imagem Nina Silva
Nair quando menina,
Só me lembro, tão franzina.
Os braços - como uns gravetos,
as perninhas muito finas,
O corpo todo, um palito.
- A voz? - Assim... um soneto.
Nair cresceu, no implacável do tempo
Andava quieta, não chegava a ser sisuda;
Não banhava no riacho, não corria no terreiro;
Não queria acalento;
Não me olhava - quase muda.
Vivia de cuxixos - se de bem ou se de mal...?...
As bonecas na parede - qual lapinha de Natal.
Naquele São João, de festança e alegria -
Pra agradecer a bonança que a chuvarada trazia,
Trouxeram uma catervagem
E lá dentro um cantador, (encantado).
Nair - quando ele viu, numa atitude selvagem
"Vem cá cintura fina, cintura de pilão...
... cintura de menina, vem cá meu coração.."(2)
Do vozerão, o xamêgo - Nair se encantou.
Arrumou, enfeitou-se - pra ir atrás do "Cafuso",
(olha o nome do nojento),
Pras bandas do outro mundo.
Numa sabedoria estranha:
- "Eu vou: tu não sabes que estas terras
tem a concepção da terra, e se na família não tem terra
o passado nada vale - e o futuro se enterra?" (3)
Numa coragem medonha - e eu confuso,
- "Mesmo Pelé feito rei, pra nos tirar a razão - a fala,
pelo fato de ser negro, sem direito de terra,
Acabará nas favelas - morto à bala;
Da sarjeta - arrastado pra prisão
na ponta da baioneta"
Nair passou o rouge que o mascate vendia,
Aprendeu com a bacaba que a gente tanto comia,
Misturou - dosou o preto e o vermelho,
Sem de um nem do outro o predomínio,
E quando olhou no espelho -
(tão bonita):
- Desculpa, no adeus, eu ostentar meu fascínio.
- "Não é pelo cantador,
eu vou lutar pela vida, pela dignidade ofendida,
em cinco séculos de horror!"
N. do autor: 1 - bacaba, fruta irmã gêmea do assai, (muitos pensam
ser a mesma). A casca, a pele, rigorosamente preta e
muito fina. O endocarpo um vermelho já misturado
ao preto, reflete assim aos olhos humanos....
2 - Zé Dantas, cantado por Luis Gonzaga, Xote das
Meninas, (acho);
3 - Luis Mir, Guerra Civil Estado e Trauma.
Fascínio é este poema,liiiindo!
Linda imagem,bela menina!!!
Menino,
a história é muito bonita e o seu jeito de contar/cantar é ainda mais bonito que a história de Nair.
Maravilha!
beijos
Linney, agene se encoraja - com os que acreditam, um abraço andre;
Sara, - esta tua vontade em ajudar, estimular - é tu mesma, um abraço andre
André,
Bela Nair,
Belo poema!
Arrasou, eu amei!
Marluce
André,
(li algumas vezes sua poesia. de cara, no recado, estranhei o nome. não tinha a menor idéia do significado daquela palavra no contexto.
entendi da minha forma estória do poema, não sei se é a essência do que vc escreveu, quando escreveu.)
que beleza! quanta admiração nas suas palavras, quanto apego 'que gostaria não ter', mas tem. e junto uma tristeza por amar calado (ou cantado) e não deixar-se ser amado por alguém.
que todas as belezas dessa menina cor de bacaba, te convença que amar vale a pena e lutar contra é perda de tempo.
a força e a dignidade que existirem no seu talento será vista, e estará próximo, muito mais do que vc imagina, o amor e a utopia.
abraços
Fran
- Frans, Marluce, das muitas coisas boas tidas no Overmundo, uma delas é essa vontade de amparar que tantos e tantos de voces sabem manifestar. andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 6/7/2007 04:33
Li com carinho o teu poema. Muito bonito. Um passeio poético onde vc expõe a problemática racial com seus desdobramentos sociais sem deixar de cantar o amor. Que a menina Nair, cor de macaba, seja feliz com seu Cafuso.
