Não-Lugares
Antônio ia embora naquele dia. Nada de amores platônicos. Ouvira falar que um amor platônico se curava com uma foda homérica. Antônio achava filosofia chato, mas fodas homéricas lhe pareciam interessantes. Antônio odiava pensar que logo estaria no ônibus, um dos não-lugares menos confortáveis que existem. E ainda tinha aquele maldito pó, ou sei lá o que, dos estofados que o faziam espirrar feito um idiota. Espirrar sem parar faz qualquer um parecer idiota. Antônio lembrou de uma vez em que viajava a Porto Alegre com a ex-namorada (foi na época em que ambos rasparam o cabelo para fazer mimetismo de amor à lá Vinícius) e ficaram se tocando no ônibus, com um casaco dela tapando as mãos e o resto. Ela gozou quase em silêncio e depois lhe disse: “Eu sempre soube que me casaria com alguém que me fizesse gozar em um ônibus rumo a Porto Alegre”. Antônio gozou. Não se casaram. Foi a única vez em que um ônibus lhe pareceu estimulante.
Bethânia Dias Zanatta.
Bom texto, cotidiano em prosas mal sucedido ao coitado do Antonio! Gostei
Bom texto, cotidiano em prosa mal sucedido ao coitado do Antonio! Gostei, abraços
Beleza de instantâneo do cotidiano que descreves minha cara overmina! A felicidade é feita de pequenos momentos. Um gostoso orgasmo! Abraços.
raphaelreys · Montes Claros, MG 13/3/2008 07:06Avisa-me para votar, estarei aqui...
Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 13/3/2008 12:52
Gostei muito.
Ando estudando não-lugares. Acho fascinante o conceito e ainda não havia lido sobre ônibus.
Para um não-lugar, este até que foi muito prazeroso!
beijos
Bethânia Zanatta · Santa Maria (RS)
Um Trabalho primoroso.
Verdadeira viagem que encerra muita sabedoria.
Licáo pra nunca mais esquecer.
Valeu demais.
Parabéns e voto
Bethânia, deixando meu votinho, besos amiga
Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 14/3/2008 12:04
Simpático, Bethânia, como é bom ser simples, falar de gozos fáceis, em bancos de ônibus, outros difíceis, em bancos de ônibus, como se vê, se goza em qualquer lugar, a diferença é justamente em se gozar fácil ou difícil.
Moral da ( quase ) história:
Tem gente que complica até pra gozar !
Gosto do teu estilo, esse estilo de quem tá conversando com a gente.
Pra mim é a nova tendência da poesia.
Cê lê na sala de espera, no ônibus ( cuidado pra não gozar ! ), fazendo um café, tomando banho ( é só imprimir num tipo de papel impermeável, oras ! ), até escovando os dentes ( pede pra alguém segurar procê ), só não há jeito ( ainda ! ) pra Morte !
Um beijo, até a próxima, pode me avisar !
Querida Bethânia:
Gosto muito de instantaneos literarios, Tem mais de onde veio esse?
beijoas e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Beleza de texto.
Gostei deveras. Já votei... Vou reler.
abrs,
A simplicidade do conto que encanta...
Belo!
Votado
Bjs
beto
Ola pssoa!!
Gostei d seu escrito, com titulo muito amplo...
Ñ iria em "Não-lugares" sem deixar meu voto!
At +, 1 abrço.
Eita, Bethânia...
A vida é essa viagem de sensações e emoções.
Aqui no pantanal, que é o paraíso, quando duas inocentes araras estão "de camaradagem" trocando castanhas, taramelam rocando-se, gritam beijando-se e grasnam acariciando-se; logo os olhinhos mudam de cor e as penas ficam eriçadas; não demora, surge um abafado chalrar e um involuntário cair de pálpebras; dizem que nesse instante nirvana as duas ararinhas estão - como é que se diz? No ônibus...
Também gostei! Convide-me mais para ler seus textos! Abraços!
Paulo Esdras · Brumado, BA 14/3/2008 18:55Muito interessante! Não-lugar saiu do lugar comum, beleza!
soninha porto · Porto Alegre, RS 14/3/2008 23:42
Betania
Texto vertebral. Belissimo, tratando-se de um momento urbano. Interessante e criativo. Parabens
obrigada, amigos.
é assim, só sei escrever de coisas simples.
quem sabe descomplicar um pouco a vida, ao menos a literária.
já que tudo é tão confuso e o viver muitas vezes me acaba por fatigar.
beijos.
Querida Bethânia, você é linda!
Um grande beijo criado especialmente para você do fundo do meu coração! Te amo!
Joca Oeiras, o anjo andarilho
Muito legal, Bethânia! A cena é cotidiana, mas carregada de emoção feminina. Mimetismo a la Vinicius resultando em atitude rebelde e sexualidade à flor da pele...e tudo rolando num ônibus, símbolo da coletividade!
Bjos,
Mau
guria entendi perfeitamente teu gosto por minhas histórias cabeludas...
continuemos
de ônibus, de trem, de avião
té a próxima
Gosto,voto divulgo. Continue produzindo seus belos textos. Votado.
wam nick · Recife, PE 24/4/2008 21:50
Bethania, li 2 vezes consecutivas.... gostei muito, parabéns.
AM
com atraso, vim aqui ler teus contos também. convido antonio pra ir com Ela ao butão...
Andei fuçando seu blog, acho que você é o meu tipo... de escritora! Antropóloga? Adoro o Evans-Pritchard!
Fred Teixeira · Extrema, MG 3/7/2008 09:24
Adorei, Bethania!
Tenho um blog que fala do que acontece no onibus... Meu último post foi sobre o onibus como um não-lugar... Mas minhas experiencias não foram tão calientes quanto as do Antonio rsrs
Conheçam: www.oqueacontecenobusao.blogspot.com bjss
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