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NA PRIMAVERA!
Benny Franklin · Belém (PA) · 12/1/2008 21:40 · 118 votos · 5 comentários ·  
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overponto
Galeria de s e l v i n
Foto: Galeria de s e l v i n/Flickr/Creative Commons


(Canto de espera)

I

Sob a luz da primavera
Que, de primeva, ainda ri de mim,
Toda palavra há que mergulhar no cântaro da vida.
Reparará o estômago vazio da fome,
Transformará o aço em bem-aventurança;
Fugirá do escárnio da velhice,
Assim como a matéria prima deste poeta
Foge assustada do punhal da sorte...
Porquanto seus frutos, musgos de antíteses,
São como os gritos da alface
Envenenando o stress do amanhã.

II

Penso:
Se silenciássemos o vento brincalhão
E remendássemos o vidro da especiosa fumaça
- Que para a raiz do corte se ruma apressada -
De que valeria o culhão da malasorte?
Se retornássemos ao abismo da morte
E fugíssemos dessas forças mortemagmáticas
- Que beiram iludir alguns poucos cânticos
Do quadrante norte -
De que valeria o cansaço da revolta?
Aprendi: poetar,
Ensina-nos a lavrar a vida,
E confundi-lo com os couros
Que se constrói o muro da palavra...
Ai! De que vale o mormaço
Se livre não somos?

III

Tivesse que repor o poder da verdade,
E acreditasse que é pela dor com infindas ramificações na vida e morte,
Que se aplicaria a este parco poema
O ponto de exclamação:
De que valeria o queixume da morte?
Ao amor eu diria:
- Não fôsse a Flor de Lótus
Que a carrego
Presa sob a lapela da consciência;
Não fôsse como o amor que vos dedico,
Oh! Fogaréu de Mim,
De ti eu roubaria as lágrimas poucas,
Que ainda brotam sentidas!
.....................

(Canto de agonia)

I

Sob intensa primavera de fogo
- Ao contrário da mágoa -
Que se desarma na alma,
Despojo-me das lágrimas talhadas
A verter a dor em cima da palavra,
A entender que as areias moldadas a sal e silício
Cabem no cio da terra
Como o prepúcio cabe
Caber na era glacial das palavras,
Que as roubei de ti,
Oh! Primavera - Regozije-vos
Com a garoa que desce em Mim!
Ai! Quisera eu
Alardear a vida, o canto das meras
Eras afins.

II

Fôsse eu como a têmpera
E como as eras tão mais escandalosas
Que as vulvas estelares.
Fosse eu como os anos de outrora luz,
Metódica cruz,
Sol benzendo-se para o orgasmo,
Tal o algemar dos trópicos e anos gloriosos:
Sim; a vida sobrevergaria numa luz do dia muito.
Como se o céu clamasse justiça
E renegasse o poema que nega o sobrenome:
Sim; a palavra desabaria na dança das cabeças...
Ai! O perfume dos gametas,
Valeria de quê?

III

Fôsse eu como a essência deste poema,
Que descongela o coração do homem
(Ceia Verdadeira, aplausos da vida):
O corpo uno, meu, sem fim...
Dar-se-ia às guerras desditas,
Ou ao que pior Sobreviver despido.
Fôsse eu como as eras de fina estampa,
Ou, ao menos eu fôsse
Como a sede do áureo porvir,
Que foge do talo da palavra:
Esboçar-vos-ia o sangramento da abóbada celeste,
E não desistiria de ser a poesia
De este morto poetar.

Benny Franklin


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Contato  

franklin.benny@gmail.com

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Fôsse eu como a essência deste poema,
Que descongela o coração do homem
(Ceia Verdadeira, aplausos da vida):

Maravilhoso, Benny! Que seja sempre primavera em nossos corações...
Nydia Bonetti · Campinas (SP) · 10/1/2008 08:44 
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Como esta folha...criando mais verde nas matas...ar...
Rebotando...tentando.
Bjus votado Querido

OS HF
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 12/1/2008 08:47 
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Voto tuas obras pela qualidade do autor! Abraços amigo.
Erode Lino Leite · Campo Grande (MS) · 12/1/2008 21:12 
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Orgâmico unicórnico bigâmico
alado as patas céus re_ciscando
arábico corcel do negror expoente
rebela de cruzes gamadas a espada
do oriente e me fogem as duas
pétalas da rosa minha que achava
rubras ou carmins me foram dadas vermelhas, sim
como rosa de Oxalá, quimera, quem dera.
Furtei doce paguei prenda,
sem teto, sem beira, sem renda
vivi teu poema como negra Mina
Anastácia, talvez, a desatar a fala
como tu, amigo, auras lindo o verso.beijin

Juliaura · Porto Alegre (RS) · 12/1/2008 22:14 
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Oi Poeta Maior do Overmundo!
Sob a intensa primavera de fogo... trago-te beijos, voto, abraços e flores @>--
Adriana Costa · Brasília (DF) · 12/1/2008 23:59 
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