Ah! Linda foto!
Abcs
Nair cresceu e virou mulher.Tinha um homem que a amava mesmo franzina e de perna fina,depois que enfeitou-se pra ir atras do cafuso,o poeta estremeceu,perdeu a menina,a mulher crescida e virou poeta para nossa alegria.
Parabéns André-de -Nair.Lindo poema.beijos de Natal pra vc
Eu achei forte, vigoroso, lindo e meigo, em tudo o descrito, meu amigo.
E sou par dos elogios outros que te fizeram aí em riba as pessoas overamigas que se achegaram ao teu postado, assim de modo carinhoso.
Queria anotar, se me permites, porque tempo ainda há se quiseres alterar:
1. a grafia da palavra do pó facial é rouge
2. nesse verso (... cintura de menina, vem cá meu coração..") é que vai anotado o número 2 da remissão das notas, não é fato?
3. Se equilibrou tons e quantidades, dosou e não dousou no verso
Misturou - dousou o preto e o vermelho
André,
Xote das meninas é de meu conterrâneo "ZÉ DANTAS", estamos em casa!!!! rsrsrsrs
Colocaste fermento no poema foi? Quando passei por aqui ele era pequenino! Mas continuo amando-o! O poema! rsrsrs
Marluce
Marluce, (primeiro as Damas), Poeta Agenor, Novelista Adroaldo, providenciado, agradecido, feliz. Marluce é que esse teu desvelo, chega a tempo de não deixar desvanecer.
Eu estava fazendo e tive que cuidar doutros afazeres, talvez nem fosse continuar, ai foram passando os anjos bons: Liney, Saramar, tu, aí lá pras duas horas terminei, terminei não: escopei, vocês estão terminando. Como tenho preguiça de reler, ainda estou terminando, graças ao despreendimento de tantos de vocês.
- Mas como dizia João Pequeno, o agnóstico do meu lugar, amparado "pela nobreza com que nos afaga o poder intelectual" viro fera, fortaleza, feliz, ... bjs, a todos, andre
Andre, fico imaginando se essa Nair existisse de verdade, que belo poema serias capaz de confeccionar, hein? Parabéns! Terá meu voto.
Abçs. Benny.
Pois é Benny, mas o bom da história é que existe. Não existiu o amor entre mim e Nair. Mas existiu quase tudo, se não literal, mas a partida, a desilusão, as incertezas... as inocências... as bestagens, são reais. E a viagem, aprendendo contigo, com voces, aqui no Over, e na estrada da vida.
Andre Pessego · São Paulo, SP 6/7/2007 16:55
"Escrita empobrecida", é? Pombas, André... humilha mas não tripudia, diriamos antigos. Rapaz, isso está divino, transcendental mesmo. E tem um pouco de literatura popular, de verso erudito, de canção dos jograis de antigas eras,de teatro mambembe (e deve ser levado como peça já!), um "biscoito fino", belo momento de ternura e lirismo. PARABÉNS!
Mas, açaí por aqui é com Ç e bacaba é um horror, tem um certo gôsto de chocolate, mas eu detestei . A foto é linda, a moça mais bela que a fotografia... a eugenia da raça, que disse um francês que nos visitou nos anos 50 "ser feia". Suicidou-se pouco depois!
Nato, é legal, muito legal ter amparo. Receber elogios, delicadezas, é muito mais real (porque agente os consome, na hora e vai degustando, um picolé que nunca acaba) é melhor que correr atras de milhões e morrer guardando-os.
- Os elogios agente consome com o prazer redobrado, na certeza de que o prazer nunca é só de quem o recebe. Quem o fez, fez mesmo para agradar, e fica feliz se agradou, um abraço, andre
agradou.. e agradou muito! De forma a sentirl, quase o sabor da fruta.
Patricia Moreira · Vitória da Conquista, BA 7/7/2007 07:05
Realmente, se a Nair for como a bacaba é um show de bola. Tomei muito e tomo muito refresco de bacaba e tb de buriti, são maravilhosos.
