Dentro da terra,
há terras de anjos estranhos,
tão quietos, que folhas pousam
entre seus cabelos de todas as cores.
São de todos os tamanhos e seriam belos
não fosse essa face única,
essa face esgarçada, feito nuvem ao vento.
Além de qualquer afoiteza,
têm um azul dolorido, de carne que se bateu,
um amarelo antigo, de milho que se perdeu
além de qualquer beleza.
São anjos estranhos de terras distantes
que nem vivem o viver dos viventes,
são anjos de todo tamanho.
São homens,
se homens, anjos pudessem ser.
São meninos,
é assim que os anjos têm sido.
E brincam entre flores de um jardim,
só por eles conhecido,
de amores-perfeitos seráficos,
vitórias-régias impossíveis,
lânguidas flores-de-cera
e líquidas ninféias,
todas feitas de nuvem.
A terra dos anjos estranhos
é terra presa, pisada.
Nela, pedras não rolam.
É seca a terra de tantas botas que pesam.
Cinzas cobrem a terra,
cinza é cor das botas.
Ainda assim, para os anjos,
são flâmeos
e velam de vermelho seus olhos
(o vermelho de uma infâmia).
Depois do vermelho quente,
nos ouvidos dos anjos,
para sempre,
os versos mais tristes de uma nênia.
(Há tanto vermelho cobrindo a terra!)
SARAMAR,
parabéns bela construção de texto tão belo, falaste tão bem dessa terra de anjos estranhos. Lindo!
Abçs de Betha.
SARAMAR, TEXTO BELÍSSIMO,
COMO SEMPRE DIGO.
SEU NÍVEL? POETA DE VERDADE.
BEIJOS, AMIGA.
Ei, Saramar, é um tremendo poema!
Rapaz! Já marquei para ser avisado quando entrar em votação!
Abraços.
Baduh
Ha! "rapaz" ou "rapá" é intejeição carioca, porque eu bem sei que és mulher, tendo já recebido comentários teus - e com a tua elegante foto! hahahahahahaha
Eu voto, na horinha! Logo que entrar em escrutínio. Porque é lindo!
Valeu Sara!
Baduh
Sara,
Que dizer na Terra como no Céu?
és divina e maravilhosa.
Bjs. Benny.
quem dera, eu ser um anjo...
Muito lindo Saramar! Paz e alegria!
Agora volto aqui, Sarita, para humildemente depor aos teus pés o meu votinho agradecido - pelos momentos de beleza que você mandou para cá...
Beijuca do amigo,
Baduh
Saramar!!!Que maravilha, estou em arrepios dos pés à cabeça pelo que passou com isto:
com Cinzas cobrem a terra,
cinza é cor das botas.
Ainda assim, para os anjos,
são flâmeos
e velam de vermelho seus olhos
(o vermelho de uma infâmia).
Majestade na poesia! Parabéns...cinzas..cinzas, adorei mesmo.
7 votos..66 -pra 73 rs
Perfeito! Belíssimas imagens... Parabéns! De letras pequeninas fizeste um poema gigante em beleza!
;-)
Versos tristes e lindos!Sou sua fã,Saramar!!!!
Abraços.
Saramar.
Perdoa o atraso.Tua poesia é simplesmente bela, querida amiga.
Perfeita. Iluminada. Teus anjos me comovem, fundo no coração. Tua alma sabe o motivo.
Beijos
Noélio
Guernica...Quantas coisas nos remete este quadro, quantas dores, quantas mortes, quanta opressão...
Belo, Saramar!
BJS
Cris
Estou estreiando por aqui. Ainda não sei usar todos os recursos.
Tem coisa que não entendi como funciona. Os seus poemas, no entanto são maravilhosos... Agradeço suas palavras. Abçs.
Saramar,
teu poema carrega a dor das tintas malaguenhas
às terras todas de ainda hoje em flamas
em que as poeiras se tingem por ganas
das iras nada santas e sem dó
das sementes da morte em pó
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