Natal e seus simbolos

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Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
26/12/2013 · 8 · 1
 

Muito grato aos amigos que nos enviam mensagens de natal, por meio de símbolos, tanto aqueles que enviam de maneira direta, como de maneira indireta.

Gosto de símbolos porque são sinais ou signos que unem e recordam e quando falamos em recordar não queremos dizer algo que necessariamente tenha acontecido da forma como nos é apresentado.

No caso do natal, por exemplo, muitos já sabem que Jesus de Nazaré, não nasceu em Belém, nem no dia 25 de dezembro e nem recebeu a visita de reis magos, porém todas estas fatos “simbólicos†nos querem remeter a questões que não podemos esquecer.

No caso da cidade de Belém, a necessidade de ligar Jesus a genealogia da casa do Rei Davi, 25 de dezembro por causa de uma celebração em homenagem ao Deus-Sol, bastante vigorosa e pertencente ao repertório das religiões pré-cristãs em Roma, e no caso dos reis magos, a participação de toda a humanidade na promessa do reino de fartura, alegria e partilha inaugurado com a chegada do Messias.

De outro lado, há aqueles que constroem e difundem símbolos para unir e recordar outros interesses como o consumo exarcebado, tendo no papai noel um grande modelo desse tipo de visão de mundo.

Apesar disso, é sempre bom receber e espalhar símbolos que nos recordam e nos unem em torno do propósito de construir e reconstruir homens e mulheres melhores, a começar por nós mesmos.

E aqui, vale toda a forma de símbolos, seja em forma de desenho, fotografia, poesia, música, lendas e etc., como na forma de conceitos mais racionais ou científicos, de preferência, tudo isso, quando possivel, junto e misturado.

Para encerrar, dois símbolos para reforçar o argumento que defendo acima:

“É saudade que a gente tem
Pe. Zezinho, scj

Esta fome de felicidade
É saudade do infinito
É saudade do paraíso
É saudade que a gente tem
É saudade que a gente tem

De vez em quando
Quando eu passo por aí
Procurando Jesus Cristo
No semblante do meu povo
Em cada rosto eu torno a ler o que eu já li
Jesus Cristo está presente
E um dia voltará de novo

O homem rico tem saudade
Mas não sabe
Cada novo investimento
Mostra medo e uma quimera
O homem pobre que procura igualdade
Também ele tem saudade
Da verdade que ele espera

O homem velho que só fala no passado
Tem saudade, está cansado
e já viveu o suficiente
Aquele jovem que só fala no futuro
Tem saudade, eu quase juro
Do infinito à sua frente

Vou caminhando e meditando esta verdade:
Minha gente tem saudade
do que estava prometido
Esta procura de encontrar felicidade
É nada mais do que saudade
De um valor que foi perdidoâ€

A canção da letra acima é muito bonita, porém não está disponivel, por enquanto.

Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
(...)

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

(...)

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

(...)

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Leia também:
O mito de natal. AQUI
Feliz Natal com arte, afeto, justiça e paz.
AQUI
Bethania - Poema do Menino Jesus - Fernando Pessoa AQUI

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Zezito de Oliveira
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kfarias
 

Muitos terão de refletir sobre tudo que vc. publicou. Fico feliz em encontra-lo e pretendo voltar após festas de fim de ano. Hoje estou postando em quase 12 sites diferentes e o overmundo ficou meio vazio, mas eu continuo e voltarei.
Boas festas amigo e paz a toda família.

kfarias · Ãguas de Lindóia, SP 29/12/2013 22:31
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