Maravilhoso ler o seu poema. Li-o, ritmadamente, prevendo a rima.
abcs
A jussara, ou juçara, é que mais propriamente é gêmea do açaí, pois o açaí pode se reproduzir em touceiras, e a jussara não. A rigor, seria essa a única diferença entre os dois.
abcs
André.
Finalmente encontrei tua Nair. Antes de ela partir, em busca da felicidade. Do amor talvez. De catar um novo destino. Essa Tua Nair, André, tem os mistérios e os segredos da assai, irma gêmea da bacaba. frutos saborosos, como esse teu belo poema.
Abraços
Noélio Mello
De arrepiar! maravilhoso caro amigo poeta André. Você como sempre brilhando nesse overmundo.
Um grande beijo,
Priscila.
Demais, André. Essas Nair do Brasil...! Você encantou com a história dessa. Um abraço!
Ilhandarilha · Vitória, ES 7/7/2007 15:14
- Gente é pena que não dá mais para encaixar uma palavra a cada um de vocês - Patrícia, Leandro, Noélio, Priscila, Ilhandarilha Mas a palavra escrita carrega esta particularidade - foi feita para atingir a todos, mesmo em tempos e lugares diferentes, rigorosamente diferentes.
- O Brasil já viveu glórias (negadas, desconhecidas) produzidas por grêmios literários. Eu carrego a esperança de que este e outros surjam e se insurjam pela construção de uma Nação, para ocupar esta Pátria. obrigado, andre.
xará,
adorei a nair.
imagine voce...
bom poema.
abraço!
parabéns, André.
imagem e texto dez!!!
abraços,
- Olha que coisa - UMA TREMPE DE ANDRÉs -
- Andre Gonçalves, você já está bem servido de agradecimentos, e
conversas quase diárias, um abraço, andré.
- Marcos André, voce sabe quem tenho reclamado de Pernambuco, com esta pléiade de poetas de versos e de textos, e agora os de imagens, também com sua História,... um abraço, andre.
Todos os votos são poucos para premiar esse poema simplesmente magnífico. A musa da foto é uma negra linda e os versos estão de uma lindeza a altura da musa.
Passe no meu arquivo e leia o poema "negra loura" que está dentro de "dois poemas de Marcio Rufino".
Parabéns e um grande abraço!!!
- Marcio, meu poeta preferido - obrigado, vou rever, acho que já os li. Mas vou rever - obrigado, andre.
Andre Pessego · São Paulo, SP 8/7/2007 14:19
Oi Pai. Recebi o e-mail deste poema e gostei muito. Claro, já votei também.
Beijos,
Indira
Filha, filha dos meus dias. Um dia, voltei a Gilbués, e minha mãe, tinha aprendido a ler para ensinar à netaiada. E tacou a ler acho que uma cartilha do 3o. ou 4o. ano. Tinha tirado o título. Também disse a ela - Mâe, estou tão feliz, vou comprar uns romances pra nós ler. Não me lembra se os comprei... Acho que ela ficou contente com os meus elogios. Também estou... bjs. pai.
Andre Pessego · São Paulo, SP 12/7/2007 17:48
Meu caro Pessego estás de parabéns pela tua Nair, o poema é uma manto de ouro de altissimo kilate trabalhada pelas mãos de um severo ourives. gostei muito
Payayá
Payaya, e tu me enches de alegria na cortesia tão intrínseca do
indio brasileiro. obrigado, andre.
Andre,
Eis que me postas, o pranto, na ausência de minha amada, enferma em leito de hospital, seu poema lindo, lírico e de um eternal lampejo de um amor platônico, mas real.
Dói a veemência das saudades, mesmo que a fruta não tenhamos provado, dói a negativa dos pequenos gestos em Nair, mas aqui o que mata é a incerteza de um existir, em Ceci.
Grato querido André, por me ofertares esta briosa e deliciosa leitura e por me fazer sensível de lembranças às frutas...
Abraços,
Beto
(votado)
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