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não é um suicídio!
Juva · Olinda (PE) · 30/4/2007 20:57 · 68 votos · 15 comentários ·  
1
overponto

o jovem acordou
da noite de insônia.

escovou os dentes
saiu de casa
deitou-se na linha do trem
e pensou:

- enquanto ele não vem, estou vivo!


tags: Olinda PE poesia nao-e-um-suicidio textos-literatura
 
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Autoria   José Menin
Data   30/4/2007
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Mexeu comigo. Li várias vezes. Gostei, mas acho que não compreendi. Entregar a vida ao risco, premeditado, na linha do trem! É suicídio, mesmo antes de acontecer, "enquanto ele não vem". Ou ele não é o trem?
Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória (SE) · 28/4/2007 20:46 
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antes de tudo, obrigado.

como digo no título, como uma chave, não é um suícidio!
antes é vida, vontade, existência. A solução é fantástica, não é se apegando ao aparente que isso surge. Explico. não devemos nos afundar em cotidiano, em verdades de sempre. é um pouco como falou Hume, esquecer nossos hábitos (verdades). O trem não tem de vir, assim como o sol não tem de nascer. Deitar na linha do trem, pode ser lido (em uma de suas muitas leituras), como um ato, essencialmente, de crença no surreal, no indíviduo e na terra como um organismo, pulmão do universo, do TUDO.
Juva · Olinda (PE) · 29/4/2007 21:08 
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Entregar-se à vida, ao risco da vida, viver de forma absoluta.
Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória (SE) · 29/4/2007 21:51 
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lembra do Leminski?

apagar-se
diluir-se
desmanchar-se
até que depois de mim de nós de tudo
não reste mais que o charme.

algo nesse sentido me cativa.

abraços, Jorge.
Juva · Olinda (PE) · 30/4/2007 07:19 
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é um dos meus preferidos..
acho que tu sabe ne?
nati barros · Recife (PE) · 30/4/2007 10:33 
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sei sim. obrigado.
Juva · Olinda (PE) · 30/4/2007 10:53 
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Muito bom, José. desculpe-me a leitura superficial que fiz.
De qualquer forma foi bom porque, depois das várias leituras, o poema permanece em mim, impregnado.
Gostei.
Um abraço.
Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória (SE) · 30/4/2007 12:01 
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sem problemas, Jorge.

Como diz um amigo meu, na leitura o poema deixa de ser do poeta e é do leitor (ou de ambos). Sua leitura é uma leitura, só tentei mostrar outra leitura possível, pra um texto aparentemente prosaico (acordar, escovar os dentes, sair de casa, etc). O "enquanto" é uma grande piada. Alguém que se deita na linha do trem não está pensando em poucos (e angustiados) minutos de sobrevida. Fico agradecido por sua leitura e contente em saber que o poema permanece.

Só por curiosidade, esse meu poema surgiu como uma resposta pra um outro que me perseguia e de que gosto muito, do Bandeira:

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

abraços.
Juva · Olinda (PE) · 30/4/2007 12:41 
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Incrível! estava agora mesmo folheando um livro de bandeira e, lendo o "Poema tirado de uma notícia de jornal", veio-me à mente o seu poema.
Gostei da nova informação, enriquece ainda mais as leituras que se pode fazer do texto.
Um abraço.
Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória (SE) · 30/4/2007 12:53 
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Ah! o fabuloso aqui no Overmundo é essa possibilidade de interação que nós, leitores, podemos ter com aqueles escritores que estão produzindo hoje textos tão bons.
Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória (SE) · 30/4/2007 12:57 
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muito bom, kra... poucas palavras, direto, cirúrgico... "que a verdadeira genialidade seja dizer coisas profundas de um jeito simples! - Charles Bukowski
isaac_lira · Natal (RN) · 30/4/2007 15:57 
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Alô poeta José, o poema é bem engraçado e gostei muito também do bate papo entre você e o poeta Jorge. Parabéns pelo trabalho.
Carlos Magno.
carlos magno · Rio de Janeiro (RJ) · 30/4/2007 23:18 
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é, essas coisas acontecem, Jorge. Lembro do "causo" contado por Roberto Piva e Claudio Willer sobre terem visto o espírito de André Breton passando num carro de mudança, tipo num lençol. Depois eles ficaram sabendo que exatamente àquela hora, Breton tinha morrido e era levado para o cemitério (seu desejo era ir pra o cemitério num carro de mudanças).

Acho essa interação fundamental. Pra mim escrita é diálogo, tanto no nível do poema, quanto nas "conversas de bar" sobre o poema e etc.

abraços.
Juva · Olinda (PE) · 1/5/2007 06:55 
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obrigado, Isaac. que bom que gostou (e ainda citou o "velho safado").
abraços.
Juva · Olinda (PE) · 1/5/2007 06:57 
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obrigado, Carlos.

gosto do nonsense, talvez mais que do engraçado. É um riso mais sincero (e mais misturado a outras coisas, como espanto).
Juva · Olinda (PE) · 1/5/2007 06:58 
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