Não tenho como negar
Tudo em mim fala,
Tudo em mim se vê,
Tudo em mim sinto:
África!
Fala em mim
Meus cabelos,
Minha pele,
Meu nariz,
Minha boca,
Meus pés,
Meu som,
Minha arte,
Meu entendimento
Da energia
Dos elementos da Natureza...
Tudo isto fala
De África em mim
Mas, sobretudo
Fala em mim de África
Os meus arrepios,
Os meus sentimentos,
Os meus apaixonamentos
Quando estou diante
Do que África é
Ou traz Ela consigo
Ai, então, África me pega,
Manda, faz corrupio de mim e
África comanda!
Você vê África em mim
No meu sertão,
No meu gueto,
Na minha gana,
Na minha busca,
Na minha necessidade,
Na minha força,
Na minha ousadia,
Na minha engenhosidade,
Na minha plástica,
Na minha sabença e ensinança
Na minha lida com as plantas,
Na minha reverência aos mais velhos,
Na minha admiração lúdica
Diante das crianças,
Na minha gentileza dando
Boas vindas aos chegantes,
Abençoando aqueles que saem da min casa
Ou aldeia...
Tudo isto que você vê
Fala de África em mim
E por tudo isto que sou
E sinto e também pelo que você sente
Ou quando você investe
Contra mim
Produz racismo contra a humanidade
Aonde a humanidade teve a sua origem primeira...
A África em mim
E em você racista ou não
Admitindo ou não
Sendo ou não a favor
Da equidade racial
E contra a desigualdade social
Mesmo que não queira ou não queiram
África estará sempre ressurgindo
Sangue, ritmos, ciclos de vida
Para todo o sempre!!!
Ademario Ribeiro
Parido entre emoções em Camaçari, no Dia de África em 2009. Mama África, mukulu mosi Nzambi! "Que Deus lhe abençoe!" - Kikongo (Banto).
Mama Africa,Pachamama, Ñanderu ete te cubram de luz, meu irmãozinho lindo. Coisa linda de se ver, de sentir, de chorar, de se apaixonar esssa tua escrita que enche de vida a alma da gente. Ademario meu negrindio do axé, do afoxé e também dos caminhos traçados por Rudá....amo a tua poesia. Gostaria de ter escrito esse poema tão lindo. Voltare sempre para ler tuas palavras de xamã amigo para fortalecer a mnha identidade. Paz em Ñanderu, Graça Graúna - grão e o que mais você achar que eu sou...rsrs...
graça grauna · Recife, PE 19/7/2009 15:24
Seu poema acorda os leitores de um jeito forte e suave, importante fazer refletir, fútil é decadente, lindo,bjs.
Não tenho como negar
Tudo em mim fala,
Tudo em mim se vê,
Tudo em mim sinto:
África!
Gra - Gra - Gra: Grão: zabumba do mato,
no peito, na cidade.
Tudo canta em você!
Pensar em ti - viro menino e vou
pelas vôos nas ingazeiras,
nas pensamentações sertões afora
e o Monte Olimpo é logo aqui
na curva,
no teu nome,
na tua voz de pássaro,
na voz forte de guerreira,
na tese luzidia da Graúna - Grauninha - Grauníissima...
Vixe meu Ñanderu, Nzambi, eu dou de vez em quano
a deixar-me levar - lavrar em mim
Luanda, Luanda, onde estás de Ascenso Ferreira!
Passa trem, passa tempo,
mata-burro e eu pelas'istradas a te percurar
por'onde andas, meu amor?!
Beijos!
AR
Ôi Claudinha,
Ciranda em teu sorriso,
dá p'ra me puxar
para dentro dela?
Rosa vermelha, amarela
como eu queria ficar
perto do vento
que nos leva por aí!
Olha, fica na paz e que O Amor
nos ronde, sempre!
Beijos,
AR
Trago dentro de MIm as infinitas nuances do Universo.
Sou singular e sou plural.
Em meu coração pulsa o Coração de toda a humanidade!
****
Grande amigo. Maravilha de Poema.
Saúde e Paz na Terra. jbconrado
Lia alguma coisa de que as primeiras expedições de saberes, e não de exploradores, feitas no Brasil, na região do Xingú, os povos de lá se referiam ao reino do Kongo, ou ao Rei do Kongo, com casos milenares
abraço
andre
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