senão. Ele correspondia , sem qualquer razão. Se achegava sereno, dois metros de altura , fitou-lhe o traseiro, os seios, os joelhos. Avançou dois passos. Ela afastou-se três. Ele piscou um dos olhos. Olhar de cobiça e visual de burguês. Pediu um maço de cigarros no fiteiro. O truque aprendera com um amigo certa vez. As minas gostam de fumantes, passa uma imagem de adulto. Aprendera a dica para perder a cara de bobo: fumaça e pigarro. Novamente tornou a observá-la. Ela carregava uns livros consigo: Paulo Coelho. Decidiu...
Interessante.. Nesse texto, a sensação de inacabado é menor do que em Corredor e Testemunha. Talvez porque a abertura dele seja explícita. A "decisão" normalmente tem um caráter final, conclusivo. Então, mesmo que não se estabeleça qual a decisão, saber que houve uma decisão já dá um final mais fácil de aceitar. Acho que o início, o meio e o quase-fim tornam esse um pouco mais palatável, por assim dizer.
Em O Corredor, parece que você pula uma trecho, faz uma elipse, para entrar com a última frase. Quase como se algo tivesse sido escrito para depois ser cortado. Por isso, tenho aquela sensação de "corte", como se tivesse um início, que pula para um fim. Em A Testemunha, parece que a falta de um fechamento, de algo que se relacione com o que já foi dito deixa o texto completamente aberto, mas de uma outra forma. Parece ter só o início. De cara, fiquei procurando o link para o resto do texto. =)
Uma outra coisa que eu notei, foi em dois dos textos a presença da figura de "quase dois metros de altura". Tem algo por aí? =)
Bom, de qualquer forma, só mais uma opinião. Será que a Anna vai comentar algo por aqui também?
Abs.
antes de mais nada , muito obrigado por comentar meus textos. bem, filipe, não sei se você teve a mesma compreensão de O corredor do que eu . a idéia é trabalhar o fim que seria a morte com o início que seria o nascimento. intercalando passado e presente, de modo a conseguir uma forma mais gradual de referir-me ao desfecho. se houve uma elipse eu não a percebi , me desculpe. às vezes fazemos certas alterações na "linguagem" para tornar mais interessante o conteúdo. você está extremamente correto num ponto: há grandes diferenças entre os três textos , principalmente no que se refere ao final. NA PARADA E O CORREDOR foram bem recentes, já A TESTEMUNHA tem mais de cinco anos de arquivo. quanto à expressão " quase dois metros" foi uma grande coincidência pois em ambos os textos eu precisava de um referencial distinto para os personagens. curiosamente acabei por utilizar a mesma expressão. mas a distância entre eles é tão grande...já que você está disposto leia um outro texto meu DEPOIS DA ARTE , O PENSAMENTO. e me diga o que achou ok? é bom saber que estão lendo e se atendo aos meus contos, gostei muito também de sua fotografia do Recife.
aquele abraço,
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